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África
Um
grito de socorro
Liberianos
imploram aos EUA que os salvem
de um ditador cruel e da guerra civil
AP
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| Apelo
a Bush:
corpos diante da embaixada americana |
Como o mundo pode salvar os africanos dos próprios africanos?
Até os anos 80, os conflitos endêmicos na África
podiam ser atribuídos à Guerra Fria, à herança
do colonialismo ou mesmo à cobiça de aproveitadores
ocidentais. Hoje, o pior pecado dos países ricos é
querer distância das mazelas africanas. Pobre e fora do comércio
e da produção mundiais, a maioria da África
nem sequer interessa como mercado consumidor. O que motiva as guerras
locais são rivalidades tribais e a disputa entre caudilhos
pelas riquezas naturais. Na semana passada, aflitos moradores de
Monróvia, a capital da Libéria, empilharam dezoito
corpos em frente ao prédio da Embaixada dos Estados Unidos.
Era uma amostra macabra dos mais de 1 000 civis mortos no fogo cruzado
entre milícias rivais as que defendem o ditador Charles
Taylor e as que o querem fora do poder. O objetivo da demonstração
era convencer os americanos a intervir militarmente e pôr
fim à matança. "Estamos morrendo aqui. Por que os
americanos não vêm nos salvar?", berrava um liberiano
cuja imagem foi captada pela rede de TV inglesa BBC. Na sexta-feira,
o presidente George W. Bush concordou em enviar 2 000 marines, mas
só como força de apoio a um contingente de soldados
nigerianos. Os Estados Unidos derrubaram um ditador no Iraque. Tratava-se
de um país rico em petróleo, numa região central
para os interesses americanos e ainda assim Bush tem dificuldade
em justificar a morte de americanos por lá. É natural
que agora relute em arriscar a vida de soldados num canto obscuro
da África. Mesmo que Taylor seja deposto, resta o problema
de quem pôr em seu lugar. A turma que lhe faz oposição
não é muito melhor nos quesitos crueldade e desonestidade.
Quem pode atender ao pedido de socorro dos liberianos?
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