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Um luxo de lista

Madames fazem fila de espera pelos
últimos lançamentos das grifes da moda

Bel Moherdaui

 
Divulgação

Bolsa de tachas da Fendi (3.215 reais) e a trailer da Dior (1.360 reais): produção limitada pelas grifes
Fotos Marcelo Zocchio

A cada estação, antenadas no que foi mostrado nos desfiles de moda e no que a amiga chiquérrima acaba de trazer da Europa, madames fazem fila nas butiques caras para garantir seu objeto de desejo. Não se trata, obviamente, de fila em pé, sob sol e chuva. Cada nome é anotado em um caderninho, acompanhado de telefone, e quando a remessa chega a cliente é avisada. No momento, vivem em estressante expectativa cinqüenta interessadas na bolsa trailer da Christian Dior, que imita a carroceria de um carro, com placa e pequenos faróis em alguns modelos, minúsculas maçanetas em outros. A primeira remessa, de sessenta bolsas, foi vendida em poucos dias, por até 2.980 reais cada uma. Na loja Fendi do Rio de Janeiro, trinta senhoras aguardam o hit do momento, uma bolsa de tachas que custa entre 2.400 e 3.215 reais. Já as loucas pela botinha Chanel caramelo com biqueira preta (1.240 reais) puderam respirar aliviadas: chegou à butique Daslu, em São Paulo, a primeira remessa, da qual 23 dos 24 pares estavam reservadíssimos.

 
Bota Chanel (1.240 reais), caneta com dragão (8.000 reais) e calça com broches (2.998 reais): corrida

O motivo da multiplicação das filas é a irreprimível vontade, entre as senhoras de posses, de ter e usar a roupa ou o acessório que todas querem, mas poucas vão ter, por obra e graça das próprias grifes – que produzem quantidades limitadas, para garantir exclusividade e preço nas alturas. Escoladas nesse departamento, dez clientes da Daslu, só de vê-lo em fotografias, se inscreveram para comprar o jeans Dolce & Gabbana do momento, aquele manchado, rasgado e arrematado com broches de cristal, ao preço de até 4.998 reais. Deram sorte: a loja recebeu vinte peças. Muito mais acirrada é a disputa na loja paulista da Montblanc, onde a nova edição da caneta Bohème, com um topázio azul no clipe, tem cerca de 300 clientes prontos a desembolsar entre 480 e 830 reais. Haverá, com certeza, um batalhão de desapontados: a loja deve receber só 100 peças. A mais longa espera na Montblanc já dura dois anos e envolve uma caneta de ouro maciço (83.000 reais) que deve chegar até março do ano que vem. Às vezes, não há como atender à demanda – caso da original caneta de porcelana com um dragão laranja, lançada só para o mercado asiático, mas que teve quatro exemplares desembarcados aqui e imediatamente comprados por 8.000 reais cada um. "Há clientes até hoje esperando para ver se alguém no mundo desiste da caneta e revende", conta o diretor presidente da marca no Brasil, Freddy Rabbat.

Nenhum exagero, porém, supera o pega de madames pela linha de bolsas grafitadas da Louis Vuitton (de 650 a 2.200 reais). Já são quase 500 compradoras na fila e a primeira remessa recém-chegada, de cinqüenta peças, não dá nem para o tira-gosto. "Montamos uma operação de guerra, mas é pouco provável que nos mandem mais de 300 bolsas", calcula o diretor da grife no Brasil, Carlos Ferreirinha. A estilista paulista Tania Mortari Magalhães foi rápida e conseguiu seu exemplar logo na primeira leva. "A gente espera nove meses por uma criança, dois anos pela construção de uma casa, o que são dois meses por uma bolsa?", brinca.

   
 
   
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