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Livros
A
festa de Liz
Quem
é a editora inglesa que adora Parati e até
inventou um festival literário para a cidade
Divulgação
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Liz Calder: ela lançou o megassucesso
Harry
Potter |
Em
trinta anos de carreira, a editora inglesa Liz Calder conquistou
uma reputação notável. "Num meio literário
cheio de futricas como o de Londres, as pessoas a respeitam e também
gostam dela, o que é raro", diz um de seus amigos, o romancista
Julian Barnes. Liz é elogiada por ter um faro impecável.
Salman Rushdie e o próprio Barnes estão entre os escritores
de renome que passaram por suas mãos na estréia. Isso
sem mencionar J.K. Rowling, criadora do bruxinho Harry Potter e
descoberta pela editora Bloomsbury, da qual Liz é fundadora
e sócia. Outra de suas qualidades, costuma-se dizer, é
o cosmopolitismo. Ela adora fazer descobertas no estrangeiro. É
graças ao seu empenho que os ingleses podem ler Machado de
Assis e Rubem Fonseca, entre outros escritores brasileiros. No momento,
contudo, a informação mais importante a respeito da
editora talvez seja esta, fornecida por um outro amigo, o produtor
cultural Peter Florence: "Ela é uma grande anfitriã.
Suas festas são ótimas!". Liz Calder, afinal de contas,
é a figura por trás da primeira Festa Literária
Internacional de Parati (Flip), que começa nesta quinta-feira
na cidade turística do litoral fluminense e vai até
o dia 3 de agosto. O evento pretende ser exatamente aquilo que seu
nome diz: não uma feira de livros no formato tradicional,
mas uma oportunidade para escritores e público se encontrarem
num cenário acolhedor, em atmosfera de celebração.
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Liz, como modelo: "A
profissão me ajudou a aprender português" |
A
ligação de Liz Calder com o Brasil remonta aos anos
60, quando ela morou no país com o primeiro marido e duas
filhas pequenas. Na época, ainda não trabalhava com
literatura e acabou num metiê diferente: o de modelo. "Ser
modelo me ajudou a aprender português. Eram horas e horas
de fofoca com estilistas, costureiras e maquiadores", diz ela, com
humor. Liz se deu bem na profissão. Posou para revistas como
Claudia e fez campanhas publicitárias como a que aparece
nesta página, realizada em 1967 para uma grande joalheria.
No começo dos anos 70, de volta à Inglaterra, ela
começou a construir sua carreira editorial, que culminou
na fundação da Bloomsbury, em 1988. O Brasil continuou
a ser uma escala obrigatória em suas férias. Dez anos
atrás, depois de uma passagem por Parati, ela "caiu de amores"
pelo lugar. Construiu com o atual marido, Louis Baum, uma casa numa
encosta de frente para o mar e, em 1995, começou a acalentar
o plano de fundar na cidade um festival literário.
Existe atualmente mais de uma centena de festivais literários
em cidades pitorescas espalhadas pelo mundo. O mais famoso de todos,
que serve de modelo ao de Parati, é o de Hay-on-Wye, no País
de Gales. Seu criador, Peter Florence, teve a idéia de iniciá-lo
em 1988, depois de ganhar uma bolada numa partida de pôquer
com amigos. No primeiro ano foram vendidos 2.500
ingressos. O evento de 2003 recebeu 93.000
pessoas e movimentou 10 milhões de libras na economia local.
"Não vejo por que Parati não possa chegar a isso",
diz Florence, convidado a ser conselheiro da Flip. Num certo sentido,
a festa já é um sucesso. Além de um time de
primeira linha de autores brasileiros, ela terá os convidados
internacionais Eric Hobsbawm, Hanif Kureishi, Julian Barnes, Don
DeLillo e Daniel Mason. O que faltou foi patrocínio. Foi
preciso correr o chapéu para levantar os cerca de 400.000
gastos na organização. Mas Liz Calder está
determinada a firmar o acontecimento no calendário. "Já
temos planos para cinco anos", conta ela.
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