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Diogo
Mainardi
Armas
made in Brazil
"O
submarino nuclear brasileiro começou a ser projetado em 1979.
Temos, até agora, um modelo em miniatura que custou
1 bilhão de
dólares. É o
modelo em miniatura mais caro da história"
Saddam
Hussein foi o maior importador de armas fabricadas no Brasil. Por
isso perdeu todas as guerras em que se meteu. O governo brasileiro
anunciou planos para reativar nossa indústria bélica.
Uma das prioridades é a construção de um submarino
nuclear inteiramente nacional. O ministro da Defesa, José
Viegas Filho, viu um modelo em miniatura desse submarino nuclear
no Centro Tecnológico da Marinha. Conhecido como Chalana,
começou a ser projetado em 1979. Custou, até agora,
cerca de 1 bilhão de dólares. É o modelo em
miniatura mais caro da história. O Centro Tecnológico
da Marinha assegura que, com mais meio bilhão de dólares,
termina de construir o primeiro protótipo em 2025. Se os
americanos levassem 46 anos para desenvolver um armamento, ainda
estariam combatendo a II Guerra Mundial. Em 2025, o submarino nuclear
brasileiro será sucata. Poderemos jogá-lo diretamente
na piscina do ministro da Defesa.
Por falar em sucata, o Brasil tem um acordo para comprar armamentos
de segunda mão dos Estados Unidos por uma fração
do preço original. Em 2001, os americanos nos venderam 91
tanques M60 por 11,7 milhões de dólares, um décimo
de seu valor. Para efeito de comparação, a estatal
Engesa, nos anos 80, investiu 100 milhões de dólares
para projetar o tanque Osório, que nunca saiu da fase
de protótipo. Outra grande aposta da indústria bélica
nacional foi o caça AMX. Fruto de uma colaboração
entre Brasil e Itália, custou 2,5 bilhões de dólares
a cada país. O plano era vender 800 unidades no mundo todo.
Foram vendidas apenas oito, para a Venezuela. O preço total
de cada AMX, incluindo as despesas de desenvolvimento, ficou em
50 milhões de dólares. Os italianos o apelidaram de
F-32, porque custava o dobro de um F-16. A Justiça italiana
abriu inquérito contra o fabricante do AMX por causa de seus
defeitos estruturais. De fato, ele caía sem parar. Em 2002,
depois de mais uma queda, com a morte do piloto, toda a frota italiana
do AMX foi interditada.
O Ministério da Defesa dos Estados Unidos coloca o Brasil
em 12º lugar na lista de países com os maiores gastos
militares. Ficamos entre Coréia do Sul e Israel. Duas nações
em estado de guerra. Deveríamos cortar esses gastos pela
metade. Um jeito simples e rápido de poupar dinheiro é
abolir o serviço militar obrigatório. Outro jeito
é chamar de volta todos os adidos militares lotados no estrangeiro.
Esse negócio de adido militar não dá sorte
para o Brasil. Costa e Silva, Médici e Geisel foram adidos
militares. Melhor suprimir o cargo. A venda da estatal Imbel à
iniciativa privada também poderia render uns trocados. Aliás,
a guerra civil em nossas cidades é um filão que deveria
ser mais bem aproveitado. De olho nesse mercado, a Avibrás
lançou o modelo antidistúrbio do blindado Guará,
feito para subir morros e invadir favelas, dotado de metralhadora
e jato d'água para dispersar manifestantes. É o Brasil
pensando no futuro.
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