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Ministério
São
tantas as emoções...
Palocci
bate o pé nas reformas,
aconselha colegas e ensina ao mercado
que o PT é assim mesmo

Maurício
Lima
Ana Araujo
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O ministro da Fazenda: introduzindo os investidores
nas artimanhas do petismo |
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Rotina do ministro Antonio Palocci, 42 anos, na semana passada:
esteve em contato permanente com o presidente, reuniu-se com cinco
governadores para tratar da reforma tributária e ficou horas
trocando idéias com o deputado Virgílio Guimarães
(PT-MG), encarregado de relatar a proposta tributária. Além
disso, fez três viagens. Esteve em Ribeirão Preto,
no interior de São Paulo, para prestigiar a filiação
do prefeito local ao PT. Assinou convênios com o governo de
Mato Grosso do Sul, em Campo Grande, e participou da reunião
de um conselho da Petrobras, no Rio. Em meio a isso, condenou a
ameaça de greve dos magistrados e defendeu a redução
dos juros em 1,5 ponto porcentual (veja reportagens nas págs.
42 e 82).
Em todos os movimentos, Palocci cumpriu o papel público
de ministro da Fazenda: mensagens ponderadas, palavras sensatas.
O que pouca gente conhece é o papel que Palocci exerce na
intimidade do governo e essa tarefa, quase sempre silenciosa
e mantida longe dos olhos do público, intensificou-se brutalmente
nas últimas semanas.
Nesse
campo, Palocci tem consumido metade de seu tempo para fazer e outra
para desfazer, como um dublê de ministro e bombeiro, apagando
focos de incêndio. Na reforma previdenciária, Palocci
teve horas difíceis, quando o presidente da Câmara,
João Paulo Cunha, começou uma negociação
cujos termos eram tão generosos que, na prática, sepultavam
o projeto. Sua batalha central foi impedir que a aposentadoria integral
fosse estendida aos futuros servidores. Ao saber que tal proposta
estava em pauta, Palocci disparou o alarme: ligou para o ministro
José Dirceu, da Casa Civil, e disse que a reforma estava
morta. Fez gestões junto a Lula e despachou seus próprios
técnicos para vasculhar as contas da Previdência e
municiar-se de números sobre o impacto da concessão.
Ganhou a parada. Na semana passada, depois de se reunir com os governadores
para discutir a reforma tributária, saiu dizendo que as coisas
estavam indo muito bem, mas quem participou do encontro afirma que
o ministro se limitou a repetir três coisas diante dos pedidos
de concessões diversas: "Não, não e não".
Rafael Neddermeyre/AE
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Os
governadores, que debatem a reforma tributária: ouvindo
negativas de Antonio Palocci |
Na
relação com colegas de ministério, Palocci
também tem se destacado. A imprensa política, amante
da fofoca e da intriga, adora enxergar nas conversas entre ministros
sinais de trombadas, brigas e conflitos. Na prática, Palocci
mantém relações amenas com seus colegas, mas
parece empenhado em lhes mostrar o impacto que certas declarações
produzem no mundo econômico. Por exemplo: ao desembarcar em
Portugal, o ministro do Desenvolvimento, Luiz Fernando Furlan, com
a melhor das intenções, anunciou um pacote de ajuda
à indústria automobilística para reduzir o
preço dos veículos. Qual foi o resultado imediato?
A retração das vendas de carros, pois os consumidores
que ouviram a notícia preferiram ficar à espera do
novo automóvel popular. Recentemente, a ministra das Minas
e Energia, Dilma Rousseff, garantiu que o preço da gasolina
cairia e, também com a melhor das intenções,
deixou publicar uma tabela com valores de referência. Resultado?
No dia seguinte, os postos subiram a gasolina em 2% para compensar
eventuais perdas futuras.
Quando
o ministro das Comunicações, Miro Teixeira, resolveu
rebelar-se contra o reajuste das tarifas telefônicas
chegando ao ponto de anunciar que o governo iria à barra
dos tribunais para impedir o aumento , o efeito foi previsível:
espalhou-se a insegurança de que o governo estava inclinado
a descumprir contratos, uma sensação demolidora para
a estabilidade dos negócios. Nessa ocasião, Antonio
Palocci e Miro Teixeira, que se tratam como compadres, tiveram uma
conversa na base do "deixa-disso". Por garantia, Palocci solicitou
a Lula que telefonasse para o ministro das Comunicações
reforçando o pedido de silêncio. Pronto: o assunto
foi devidamente enterrado.
A
postura interna de Palocci explica um fenômeno curioso do
governo Lula. Trata-se de uma equipe um tanto heterogênea,
em que se misturam pragmáticos do capital, reformistas moderados
e utopistas da velha-guarda. No início do governo, cada vez
que essa massa diversa produzia uma bolha nova, o mercado se agitava.
No fim de abril, por exemplo, o senador Aloizio Mercadante, do PT
paulista, disse que a cotação do dólar não
poderia baixar ainda mais, sob pena de prejudicar as exportações.
De imediato, o dólar subiu e rompeu a barreira dos 3 reais,
pois o mercado ficou com a impressão de que o governo poderia
estar planejando uma intervenção no câmbio.
Agora, porém, apesar das bolhas que ainda surgem aqui e ali,
o mercado reage com relativa calma. O dólar continua sob
controle, a inflação não sobe e o risco Brasil
permanece abaixo dos 800 pontos, com os títulos brasileiros
valorizados no exterior. A explicação é que
Palocci tem atuado junto ao mercado e aos investidores como um introdutor
à etiqueta petista. A alguns deles, costuma dizer: "O PT
é assim mesmo, cheio de emoções. Tem mais emoção
que Coca-Cola. Mas, na hora de votar, vota unido". Aparentemente,
o mercado tem entendido que é assim mesmo. Amém.
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