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Ciência
Fim da polêmica
Pesquisadores americanos criam cultura
de células-tronco sem destruir o embrião

Ruth Costas
Fabiano Accorsi
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| Manipulação de células-tronco no Centro do
Genoma Humano da USP: esperança |
A pesquisa com células-tronco
embrionárias é uma dessas áreas da ciência
em que os métodos têm de se adaptar aos dogmas. Os
cientistas defendem que as células-tronco, capazes de formar
diferentes tecidos do corpo, podem levar, no futuro, à cura
de doenças como o mal de Alzheimer e o diabetes tipo 1. Os
críticos argumentam que o método usado nesses estudos,
que passa pela destruição de embriões humanos,
é um atentado contra a vida. Na semana passada, a Advanced
Cell Technology, uma empresa de biotecnologia dos Estados Unidos
com sede na Califórnia, anunciou ter descoberto uma maneira
de desenvolver células-tronco embrionárias sem destruir
o embrião que lhes deu origem. Se for confirmada sua eficiência,
o novo método vai tirar do caminho o principal argumento
do lobby conservador que tenta atravancar o progresso científico
nos Estados Unidos, na Europa e até no Brasil. A técnica
consiste em fazer uma biópsia, retirando uma única
célula de um embrião de dois dias. Nesse estágio,
ele normalmente não passa de um aglomerado de oito células.
Pelo método antigo, o material que dá origem à
linhagem de células-tronco é retirado do interior
de embriões mais desenvolvidos, com cinco dias. Nessa fase,
o embrião não resiste à retirada de células
de seu centro.
A experiência já
havia sido feita com ratos no ano passado, mas é a primeira
vez que dá certo com células humanas. "A questão
é que, até hoje, ninguém havia conseguido criar
culturas de células-tronco a partir de uma única célula
retirada de um embrião humano em início de desenvolvimento
e esse é o grande mérito da nova técnica",
diz Mayana Zatz, coordenadora do Centro de Estudos do Genoma Humano
da Universidade de São Paulo. Na pesquisa divulgada na semana
passada, apenas duas entre 91 células retiradas de embriões
de dois dias geraram linhagens de células-tronco. Trata-se
de um índice de aproveitamento baixo, mas os cientistas dizem
ser possível melhorar. A biópsia em embriões
de 2 dias não é uma novidade em si. A técnica
vem sendo utilizada há dez anos por casais que fazem fertilização
in vitro e querem saber se seu filho terá doenças
como hemofilia. As análises genéticas são feitas
na célula isolada enquanto o embrião continua a se
desenvolver normalmente. Confrontados com esses fatos, os representantes
do lobby cristão responsáveis por convencer
o presidente George W. Bush a vetar, em julho, um projeto de lei
que facilitava a pesquisa com células-tronco saíram-se
com um novo argumento: o de que qualquer manipulação
de embriões humanos é um desrespeito à vida.
Pelo jeito, de nada adianta uma lanterna para quem não quer
abrir os olhos.

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