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Televisão
Improviso
e riso
Um
programa que mostra como os comediantes
americanos são talentosos e preparados

Marcelo
Marthe
Divulgação
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O elenco de Whose
Line...: Drew (ao centro) joga a gasolina, os outros
riscam o fósforo |
O
humorístico americano Whose Line Is It Anyway?
exibido pelo canal pago Sony aos sábados à meia-noite
é pautado por uma única regra: o improviso.
Sem ensaio prévio, seus atores têm de criar piadas
a partir das situações determinadas pelo apresentador
do programa, o comediante Drew Carey, ou sugeridas pelo auditório.
Eles são convocados, por exemplo, a inventar esquetes em
torno de um serrote ou de um bichinho de borracha. Outra tarefa
é compor músicas em homenagem a espectadores escolhidos
aleatoriamente na platéia. A certa altura, Carey também
pode pedir para que dois atores travem um diálogo
fajuto em línguas como o alemão ou o chinês,
enquanto uma hilariante tradução simultânea
fica a cargo de um terceiro colega. Surgido em 1998, Whose Line
Is It Anyway? é a versão americana de um programa
inglês, que por sua vez se baseava numa atração
de sucesso do rádio. Assim como o original, o cenário
e os figurinos são para lá de despojados. Mas isso
só realça sua maior qualidade: ser uma vitrine das
habilidades de seus comediantes. Todos no elenco os atores
Wayne Brady, Ryan Stiles e Colin Mochrie, mais um convidado diferente
a cada edição são capazes de cantar,
dançar, sapatear, fazer mímica e o que mais lhes for
pedido.
Para fazer esse tipo de humor, é preciso antes de tudo muito
talento e isso os atores de Whose Line Is It Anyway?
têm de sobra. Mas por trás desse desempenho impressionante
estão também anos a fio de aperfeiçoamento
técnico, em cursos voltados à formação
de comediantes e treinamento prático. É uma realidade
diferente daquela vivida pelos profissionais brasileiros do ramo.
Por aqui, não há ensino de excelência específico
para a profissão de comediante os artistas são
autodidatas, ex-integrantes de trupes circenses ou chegam à
TV depois de passar, simplesmente, pelas oficinas de interpretação
da Rede Globo. Nos Estados Unidos, onde existe a tradição
da "stand-up comedy" um tipo de show humorístico em
que um ator enfrenta sozinho, na base do improviso, platéias
nem sempre amistosas , um comediante tem de aprender múltiplas
habilidades. Tome-se o exemplo de Ryan Stiles. Ele se formou numa
das mais concorridas escolas para comediantes, a Second City, com
sede em Chicago e filiais em várias cidades. Mantido pela
trupe teatral homônima, o curso é puxado: depois de
estudar por um ano, os alunos enfrentam uma espécie de vestibular
para brigar pelo direito de integrar o grupo por uma temporada.
A cada ano, de cerca de 5 000 candidatos, pouco mais de uma dezena
se habilita a se juntar aos experientes humoristas da Second City
e aprender com eles na estrada.
É
com uma formação sólida que um ator adquire
repertório para encarar um programa como Whose Line Is
It Anyway?. Para prender a atenção, os reis da
stand-up comedy costumam disparar uma piada a cada duas frases.
Só com muita técnica é possível fazer
isso de improviso, sem correr o risco de dar branco diante da platéia.
Por oferecer aos atores a chance de mostrar seu talento e seu repertório
técnico, Whose Line Is It Anyway? tornou-se uma vitrine
para artistas consagrados em busca de sua veia humorística
perdida. Sempre que convidados a participar do programa, atores
como Robin Williams e Whoopi Goldberg deixam de lado o que estão
fazendo para voltar às raízes de comediante.
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