Lazer sideral
Planetários
de última geração, recheados de
efeitos especiais, viram moda nos Estados Unidos
Rachel
Verano
Divulgação

Planetário Adler, em Chicago: exibição
de fotos do Hubble animadas por computador |
Ao
som de música clássica, dezenas de pessoas se transformam
em astronautas num piscar de olhos e iniciam uma fantástica
aventura no espaço sideral. Mergulham em buracos negros,
derrapam em nebulosas, assistem de camarote ao exato momento da
explosão de uma estrela e, de repente, lá estão
observando os arredores de Plutão, o mais distante planeta
do sistema solar. A viagem, que mais parece roteiro de filme de
ficção científica, acontece, na verdade, dentro
de um domo de 20 metros de diâmetro. Os passageiros são
espectadores diante de um verdadeiro show de tecnologia, concebido
pelos técnicos de um dos mais avançados centros de
estudos espaciais, o Chabot, que inaugurou seu novo planetário
na semana passada, na cidade americana de Oakland, vizinha a San
Francisco, Califórnia. O anfiteatro reforça a tendência
dos planetários nos Estados Unidos de recorrer ao entretenimento
para acabar com a fama de lugares aborrecidos. Desde o fim do ano
passado, este é o terceiro a gastar dezenas de milhões
de dólares em equipamentos novos para atrair um público
diferente do habitual, aquele que passa boa parte do dia ligado
à internet e assiste a filmes produzidos por computadores,
como Matrix. São centros científicos, com imagens
extraídas das milionárias missões espaciais
realizadas pela Nasa, mas caberiam sem constrangimento no Epcot
Center, na Disney World ou em qualquer outro parque de diversões.
D. Finnin/AMNH
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Chabot Space and Science Center
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| Rose
Center (à esq.) e Observatório Chabot,
em Oakland: reformas milionárias |
A
onda de megaplanetários começou pelo Adler, de Chicago,
o mais antigo dos EUA. Ele fechou para reforma, recebeu projetores
digitais fabricados pela empresa alemã Carl Zeiss e reabriu
suas portas no ano passado, exibindo shows como o que usa cenas
do telescópio Hubble animadas por computador para contar
a história do universo. É um passeio pelo sistema
solar, pela Via Láctea e pelos limites conhecidos do espaço
sideral. Pouco depois foi a vez de Nova York, com o Rose Center,
do Museu de História Natural. Inaugurado em fevereiro deste
ano, tem filas constantes. A esfera flutuante de 26,5 metros de
diâmetro abriga o mais potente projetor de planetários
do mundo. Ali, a atmosfera hollywoodiana está presente não
apenas nos efeitos especiais, mas também em detalhes como
o chão de granito negro cravejado de pequenas pedras de cristal
para imitar um céu estrelado. O filme exibido na cúpula
da esfera reproduz um alucinante mergulho pelo interior de um buraco
negro, mostra Saturno de raspão e exibe belíssimos
berçários de estrelas, numa produção
impecável. Na construção, nos equipamentos
e no filme foram gastos mais de 200 milhões de dólares.
Até mesmo planetários já famosos, como o Griffith
de Los Angeles, que recebe 2 milhões de visitantes por ano
e onde foi rodado um trecho do filme Juventude Transviada em
1955, devem passar por uma recauchutagem. Nos próximos anos,
o Griffith vai receber 58 milhões de dólares em maquinário.
"Queremos aproveitar todas as novas ferramentas disponíveis
para tornar a ciência mais atraente", resume o diretor do
observatório, Edwin Krupp.
No
recém-inaugurado Chabot, de Oakland, foram gastos 76 milhões
de dólares. Além do espaço de projeção,
o centro tem dois telescópios abertos para visitação
pública e uma exposição onde as esculturas
simulam processos naturais como vendavais e impactos meteóricos,
por exemplo. É um cenário que reproduz caldeiras borbulhantes
e aglomerações de nuvens onde os visitantes têm
a sensação de ver de perto como são os fenômenos
atmosféricos. Os cientistas parecem ter, enfim, descoberto
a fórmula para aguçar a fascinação da
humanidade pelo mundo das estrelas e galáxias.
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