Edição 1813 . 30 de julho de 2003

Índice
Brasil
Internacional
Geral
Economia e Negócios
Guia
Artes e Espetáculos
Claudio de Moura Castro
Sérgio Abranches
Diogo Mainardi
Roberto Pompeu de Toledo
Carta ao leitor
Entrevista
Cartas
Radar
Holofote
Contexto
Veja essa
Arc
Gente
Datas
VEJA Recomenda
Os livros mais vendidos
 
 

África
Um grito de socorro

Liberianos imploram aos EUA que os salvem
de um ditador cruel e da guerra civil


AP
Apelo a Bush: corpos diante da embaixada americana


Como o mundo pode salvar os africanos dos próprios africanos? Até os anos 80, os conflitos endêmicos na África podiam ser atribuídos à Guerra Fria, à herança do colonialismo ou mesmo à cobiça de aproveitadores ocidentais. Hoje, o pior pecado dos países ricos é querer distância das mazelas africanas. Pobre e fora do comércio e da produção mundiais, a maioria da África nem sequer interessa como mercado consumidor. O que motiva as guerras locais são rivalidades tribais e a disputa entre caudilhos pelas riquezas naturais. Na semana passada, aflitos moradores de Monróvia, a capital da Libéria, empilharam dezoito corpos em frente ao prédio da Embaixada dos Estados Unidos. Era uma amostra macabra dos mais de 1 000 civis mortos no fogo cruzado entre milícias rivais – as que defendem o ditador Charles Taylor e as que o querem fora do poder. O objetivo da demonstração era convencer os americanos a intervir militarmente e pôr fim à matança. "Estamos morrendo aqui. Por que os americanos não vêm nos salvar?", berrava um liberiano cuja imagem foi captada pela rede de TV inglesa BBC. Na sexta-feira, o presidente George W. Bush concordou em enviar 2 000 marines, mas só como força de apoio a um contingente de soldados nigerianos. Os Estados Unidos derrubaram um ditador no Iraque. Tratava-se de um país rico em petróleo, numa região central para os interesses americanos – e ainda assim Bush tem dificuldade em justificar a morte de americanos por lá. É natural que agora relute em arriscar a vida de soldados num canto obscuro da África. Mesmo que Taylor seja deposto, resta o problema de quem pôr em seu lugar. A turma que lhe faz oposição não é muito melhor nos quesitos crueldade e desonestidade. Quem pode atender ao pedido de socorro dos liberianos?

 

 
 
 
 
topo voltar