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Brasil Briga
de sangue A PF indicia Delúbio
e Humberto Costa no caso dos vampiros e diz que os dois até brigavam
por propina  Diego
Escosteguy Rose
Brasil/ABR
 | | O
ex-ministro Humberto Costa: "É um absurdo. Estou sendo vítima de uma armação"
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Já se sabia que
a quadrilha dos vampiros, assim conhecida por sua especialização
em fraudar licitações do Ministério da Saúde, tinha
uma conexão financeira com o ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares.
Conforme as investigações da Polícia Federal, o esquema dos
vampiros fora montado ainda sob o governo de Fernando Collor (1990-1992) e se
empenhava em arrancar dinheiro de fornecedores do Ministério da Saúde.
Estima-se que, em mais de uma década de atividade, os vampiros tenham movimentado
até 2 bilhões de reais. Desde 2003, quando o governo do PT tomou
posse, o esquema sofreu algumas alterações e, sobretudo,
adesões. Um dos que passaram a atuar com a quadrilha foi o lobista Laerte
de Arruda Corrêa, eterno suspeito de ser o homem de Delúbio Soares.
Na semana passada, VEJA teve acesso ao relatório da Polícia Federal
sobre o caso. São 800 páginas que fazem um histórico detalhado
do esquema e apresentam informações ainda mais arrasadoras sobre
o envolvimento de petistas. O documento confirma o envolvimento do ex-tesoureiro
do PT no esquema, apresenta provas de sua ligação com o lobista
e traz uma novidade: acusa o ex-ministro da Saúde Humberto Costa, atual
candidato do PT ao governo de Pernambuco, de envolvimento com a quadrilha.
No relatório final, que já foi enviado ao Ministério Público,
a Polícia Federal faz uma descrição da quadrilha tanto
de sua forma de atuar quanto de sua estrutura, apresentando até um organograma.
Diz que havia ali uma "organização criminosa", curiosamente o mesmo
termo usado pelo procurador-geral da República, Antonio Fernando de Souza,
para referir-se ao PT no caso do mensalão. Em seguida, afirma que a tal
"organização criminosa", com a posse do governo do PT, incorporou
uma "nova estrutura", que aproveitou "velhos planos" para "vender facilidades
e influências" no Ministério da Saúde. O pedaço que
se incorporou se apresentava dividido em dois grupos. Um estava sob o comando
do então tesoureiro do PT, Delúbio Soares, e seria integrado pelo
lobista Laerte de Arruda Corrêa e por dois servidores do Ministério
da Saúde, Reginaldo Muniz Barreto e Ivan Batista Coelho. O outro grupo
era ligado ao então ministro da Saúde, Humberto Costa, e seria mais
numeroso. Era composto de seis assessores e lobistas entre eles, Bruno
Reis, na época assessor de Carlos Wilson, então presidente da Infraero
e hoje candidato a deputado federal pelo PT. Ao final, o relatório da Polícia
Federal informa que as investigações resultaram no indiciamento
de 42 suspeitos. Delúbio Soares foi indiciado pelos crimes de corrupção
ativa, formação de quadrilha e exploração de prestígio.
No caso de Humberto Costa, o indiciamento se deu em razão dos crimes de
corrupção passiva e formação de quadrilha.
Dida
Sampaio/AE
 | | Delúbio,
o ex-tesoureiro: briga com o grupo do ex-ministro |
Há trechos impressionantes no relatório. Num deles, a Polícia
Federal afirma que a turma de Delúbio conseguiu arrecadar pelo menos 15
milhões de reais em propinas cobradas de fornecedores do Ministério
da Saúde. No caso do grupo ligado ao ex-ministro Humberto Costa, não
há estimativa do dinheiro embolsado, mas as investigações
chegaram a identificar uma partilha de dinheiro no caso, uma propina de
723.800 reais, paga por um laboratório, que acabou dividida entre o grupo
do tesoureiro e o do ministro. O relatório diz ainda que os dois grupos
não tinham uma convivência pacífica. "Há um enredo
de conversas que revelam a existência de contenda entre os grupos vinculados
ao ministro da Saúde, Humberto Costa, e ao tesoureiro do Partido dos Trabalhadores,
Delúbio Soares, pela prerrogativa de arranjar a venda de facilidades e
influência e a captação de recursos financeiros junto a lobistas
e empresas", diz o documento. Como que a comprovar que havia briga de quadrilhas,
existia um terceiro grupo no esquema, que acabava fazendo a interlocução
entre a turma de Delúbio e a de Humberto Costa. Quem liderava esse terceiro
grupo, conforme o relatório da polícia, era o também já
indiciado Frederico Ferreira Coelho Neto, o Lilico, que vem a ser irmão
do deputado Luiz Antonio Fleury Filho (PTB-SP).
Em seu depoimento, o lobista Laerte de Arruda Corrêa negou ter participado
do esquema, mas disse que o ex-ministro Humberto Costa tinha envolvimento com
a quadrilha. "É um absurdo, estou sendo vítima de uma verdadeira
armação", afirma Humberto Costa. Na sexta-feira passada, depois
de ser entrevistado e informado por VEJA sobre seu indiciamento, o ex-ministro
deu uma coletiva no Recife na qual divulgou seu próprio indiciamento, reafirmou
que é inocente e ofereceu a quebra de seu sigilo telefônico, bancário
e fiscal. Também há indiciados de outras colorações
partidárias. O médico Platão Fischer, que já estava
no ministério quando o tucano José Serra assumiu a pasta, foi indiciado
por corrupção ativa, corrupção passiva, formação
de quadrilha e exploração de prestígio. Ele é acusado
de ter repassado informações privilegiadas das licitações
do ministério à quadrilha. Fischer nega qualquer envolvimento com
a máfia. "Não tenho nada a ver com essas figuras", garante. Agora,
o Ministério Público tem um mês para oferecer uma denúncia
à Justiça contra os indiciados ou então pedir novas diligências
à Polícia Federal. TRECHOS
COMPROMETEDORES Ao fim das investigações,
a PF produziu um relatório com 800 páginas. Abaixo,
trechos que comprometem Delúbio Soares e Humberto Costa |  | | Trecho
em que a PF descreve o grupo de Delúbio rachando propina |
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