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Edição 2071

30 de julho de 2008
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Brasil
A casa do espanto

Documento inédito complica ainda mais a governadora gaúcha


Diego Escosteguy

Fotos Ricardo Marques/Folha Imagem, Ana Araujo
VERSÃO OFICIAL
A governadora e o casarão: as explicações de Yeda ainda não pararam em pé

A governadora gaúcha Yeda Crusius (PSDB) vem caminhando sobre um braseiro. Desde que assumiu o cargo, ela enfrentou a oposição do próprio vice, viu seu governo ser acusado de patrocinar um desvio de 44 milhões de reais e já perdeu quatro secretários calcinados pela crise. A maior encrenca de Yeda, agora, tem outro endereço. É um casarão, comprado pela governadora entre a vitória nas urnas e sua posse. Como todo o seu patrimônio declarado à Justiça Eleitoral na véspera da eleição era inferior ao preço declarado da transação, 750.000 reais, ela passou a ser investigada pelo Ministério Público (MP) a pedido do PSOL. Yeda já deu duas explicações públicas sobre o caso. Na primeira, justificou a origem dos recursos para a compra com a venda de um carro e dois apartamentos. Descobriu-se, porém, que um dos imóveis nunca saiu do nome da governadora por causa de um bloqueio judicial. A segunda, apresentada ao MP na semana passada, é mais detalhada. Ainda assim, as contas não fecham. Permanece sem explicação consistente a origem de cerca de 200 000 reais. Um governante com dificuldade para explicar a compra de um imóvel tem um problemão. Ele pode ficar maior nos próximos dias.

Um documento obtido por VEJA mostra que, quatro meses antes de vender a casa a Yeda por supostamente 750 000 reais, seu antigo dono, Eduardo Laranja, estava fechando o negócio por 1 milhão de reais. O interessado, o engenheiro José Luís Borsatto, chegou a assinar um documento comprometendo-se a comprá-la por esse valor. "Quando consegui todo o dinheiro, o corretor me disse que tinha vendido o imóvel à governadora", lamenta Borsatto. Qual o valor do negócio? "Foi 1 milhão de reais", afirma ele. A suspeita de que a propriedade tenha custado mais do que admite a governadora é alimentada por outras evidências. Um ano antes de ser negociada, a casa era anunciada por 1,5 milhão de reais. A prefeitura, ao avaliar o imóvel para efeitos fiscais no ato da venda, atribuiu-lhe o valor de 900 000 reais. A favor de Yeda, diga-se que são inúmeras as razões que podem ter levado o proprietário a vender a casa à governadora, mesmo que, aparentemente, tenha perdido dinheiro no negócio – mas isso precisará ser esclarecido. O advogado do PSOL, Pedro Ruas, vai entregar o documento ao Ministério Público nesta semana.

 

NEGÓCIO ATRATIVO
Proposta mostra que o valor real da casa era maior: por que o preço caiu?



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