Edição 1813 . 30 de julho de 2003

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Diogo Mainardi
Armas made in Brazil

"O submarino nuclear brasileiro começou a ser projetado em 1979. Temos, até agora, um modelo em miniatura que custou 1 bilhão de dólares. É o modelo em miniatura mais caro da história"

Saddam Hussein foi o maior importador de armas fabricadas no Brasil. Por isso perdeu todas as guerras em que se meteu. O governo brasileiro anunciou planos para reativar nossa indústria bélica. Uma das prioridades é a construção de um submarino nuclear inteiramente nacional. O ministro da Defesa, José Viegas Filho, viu um modelo em miniatura desse submarino nuclear no Centro Tecnológico da Marinha. Conhecido como Chalana, começou a ser projetado em 1979. Custou, até agora, cerca de 1 bilhão de dólares. É o modelo em miniatura mais caro da história. O Centro Tecnológico da Marinha assegura que, com mais meio bilhão de dólares, termina de construir o primeiro protótipo em 2025. Se os americanos levassem 46 anos para desenvolver um armamento, ainda estariam combatendo a II Guerra Mundial. Em 2025, o submarino nuclear brasileiro será sucata. Poderemos jogá-lo diretamente na piscina do ministro da Defesa.

Por falar em sucata, o Brasil tem um acordo para comprar armamentos de segunda mão dos Estados Unidos por uma fração do preço original. Em 2001, os americanos nos venderam 91 tanques M60 por 11,7 milhões de dólares, um décimo de seu valor. Para efeito de comparação, a estatal Engesa, nos anos 80, investiu 100 milhões de dólares para projetar o tanque Osório, que nunca saiu da fase de protótipo. Outra grande aposta da indústria bélica nacional foi o caça AMX. Fruto de uma colaboração entre Brasil e Itália, custou 2,5 bilhões de dólares a cada país. O plano era vender 800 unidades no mundo todo. Foram vendidas apenas oito, para a Venezuela. O preço total de cada AMX, incluindo as despesas de desenvolvimento, ficou em 50 milhões de dólares. Os italianos o apelidaram de F-32, porque custava o dobro de um F-16. A Justiça italiana abriu inquérito contra o fabricante do AMX por causa de seus defeitos estruturais. De fato, ele caía sem parar. Em 2002, depois de mais uma queda, com a morte do piloto, toda a frota italiana do AMX foi interditada.

O Ministério da Defesa dos Estados Unidos coloca o Brasil em 12º lugar na lista de países com os maiores gastos militares. Ficamos entre Coréia do Sul e Israel. Duas nações em estado de guerra. Deveríamos cortar esses gastos pela metade. Um jeito simples e rápido de poupar dinheiro é abolir o serviço militar obrigatório. Outro jeito é chamar de volta todos os adidos militares lotados no estrangeiro. Esse negócio de adido militar não dá sorte para o Brasil. Costa e Silva, Médici e Geisel foram adidos militares. Melhor suprimir o cargo. A venda da estatal Imbel à iniciativa privada também poderia render uns trocados. Aliás, a guerra civil em nossas cidades é um filão que deveria ser mais bem aproveitado. De olho nesse mercado, a Avibrás lançou o modelo antidistúrbio do blindado Guará, feito para subir morros e invadir favelas, dotado de metralhadora e jato d'água para dispersar manifestantes. É o Brasil pensando no futuro.

 

 
 
 
 
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