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Futebol
Compraram os argentinos
Bilionário russo adquire o direito de
escolher os adversários e até os
jogadores da seleção argentina
A seleção argentina
de futebol foi praticamente vendida neste mês ao magnata Victor
Vekselberg, uma das cinco maiores fortunas da Rússia, por
18 milhões de dólares (cerca de 40 milhões
de reais). Esse é o valor que a empresa Renova, do bilionário
russo, pagou pelo direito de organizar 24 amistosos nos próximos
cinco anos, escolhendo não só os adversários
dos argentinos mas até os jogadores que podem participar
desses jogos. O técnico Alfio Basile recebeu uma lista com
o nome de trinta jogadores, que devem compor a base de suas próximas
convocações. O primeiro jogo da nova era já
está marcado: será no próximo dia 3, em Londres,
contra a seleção brasileira do técnico Dunga.
Como não podia deixar
de ser, os termos do contrato causaram polêmica. O presidente
da federação argentina, Julio Grondona, uma espécie
de Ricardo Teixeira local está no poder desde 1979,
dez anos a mais que seu colega da CBF , defendeu a decisão
de terceirizar a agenda da seleção nacional. Alegou
que dá trabalho procurar rivais para amistosos e que os milhões
de dólares são uma garantia de renda para manter o
centro de treinamento da seleção, em Ezeiza, o equivalente
argentino da Granja Comary. Garantiu que, apesar da lista de trinta
nomes, os russos aceitarão quem quer que Basile convoque
e previu que os novos parceiros escolherão adversários
de bom nível para a Argentina. "O tempo, insubornável
companheiro, nos dará razão", discursou em tom de
letra de tango ao anunciar o contrato.
Fotos Daniel Luna/AP e Enrique Marcarian/Reuters
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| O técnico Basile e o craque Lionel Messi:
lista de trinta "convocáveis" |
Em uma análise fria, o
cartola argentino tem certa razão. Organizar amistosos já
é, há muito tempo, tarefa intermediada por empresários.
A novidade é apenas vendê-los em pacote. O valor do
contrato dá uma média de 750.000 dólares por
partida, mais do que os argentinos costumam receber hoje. O Brasil
em geral pede 1 milhão de dólares (recebeu 1,3 milhão
para jogar em Oslo no início do mês, segundo a imprensa
norueguesa). Além disso, a federação argentina
pode arrecadar mais vendendo os direitos de transmissão pela
TV. Teoricamente, os russos terão interesse em marcar jogos
rentáveis, contra times fortes. E a cláusula que "impõe"
uma lista de jogadores é flexível trata-se
apenas de uma garantia para evitar que a Argentina ponha em campo
um time B. Basile já mostrou isso ao convocar alguns novatos
que não estavam na lista para o jogo contra o Brasil.
Mas há alguns senões.
Ao abrir mão da soberania de negociar amistosos, a Argentina
sujeita-se a enfrentar não as seleções mais
fortes, e sim as que pagarem mais à Renova. Veja-se o caso
da CBF, que em nome de cotas milionárias submete a seleção
a amistosos inúteis contra times fracos como Emirados Árabes
e Kuwait. Divulgar uma lista formal de jogadores solapa a autoridade
do treinador e foi um dos motivos da renúncia de José
Pekerman, o antecessor de Basile no cargo. Cláusulas assim
podem acabar em problema. No Brasil, a Nike chegou a possuir o direito
de marcar cinco amistosos do Brasil por ano. Deu-se conta da roubada
e desistiu. Outro patrocinador da seleção, a Ambev,
tem atualmente a prerrogativa de organizar um amistoso anual. A
CBF garante, porém, que participa da escolha do adversário.
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