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Edição 1 702 - 30 de maio de 2001
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Nó no poder

Lei do assédio sexual vai inibir os chefes

Maurício Oliveira


Com a entrada em vigor da lei que prevê até dois anos de prisão para quem cometer assédio sexual dentro das empresas, muitos dom-juans corporativos estão de orelha em pé. Será o fim da paquera nos escritórios? Muito longe disso, acreditam os consultores de recursos humanos. Palavras gentis sempre serão bem-vindas, desde que não criem constrangimento a quem as ouve e, especialmente, que sejam ditas (ou sussurradas) entre pessoas que não têm poder umas sobre as outras. O limite entre o galanteio, que algumas vezes termina em casamento, e o assédio, que pode acabar na delegacia, continua sendo o respeito pela liberdade de escolha dos indivíduos. "A intenção não é proibir nenhum tipo de relacionamento, mas apenas evitar os abusos que acontecem o tempo todo por aí", diz a autora da lei, a deputada federal Iara Bernardi (PT-SP). Vale para os homens, vale para as mulheres. De acordo com o texto, sancionado pelo presidente Fernando Henrique Cardoso em 15 de maio, pode ir para a cadeia quem "constranger alguém com o intuito de obter vantagem ou favorecimento sexual, prevalecendo-se o agente de sua condição de superior hierárquico ou da ascendência inerentes a exercício de emprego, cargo ou função". É um papel que se encaixa, perfeitamente, no chefe que promete promoção a quem cede à cantada ou naquele que persegue quem não a aceita. "Não é difícil imaginar o estrago que uma denúncia desse tipo faria na imagem de um profissional", diz o terapeuta Sergio Savian, autor do livro Paquera, Guia Prático da Conquista.

 
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  Ouça entrevista com o terapeuta Sergio Savian, autor de "Paquera, Guia Prático da Conquista"

 

 
 
   
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