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A vida no limite
Os
conselhos médicos para quem
quer
levar ao extremo a malhação.
Ah,
claro, há riscos para a saúde
Fernanda
Colavitti
Fernando Vivas
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| Academia
de ginástica: esforço físico exagerado
pode
ter efeito negativo para a
saúde |
A prática
regular de atividades físicas sempre traz benefícios à
saúde. Certo? Nem sempre. Com o crescente poder de atração
do esporte e das academias de ginástica, há muita gente
cruzando até mesmo os limites do bom senso. "A obsessão
por exercícios pode ser pior que o sedentarismo", alerta o médico
Nabil Ghorayeb, da Sociedade Brasileira de Cardiologia. O estudante paulista
Gustavo Araújo, de 18 anos, por exemplo, ficou três dias
internado após um ano inteiro treinando em média três
horas diárias. Seu objetivo era participar de um campeonato de
natação em 2000. Ele só pensava em piscina e, às
vésperas da competição, apareceu com dor de garganta,
sinusite e febre. Ao fazer exames, Gustavo constatou que tinha anemia
e princípio de pneumonia, diagnosticados como resultantes da baixa
de resistência do organismo. A arquiteta Marta Klein, de 43 anos,
também de São Paulo, foi fundo no spinning, o ciclismo em
ambientes fechados em que bicicletas ergométricas simulam as condições
dos percursos ao ar livre. Chegou a pedalar até quatro em cinco
dias úteis na semana. Além de dores musculares, começou
a ter problemas gástricos, sentia enjôo e ânsia de
vômito. Após uma avaliação médica, a
arquiteta teve de moderar.
Claudio Rossi
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| Gustavo:
três dias num hospital por excesso de treino |
A definição de excesso de exercícios também
conhecido como overtraining pela turma da malhação
leva em conta a freqüência, a quantidade e a intensidade com
que a atividade é praticada, de acordo com a reumatologista Fernanda
Lima, chefe do novo ambulatório de medicina esportiva do Hospital
das Clínicas, com trabalho pioneiro no país em tratamento
dos distúrbios clínicos associados à prática
esportiva. O limite da capacidade física de uma pessoa varia conforme
as características genéticas, mas estão sob maior
risco aqueles que ultrapassam as duas horas diárias de treino,
particularmente fazendo exercícios de alta intensidade, que exigem
muito do coração. Nesse grupo se incluem os esportistas
que pegam pesado no treinamento de modalidades como corrida, ciclismo,
esteira em alta velocidade, spinning, natação e musculação.
Agora, com base na experiência clínica, esse tipo de problema
de saúde começa a ser verificado entre os atletas recreativos,
uma categoria de dedicação logo abaixo da dos amadores e
profissionais.
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O
médico Turíbio Leite de Barros, especialista em fisiologia
do esporte e professor da Universidade Federal de São Paulo, tem
uma explicação para vários desses distúrbios.
Além de trabalhar no nível físico, o stress causado
pelos exercícios também age no hipotálamo, área
do sistema nervoso central responsável pela produção
de hormônios que controlam as características clínicas
do organismo, como as sensações de fome, sono, humor e as
funções gastrintestinais. O exercício praticado de
maneira inadequada provoca alterações nos hormônios
que desregulam outras funções a eles relacionadas. Na semana
passada, Turíbio consolidou os resultados de um estudo que acabou
de fazer, com 1.700 pessoas, em três
categorias: atletas, indivíduos que praticam exercícios
com moderação e sedentários. Ele utilizou como parâmetro
o consumo máximo de oxigênio (um dos indicadores do envelhecimento,
pois decresce conforme a idade). A constatação foi que houve
velocidade de envelhecimento idêntica entre sedentários e
atletas. Nos indivíduos que praticam exercícios regulares
de maneira moderada, aconteceu uma desaceleração desse processo,
isto é, a marcha de envelhecimento é menor. Para quem pretende
manter-se em sintonia com a saúde, haverá sempre um limite,
de acordo com a médica Fernanda Lima. "A partir de certo nível
de intensidade, não adianta forçar o organismo, pois o exercício
já deu o que tinha de dar", ela recomenda.

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