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Partidos
Eterno
retorno
FHC
dá sinais de que pode, quem sabe,
estar sonhando de novo com a faixa

Maurício
Lima
Alex Silva/AE
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FHC dá sinais de que pode, quem sabe, estar
sonhando de novo com a faixa |
Quem
perguntar ao ex-presidente Fernando Henrique Cardoso se ele tem
alguma intenção, ainda que remota, de voltar à
política, candidatando-se a um terceiro mandato ao Palácio
do Planalto, ouvirá um desmentido peremptório. Mas,
nas últimas semanas, o comportamento do ex-presidente começou
a causar certo alvoroço no meio político. Tudo porque,
depois de um período bastante breve de recolhimento, Fernando
Henrique anda soltando o gogó outra vez. De início,
deu uma entrevista ao site do PSDB dizendo que Luiz Inácio
Lula da Silva não colaborou durante seu governo e que, dessa
maneira, impediu a construção de um Brasil melhor.
Depois, ao jornal argentino La Nación, classificou
o programa Fome Zero, menina dos olhos de Lula, de "demagógico".
Recentemente,
afirmou que seu sucessor "tinha idéias generosas, mas pouca
ação prática", acrescentou que Lula ia "demorar
para notar que pode muito menos do que pensa que pode" e encerrou
dizendo temer que o presidente perca "o ponto do bolo na área
social". Por fim, considerou a última viagem de Lula à
Europa como um "fiasco".
O curioso é que são críticas endereçadas
à figura do presidente Lula, e não comentários
sobre o rumo do governo ou o estilo da administração
petista. A abordagem deixa a inevitável impressão
de que o ex-presidente está convidando o país a fazer
um exercício: comparar seu desempenho pessoal com o de Lula.
Além disso, nas últimas semanas, Fernando Henrique
tem feito questão de receber em almoços e jantares
caravanas de políticos do PFL, do PSDB e nacos do despedaçado
PMDB. Nesses encontros, o ex-presidente procura definir uma linha
de atuação para seu partido e aliados, ora um tanto
desorientados diante do governo petista. Tem dito, por exemplo,
que a aprovação das reformas deve acontecer logo para
destravar a agenda política. Também tem destacado
a importância da união de forças para derrotar
o PT nas próximas eleições municipais e também
em 2006. Sua atuação já promoveu o retorno
de um bom pedaço do PFL ao ninho tucano, consumando um matrimônio
que deve gerar seu primeiro filhote na forma de uma aliança
para a disputa da prefeitura de São Paulo em 2004.
Com suas intervenções, Fernando Henrique está
tentando ajudar o PSDB a encontrar seu discurso de oposição,
tarefa que, até agora, parece hercúlea, considerando
o conteúdo do balanço que os tucanos recentemente
divulgaram sobre o governo petista em que ocupam onze páginas
para acusar o PT de neoliberal. Com a eleição de Lula,
o PSDB entrou em convulsão. Elegeu setenta deputados federais
e hoje tem sessenta. Os governadores tucanos, puxados por Aécio
Neves, de Minas Gerais, andam trocando afagos de simpatia com o
governo federal. Um deles, Cássio Cunha Lima, da Paraíba,
acompanhou Lula na recente viagem à Europa. Até o
senador Tasso Jereissati, tucano do Ceará que saiu meio ferido
na campanha presidencial, passou a dialogar com o governo do PT.
Com isso, o comando paulista do tucanato, eterna vitrine e motor
do partido, estava enfraquecido antes de FHC entrar em cena. Agora,
com suas aparições, e com a ajuda oferecida pelos
tropeços do próprio governo, a divisão tucana
começa a se dissipar. Por que Fernando Henrique está
aos poucos exercitando sua autoridade moral de ex-presidente, o
que acaba por ofuscar estrelas ascendentes do partido, como Aécio
Neves e o governador paulista Geraldo Alckmin? FHC garante que não
é candidato a nada, mas... Mas esses dias disse que morria
de saudade da piscina do Palácio da Alvorada e do helicóptero
presidencial. Hum...
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