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De corpo novo

Líder do PTB se submete a operação para
redução do estômago e perde 64 quilos

Ricardo Galhardo

A política brasileira acaba de perder um de seus gordos mais notórios – o deputado Roberto Jefferson, presidente do PTB e líder do partido na Câmara Federal. A metamorfose começou em dezembro passado. Com a pressão arterial lá nas alturas, o coração em ritmo acelerado, diabetes, dificuldades para respirar, dormir e até caminhar, era preciso tomar uma providência urgente. Jefferson procurou, então, o gastroenterologista Arthur Garrido, professor da Universidade de São Paulo (USP) e pioneiro no Brasil das cirurgias de emagrecimento, aquele recurso drástico que diminui o estômago de quem tem na gordura muito mais do que um problema estético. O excesso de peso era tanto que o deputado não pôde ser operado imediatamente. Ir para a mesa de operação com 166 quilos não representava apenas um perigo. Era tecnicamente inviável, já que as macas agüentam no máximo 150 quilos. Para perder 16 quilos e entrar na faca, Jefferson teve de fazer quatro meses de dieta e ingerir pelo menos duas centenas de comprimidos de Xenical. Barriga aberta, em duas horas e meia os especialistas grampearam-lhe o estômago. O órgão ficou com 1,5% do volume normal. Hoje, aos 47 anos, 1,83 metro, 102 quilos, o petebista ainda está acima do peso. Deixou, no entanto, de pertencer à categoria dos obesos mórbidos (ou, como preferem os politicamente corretos, obesos da classe 3). Sua meta agora é chegar aos 90 quilos.

Como o deputado, cerca de 1.000 pessoas submetem-se todos anos à cirurgia de redução do estômago no país. São pacientes com 45 quilos ou mais além do limite permitido pelo seu biotipo. Estima-se que 16 milhões de brasileiros estejam nesse grupo. Isso mesmo: 10% da população. Entre os gordíssimos, triplica a ocorrência de casos de hipertensão e diabetes. Metade das mulheres desenvolve câncer de mama. De cada dez homens, quatro são vítimas de infarto. Invariavelmente, todos foram em algum momento escravos dos regimes. Durante vinte anos, Jefferson tentou de tudo. Dieta da Lua, do doutor Atkins, de Beverly Hills e a tradicional combinação grelhado-salada. A história era sempre a mesma: ele perdia peso com dificuldade e voltava a engordar com facilidade. Mais e mais. "Para esses casos, a cirurgia é mesmo o tratamento mais eficaz", reconhece o endocrinologista Walmir Coutinho, presidente da Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade.

Passado um ano da operação, nove de cada dez pacientes perdem até 40% do peso inicial. "O número do meu colarinho caiu de 56 para 42", contabiliza Jefferson, orgulhoso. Mais importante, o diabetes foi curado, a pressão atingiu o nível normal, a taxa de colesterol foi reduzida para a metade e a freqüência cardíaca estabilizou-se. Sem as dores nas articulações dos joelhos, faz caminhadas diárias de 8 quilômetros. Aliás, está aprendendo a andar novamente. Nos tempos de balofo, Jefferson tinha de caminhar nas pontas dos pés para não sobrecarregar a coluna e os joelhos. Ele ingeria 1 quilo de alimento a cada repasto. Agora, faz quatro refeições diárias de 200 gramas. A compulsão foi substituída pela paciência de mastigar sessenta vezes uma única garfada, o que facilita a passagem da comida pelo estômago. De corpinho novo, o deputado promete não abandonar os obesos. Quer criar, inclusive, uma frente parlamentar de defesa da categoria. "O gordo é o estuário da culpa do mundo", dramatiza. Ele perdeu 64 quilos, mas que ninguém se engane. "Agora me sinto com mais energia, mais agressivo", diz. É o Roberto Jefferson de sempre, só que em versão light.

 

 

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