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Nova geração de carros supereconômicos anda
30 quilômetros com 1 litro de combustível

Gabriela Carelli

 
Fotos divulgação
Lupo, da Volks: motor diesel e carroceria com peças de alumínio

De tempos em tempos, quando a cotação do petróleo sobe perigosamente, a indústria automobilística se apressa em lançar uma nova fornada de carros que consomem pouco combustível. É assim desde que a primeira grande crise pegou o mundo todo desprevenido em 1973. Nesta virada de século, com a produção estagnada e o preço do barril do petróleo em seu valor mais alto dos últimos dez anos, as montadoras européias se preparam para o pior. Elas estão colocando no mercado os automóveis mais econômicos já fabricados até hoje, que contam também com um grande apelo ecológico. Os veículos da nova geração andam muito mais com 1 litro de combustível e produzem o mínimo de poluentes. No início do mês, a Volkswagen comemorou em sua sede de Wolfsburg, na Alemanha, um feito notável de um desses modelos. O pequeno Lupo TDI completou viagem em torno do planeta, na qual gastou apenas 793 litros de óleo diesel para rodar 33.333 quilômetros, numa média de consumo de 42 quilômetros por litro. Foram oitenta dias percorrendo países da Europa, Ásia, África, Oceania e América do Norte, numa velocidade média de 85,6 quilômetros por hora, epopéia digna do livro A Volta ao Mundo em 80 Dias, de Julio Verne, que inspirou o desafio.



Fiat Ecobasic: projeto voltou às pranchetas a fim de enfrentar a concorrência

Os números alcançados pelo Lupo surpreenderam os concorrentes. A Fiat, que mostrou neste ano o protótipo de seu modelo econômico, o Ecobasic, já prepara uma revisão no projeto com o intuito de torná-lo mais competitivo para enfrentar o rival alemão. O carro ainda gasta muito, quase o dobro do Lupo. Os italianos estão apostando no uso de materiais mais leves, como alumínio e plástico, para reduzir o peso e o consumo. O principal alvo de inovações é o antiqüíssimo motor inventado pelo alemão Rudolf Diesel em 1892. Bastante comuns na Europa, os automóveis movidos a óleo diesel são tradicionalmente mais econômicos. Também ganharam fama de ser mais poluentes, barulhentos e lerdos do que os movidos a gasolina, além de chacoalhar com o balanço. Com o tempo soltam a inconfundível fumaça enegrecida, carregada de monóxido de carbono.

Nos novos modelos, os engenheiros instalaram um equipamento turbo no motor e o dotaram de um sistema de injeção de combustível mais eficiente. Mudaram o sistema de descarga de gases e reduziram a quantidade de poluentes liberados na atmosfera. "Além do inegável apelo econômico, com esse tipo de carro conquistamos o público europeu ecologicamente correto", avalia o gerente executivo de engenharia da VW, João Alvarez. Mas as montadoras não pararam por aí. Partiram para inovações na lataria, com o uso de alumínio em vários componentes, um material bem mais leve que o aço. Por último, vieram as bossas eletrônicas, planejadas para garantir que nenhuma gota de combustível seja desperdiçada. No Lupo, o motor desliga automaticamente caso o veículo fique parado por mais de 3 segundos com o pedal de freio acionado. Para ligá-lo novamente é só pisar no acelerador. Recursos invejáveis quando se leva em conta que os populares nacionais, em casos de desempenho excepcional, fazem 17 quilômetros com 1 litro de gasolina.



Audi A2: versão a gasolina chegará ao Brasil por 30.000 reais

Na Europa, além da Volks e da Fiat, a Audi tem um modelo com esse perfil, o A2, lançado no ano passado, e a BMW já planeja o seu. Apesar de econômicos, não são carros baratos. Na Alemanha, um Lupo ou um A2 não custam menos de 15.000 dólares. A estimativa das montadoras é que esses veículos, com cerca de 3,5 metros de comprimento, mantenham os atuais 35% do mercado europeu. Mesmo que despertem a cobiça do consumidor brasileiro, são modelos que dificilmente chegarão ao país – o óleo diesel, por aqui, é destinado apenas a caminhões, ônibus e máquinas de grande porte, como motores de locomotivas, barcos e balsas. Somente a versão a gasolina do A2 da Audi está programada, ao preço de 30.000 reais, custo salgado para o padrão do bolso brasileiro.

 

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