Economia
Acordo bom para todos
Empresários
e governo selam consenso sobre o Sistema S
Daniela Toviansky
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PISCINA
DO SESC EM SÃO PAULO
Pelo entendimento, haverá mais atividades gratuitas |
Na semana passada, governo e entidades empresariais chegaram
a um acordo para remodelar a aplicação dos recursos
do Sistema S rede de treinamento profissional, recreação
e cultura que congrega entidades como Sesi, Senac, Senai e
Sesc. Mantido com a contribuição das empresas
do comércio e da indústria, de 2,5% dos gastos
com a folha de pagamento, esse sistema administra um valor
estimado em 8 bilhões de reais ao ano. Os recursos
são das empresas e sua administração
é feita inteiramente pelo setor privado. É assim
que tem funcionado há mais de sessenta anos, quando
foi criado para suprir a necessidade de mão-de-obra
treinada. Mas o ministro da Educação, Fernando
Haddad, entrou em atrito com as confederações
empresariais ao criticar a gestão atual desses recursos.
Segundo Haddad, haveria falta de transparência nas contas.
Além disso, a rede de ensino teria sido "elitizada",
porque a maior parte dos cursos é paga. Para além
das críticas, Haddad, com o apoio do ministro do Trabalho,
Carlos Lupi, preparava um projeto que, entre outras medidas,
deixava com o governo parte dos recursos arrecadados.
A proposta dos
ministros desagradou em cheio aos empresários e já
prometia ser mais uma dor de cabeça para o presidente
Lula que, aliás, foi aluno do Senai, onde aprendeu
a profissão de torneiro mecânico. Antes que a
disputa se transformasse numa crise política, o governo
e os empresários selaram um acordo preservando a autonomia
administrativa do Sistema S. Ficou acertado que o Senai e
o Senac vão ampliar a quantidade de cursos gratuitos
a partir do próximo ano, chegando, até 2014,
a dois terços do orçamento. O Sesc e o Sesi,
por sua vez, passarão a destinar mais verba para atividades
gratuitas até que elas atinjam um terço do total,
também em 2014. Ao final, empresários e governo
se deram por satisfeitos. Ganharam os trabalhadores, com mais
oportunidades, e as empresas, que terão uma oferta
maior de mão-de-obra qualificada.