Geral Especial

Esta semana
Sumário
Brasil
Internacional
Geral
Aiatolás defendem o espancamento das mulheres
Cientistas criam cabra com gene de aranha
Os novos carros supereconômicos
Mitsubishi admite que escondeu defeitos em veículos
Cirurgias com microcortes e rápida recuperação
Deputado retira parte do estômago e perde 64 quilos
A superaspirina
Projeto quer proibir o uso de palavras estrangeiras
Encontrados restos da primeira casa de cunhar moedas
João Gordo
Planetários com efeitos especiais viram moda nos EUA
Roupas e bijuterias "made in favela" são exportadas
O assassinato da jornalista pelo diretor de redação
Homens e mulheres cada vez mais sozinhos

Economia e Negócios
Guia
Artes e Espetáculos

Colunas
Diogo Mainardi
Luiz Felipe de Alencastro
Gustavo Franco
Roberto Pompeu de Toledo

Seções
Carta ao leitor
Entrevista
Cartas
VEJA on-line
Radar
Contexto
Holofote
Veja essa
Arc
Notas internacionais
Hipertexto
Gente
Datas
Cotações
Para usar
VEJA Recomenda
Os mais vendidos

Arquivos VEJA
Para pesquisar nos arquivos da revista, digite uma ou mais palavras

Busca detalhada
Arquivo 1997-2000
Busca somente texto 96|97|98|99
Os mais vendidos
 

Fotos Fábio Mangabeira


As mulheres compram casa, carro, viajam,
têm filhos sozinhas, comandam empresas.
Ainda sonham com o príncipe encantado.
Mas não têm pressa de encontrá-lo

Os homens também buscam seu par perfeito,
mas aceitam a idéia de casar, mesmo sem
encontrá-lo. Sem mulher para cobrar bom
comportamento, eles levam uma vida
desregrada e entram em decadência

Entre as inúmeras mudanças pelas quais o mundo vem passando nos últimos anos, há uma que não tem sido observada em todas as suas tremendas implicações. É o fato de que há cada vez mais gente vivendo sozinha no planeta. Estima-se que um terço da poil;ão mundial adulta viva sem um parceiro. No Brasil, em 1984, os cartórios emitiram 1 milhão de certidões de casamento. A população aumentou muito nos dez anos seguintes e, ainda assim, o número de casamentos baixou para 750 000. As separações, na mesma década, saltaram mais de 35%. Há cada vez mais bares, festas e pacotes de viagem para gente sozinha. Atenção: fala-se aqui de gente sozinha, não necessariamente solitária. Há muitas pessoas sozinhas que vivem bem e não fazem muita questão de casar. "Elas querem coabitar, mas não sob quaisquer condições. Embora seja verdade que ninguém é feliz sozinho, as pessoas só querem conviver com alguém se puderem viver bem", diz Anna Verônica Mautner, psicanalista de São Paulo.

O movimento que tem separado os sexos atinge de forma diferente homens e mulheres. Uma pesquisa feita pela empresa de publicidade americana Young & Rubicam em todo o mundo concluiu: "As mulheres que vivem sozinhas compõem o bloco de consumo mais forte da atualidade, da mesma forma como os yuppies foram nos anos 80. Elas são independentes, têm grande poder de compra e sabem o que querem". Para os homens a coisa tem sido mais complicada. Um estudo da Universidade de Chicago com 1 500 casais constatou que, sem uma mulher que zele por seu bem-estar, os homens decaem. Segundo a pesquisa, maridos cujas mulheres trabalham mais de quarenta horas semanais têm cerca de 30% mais riscos de adoecer. "Os homens são muito dependentes das mulheres", diz o autor do estudo, o sociólogo Ross Stolzenberg.

O fenômeno pode ser observado também no Brasil. Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o número de brasileiros que vivem sós saltou de 1,6 milhão em 1981 para 3,8 milhões em 1998. A vida solitária ficou muito mais fácil nos últimos tempos. O telefone celular, o fax, a secretária eletrônica, a internet e outros serviços tornaram mais prática e confortável a vida de quem está só. Talvez por isso as pessoas já não aceitam a idéia de casar a qualquer custo. A revista americana Time e a rede CNN de televisão fizeram uma enquete sobre isso, nos Estados Unidos, com um resultado interessante. Oitenta por cento dos consultados disseram que esperam, eventualmente, encontrar seu par perfeito. Quando questionados se casariam caso não aparecesse a pessoa perfeita, veio a surpresa. Apenas 34% das mulheres responderam que sim, casariam com a pessoa que não seria exatamente sua imagem de príncipe encantado. Entre os homens, foram 41%. Ou seja, eles são menos exigentes. "As mulheres já não querem apenas um homem em suas vidas. Querem um grande homem", conclui a pesquisa.

Não é difícil entender o processo que levou homens e mulheres a se distanciarem. Depois da II Grande Guerra, o desenvolvimento econômico acelerou-se. As mulheres foram chamadas a participar do processo de produção. A educação se universalizou. Mudanças estruturais como essas tinham de influir sobre os padrões morais e sociais. Surgiram os movimentos hippies, as feministas e uma mulher muito mais independente do status proporcionado pelo casamento. "São os homens que estão sofrendo mais nesta fase de transição. Eles não se prepararam para conviver com mulheres tão fortes", diz Ivani Rossi, diretora de planejamento da empresa de pesquisa InterScience. Como se vê, há uma incompatibilidade entre as expectativas e as necessidades de homens e mulheres. Enquanto os dois não estabelecerem um novo pacto matrimonial, a tendência de crescimento do número de pessoas sozinhas deverá permanecer.

 

Copyright 2000
Editora Abril S.A.
  VEJA on-line | Veja São Paulo | Veja Rio | Veja Recife | Guias Regionais
Edições Especiais | Site Olímpico | Especiais on-line
Arquivos | Downloads | Próxima VEJA | Fale conosco