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Edição 2010

30 de maio de 2007
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Não, o Brasil não é
o único país corrupto
do mundo. Mas a nossa corrupção é
a mais gratificante.

O MPB4 AJUDA O DR. SÇOBRAL A COMBATER O MAL

Nesta época, em que todos os instantes são gravados para a eternidade, em que, graças ao celular, o instante, afinal, virou o instantâneo, transcrevemos este diálogo que, há muito tempo, gravamos entre o MPB4 e o nonagenário Dr. Sobral Pinto, grande jurista. Ainda havia juristas em Berlim.

MPB4 – Doutor Sobral, menos mal. Feliz aniversarial! Doutor Sobral, queremos lhe ajudar a combater o Mal. O que é que é, onde é que está, como e que se faz pra combater o Mal?

SOBRAL – (Todo de preto. Guarda-chuva.) O mal, meu rapaz, é Satanás. Na forma de mulher, que faz o que bem quer. Na forma de tecnocrata, que vende pátria barata. O mal, repito, meu rapaz, é Satanás.

MPB4 – Satanás, doutor Sobral, aquele? Aquele mesmo? Aquele antigo? Aquele velho Satanás?

SOBRAL – Satanás não envelhece. É sempre novo. E está em todas! Satanás é como a Petrobras.

MPB4 – (Cochichando) O que é que ele quer dizer com isso?

SOBRAL – Não cochicha aí não, ô Babalaô! Isso não quer dizer nada. É só uma rima, não é uma solução.

MPB4 – O senhor acha mesmo que Satanás ainda funciona – em 1989?

SOBRAL – Satanás, meu rapaz, é imortal. É por isso que precisamos matá-lo. Eu o conheço muito bem – passei estes primeiros noventa anos de minha vida a combatê-lo, a não deixá-lo em paz.

MPB4 – Mas isso não é um paradoxo? O senhor não deixa o diabo em paz; como ele não gosta de paz, o senhor faz o jogo dele.

SOBRAL – É. Isso é o diabo!

MPB4 – E o senhor está certo de que ele anda mesmo por aí?

SOBRAL – Dividido e, ao mesmo tempo, multiplicado. Como Lúcifer, Alemã e Belial, ele dirige essas revistas, tipo Playboy, cheias de mulheres nuas mostrando todas as suas pecinhas de relógio.

MPB4 – Quer dizer que o senhor examina essas fotos com cuidado?

SOBRAL – Tecnicamente! Não tente apanhar-me em falta, meu jovem. Cuidado com sua alma, Rui! Conheço a técnica infiltradora do Mal. Você se confessa?

MPB4 – Sempre que poço.

SOBRAL – Poço?

MPB4 – É, poço. Por quê?

SOBRAL – Nada. Achei estranho, você falar poço com cê-cedilha.

MPB4 – Não! O senhor distingue quando a gente fala poço com cê-cedilha de quando a gente fala posso com dois esses?

SOBRAL – ("Modesto" faz que sim com a cabeça.)

MPB4 – (Percebe-se o desafio.) Posso.

SOBRAL – Agora foi com dois esses.

MPB4 – Poço.

SOBRAL – Com cê-cedilha.

MPB4 – Poço e posso.

SOBRAL – Repete, por favor.

MPB4 – (Malandro) Posso e poço.

SOBRAL – Na primeira vez você disse o primeiro posso com cê-cedilha, o segundo com dois esses. Na segunda vez foi ao contrário.

MPB4 – Espantoso, Dr. Çobral!

SOBRAL – E não diga meu nome com cê-cedilha, pô!

 

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