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Consumo
Tempo
de desconto
O
comércio muda o calendário
e as liquidações agora começam
cada vez mais cedo

Bel
Moherdaui
Fotos Pedro Rubens
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ZOOMP
Vestido de chiffon com tira de chamois de 693 reais
por 312 reais
Sapato
de couro de 297 reais por 208 reais
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IÓDICE
Vestido de jérsei de seda de 348 reais por
148 reais
Sapato
de pêlo com ilhoses de 308 reais por 202 reais
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CORI
Blazer de lã de 679 reais por 407 reais
Calça
de lã canelada de 499 reais por 299 reais
Sapato
de couro de 399 reais por 239 reais
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O inverno,
como alguns talvez ainda se lembrem, começa oficialmente
no dia 21 de junho. Pois, neste ano, antes disso já tinha
loja anunciando o início da "liquidação de
inverno". Na virada de julho, todas as principais marcas estampavam
nas etiquetas descontos de no mínimo 10% e chegando
aos 70% nos casos mais radicais. O fenômeno não é
novo: há já alguns anos os lojistas vêm encurtando
cada vez mais o tempo de permanência nas prateleiras da "nova
coleção" a preço de novidade. As promoções,
que dez anos atrás esperavam agosto chegar para acontecer,
começam agora em plena estação, primeiro incluindo
algumas peças, depois metade do estoque, até, enfim,
abrangerem a loja inteira. O fenômeno é mais evidente
no Sudeste e no Sul, mas também chegou às demais regiões
do país. No Praia de Belas Shopping Center, em Porto Alegre,
cerca de 60% das lojas já estavam com algum tipo de promoção
em julho. Em São Paulo, marcas tão diversas como Alexandre
Herchcovitch, Victor Hugo, Siberian e até a Daslu, o supra-sumo
do luxo, começaram julho com descontos nas araras. As dezesseis
lojas da Cori em três Estados entraram em liquidação
no dia 24 de junho. A Zoomp foi ainda mais precoce: preços
mais baixos desde 19 de junho. Ninguém mais tem vergonha
da palavra liquidação, embora ela possa vir disfarçada
de sale (em inglês) ou, num caso de linguagem muito
figurada registrado em São Paulo, de preços realinhados.
Um
dos motivos citados por fabricantes e comerciantes para a antecipação
das liquidações é o próprio cronograma
de produção e venda das coleções de
verão e de inverno, que agora segue um calendário
mais ou menos homogêneo marcas que antes só
olhavam para o próprio alfinete prestam atenção
ao ritmo do concorrente. "Estamos acertando o cronograma com o que
acontece lá fora, nos profissionalizando. Fazemos as coleções,
vendemos e trocamos mais cedo, como acontece na Europa e nos Estados
Unidos", diz Carlos Miele, estilista e dono da M. Officer. "A virada
de estação já não é determinante
para o início das liquidações. O que pesa mais
é o lançamento das coleções", concorda
Eduardo Falcão, gerente de marketing do Shopping Recife.
"Quando elas acabam de ser apresentadas, nas semanas de moda, as
pessoas já estão querendo comprar o que viram na passarela.
O estoque da loja fica velho e começam as promoções."
Facilita muito a vida dos lojistas o fato de que, seja inverno,
seja verão, toda coleção neste país
tropical tem sempre decote, vestido de alça, minissaia. Esses
produtos entram primeiro na fila do desconto; um casaco de lã,
bem mais caro, fica para o fim.
Fotos Pedro Rubens
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TRITON
Blusa de veludo de 179 reais por 99
reais
Minissaia
jeans de 139 reais por 89 reais
Botas
de couro de 549 reais por 349 reais
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EMPÓRIO
ARMANI
Top de lã com cristais de 1 150 reais por
690 reais
Calça
jeans de 660 reais por 396 reais
Botas
de couro de 2 090 reais por 1 254 reais
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ALEXANDRE
HERCHCOVITCH
Camiseta de malha paeteada com colete de musseline de 759
reais por 379 reais
Saia
de gabardine de 205 reais por 109 reais
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Nessa
mistura de interesses, a Cori, por exemplo, já tem "no fundo
das lojas principais" alguns modelos de primavera-verão mostrados
na São Paulo Fashion Week que normalmente só chegariam
ao consumidor na segunda metade de agosto. "É para quem quer
se antecipar", explica o diretor da marca, Carlos Magno Gibrail.
Gerentes das grifes mais sofisticadas, como ele, garantem que suas
clientes não ligam para promoção querem,
isso sim, as peças mais bacanas o mais rápido possível.
Uma vasta massa de consumidoras discorda. Como as liquidações
acontecem mais cedo, muita gente simplesmente espera chegar a temporada
de remarcações para comprar a roupa cobiçada
desde o lançamento. A diferença no preço compensa
a espera. "Venho para São Paulo três vezes por ano
para fazer compras para minha loja de bijuterias. Procuro coincidir
com o período de liquidações e aproveito para
comprar roupas para mim", confessava, carregada de bolsas, a empresária
Léa Paim, de Aracaju, que circulava pela Rua Oscar Freire,
em São Paulo, num sábado de julho. "Não é
uma neurose, mas atualmente compro bem mais na liquidação.
Dá para achar coisas legais para usar agora", faz coro a
arquiteta Jussara Justo. Junto com a implantação de
calendário e com o novo hábito de consumo, também
antecipam as liquidações dois fatores bem conhecidos
dos lojistas: o inverno quente e o movimento morno. Nos cinco primeiros
meses deste ano, as vendas no varejo caíram 5,57% em relação
ao mesmo período do ano passado, segundo o IBGE. Nos shoppings,
as vendas de maio ficaram 7,85% abaixo do alcançado no ano
passado (perda de 1,57% no ano), segundo pesquisa encomendada pela
Associação Brasileira de Shopping Centers. "As lojas
não venderam e precisam liberar o estoque", simplifica Roberto
Chadad, presidente da Associação Brasileira do Vestuário.
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