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Justiça
Stedile
declara guerra
Diante
de um pôster de Che Guevara,
o chefăo do MST convoca seu "exército"
para "acabar" com os "latifundiários"
Dida Sampaio/AE
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O
manda-chuva João Pedro Stedile durante palestra a assentados:
e
o governo ainda acredita que ele quer terra para plantar
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João
Pedro Stedile, o manda-chuva do Movimento dos Trabalhadores Sem
Terra, inverteu o ditado que diz que uma imagem vale mais que 1.000
palavras. As declarações que Stedile deu na semana
passada traduzem seus propósitos com precisão ainda
maior do que as imagens diárias de invasões de terras,
prédios públicos e privados, terrenos e pedágios
patrocinadas por seus seguidores. Durante palestra feita num acampamento
em Canguçu, a 300 quilômetros ao sul de Porto Alegre,
Stedile se referiu aos sem-terra como "nosso exército", aos
agricultores e pecuaristas como "inimigos" e convocou a audiência
para uma guerra. "A luta camponesa abriga hoje 23 milhões
de pessoas. Do outro lado há 27000 fazendeiros. Essa é
a disputa", afirmou. "Será que 1.000 perdem para um? É
muito difícil. O que nos falta é nos unirmos. Para
cada 1.000 pegaremos um. Não vamos dormir até acabar
com eles", disse. Pela primeira vez se testemunhou o líder
político admitindo que sua intenção não
é conseguir terra para plantar feijão ou milho, mas
"acabar" com uma fatia da sociedade. Stedile não entrou em
detalhes, mas o Dicionário Aurélio informa
que "acabar" é sinônimo de "extinguir", "destruir",
"matar".
Eduardo Nicolau/AE
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O acampamento dos sem-teto no ABC: inspiração
vem do MST |
O
governo federal precisa sair de seu estado de delírio e parar
de tratar o MST como um movimento social. Está cada vez mais
claro que eles integram um movimento baderneiro que prega a violência
e se alimenta de um combustível que mistura os excluídos
no campo e na cidade, o complexo de culpa da elite e da classe média
e a falta de firmeza das autoridades contra as ilegalidades praticadas.
Segundo a lei, a reforma agrária deve ser feita por intermédio
do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária.
Quem quer terra deveria se inscrever no Incra e aguardar um chamado,
que ocorreria quando o órgão comprasse uma propriedade
improdutiva. Se fosse um movimento social de verdade, o MST organizaria
as listas de inscrição e auxiliaria o governo a localizar
terras. Em vez de manter sua agenda sob sigilo, Stedile teria seus
compromissos divulgados diariamente e os políticos fariam
fila para aparecer ao seu lado. Teria o prestígio semelhante
ao de Zilda Arns ou Viviane Senna. Em vez disso, sob seu comando,
os sem-terra patrocinam o caos. Na semana passada, ocuparam usinas
de açúcar no Nordeste, bloquearam uma estrada em Minas
Gerais e invadiram uma área de pesquisa agrícola no
interior de São Paulo. Os cerca de 1 700 animais usados em
vários estudos, muitos deles isolados havia anos, foram misturados.
Robson Ventura/Folha Imagem
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Medo de invasão também nas cidades:
portas cimentadas
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Preocupadas
em não ferir a suscetibilidade dos bravos combatentes do
campo, as autoridades do governo Lula vêm se calando diante
dos abusos. O procurador-geral da República, Cláudio
Fonteles, destaca o que seria o lado positivo dos ataques e defende
a tese de que a invasão de terra, se feita de forma "ordeira
e pacífica", não atenta contra o direito de propriedade.
Tradução possível: invadam, mas com calma!
O presidente do Incra, Marcelo Resende, evita condenar os exageros
e prefere explicar as invasões. "Lula é favorável
à reforma agrária. A mim parece natural o (aumento
do) contingente de famílias acampadas que nós
temos hoje no Brasil", declarou. Nem mesmo o ministro Márcio
Thomaz Bastos, da Justiça, escapou da opção
preferencial pela cegueira temporária. Em entrevista, Bastos
pediu aos sem-terra e também aos proprietários
rurais que evitem a violência. Ora, o confronto tem
sido provocado unicamente pela decisão dos soldados de Stedile
de invadir terra que não lhes pertence. Os produtores rurais
estão apenas defendendo seu patrimônio. A única
voz a levantar-se contra o MST foi a do ministro da Agricultura,
Roberto Rodrigues. Na semana passada, ele divulgou uma nota dura
sobre as declarações de Stedile. "Trata-se de um absurdo
inconcebível, um equívoco brutal e uma ameaçadora
agressão ao estado de direito e à democracia", diz
a nota.
Stedile sugere em suas declarações que no campo brasileiro
ainda vigora a mesma situação do período colonial
e tal defeito só será corrigido por sua ação
libertadora. A idéia é falsa. Num artigo recente,
o agrônomo Francisco Graziano, ex-presidente do Incra no governo
Fernando Henrique Cardoso, mostra que os agricultores brasileiros,
aqueles que no ano passado produziram um superávit de 23
bilhões de dólares nas exportações,
travam uma guerra antiga contra a improdutividade. Mostra ainda
que, nos últimos vinte anos, a safra brasileira mais que
dobrou. Saiu de 41 milhões de toneladas de grãos para
106 milhões. A pecuária nacional triplicou a exportação
e o abastecimento interno. Nesse período, a taxa de ociosidade
das terras brasileiras, o indicador maior de improdutividade, caiu
de 11% para 5%. "Se a guerra dos sem-terra é contra o latifúndio,
as grandes empresas agropastoris devem ser prestigiadas, não
ameaçadas", escreve Graziano. "Afinal, elas trabalham com
elevada produtividade, geram empregos e renda, trazem divisas que
pagam a conta das importações industriais." Aparentemente,
Stedile não liga para argumentos racionais. Ele quer guerra
e acabou.
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