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Bem
perto do céu
Nepal libera aos alpinistas nove
montanhas, entre
elas o quarto
pico mais alto do mundo
Uma
boa notícia para quem pretende se aventurar nas montanhas mais
altas do mundo: o Nepal liberou para escalada mais nove picos, entre eles
uma face de 8 413 metros do Lhotse, o quarto mais alto do mundo. O menorzinho
é o Thorang, de 5.751 metros, quase o dobro do Pico da Neblina,
o mais alto do Brasil. Encravado entre a Índia e a China, o Nepal
é um país-mito para estrangeiro. Abriga o Everest e Lumbini,
a cidade onde nasceu Buda. Multidões de alpinistas, místicos
e mochileiros se deslumbram com as altitudes nepalescas, com 1.310 cumes
acima de 6.000 metros. As 160 montanhas abertas para escalada são,
de longe, o melhor negócio do país. Com renda per capita
de apenas 220 dólares (menor que a de Angola, com sua interminável
guerra civil), o Nepal recebe 500.000 visitantes e fatura 168 milhões
de dólares com o turismo por ano. "O grande sonho de qualquer alpinista
é chegar ao Nepal", diz Waldemar Niclevicz, o primeiro brasileiro
a conquistar o Everest, em 1995. "Você pode começar em uma
pequena montanha em seu país, mas o Himalaia é o objetivo
de todos nós."
Outros cinqüenta picos serão liberados na próxima temporada,
entre outubro e novembro. "Liberar" significa que o Nepal instalou infra-estrutura
mínima de apoio no início da rota de escalada. Em geral,
não vai além de um destacamento policial, de funcionários
encarregados da venda de permissão de escalada e, muito mais importante,
de alojamentos para os sherpas. Esse grupo étnico de 35.000 pessoas
se especializou no trabalho de carregador para os alpinistas. Alguns chegam
a ganhar 2.000 dólares por temporada, o que faz deles ricaços
se comparados à maioria dos compatriotas. Outros viram heróis
nacionais, como Babu Chiri, de 35 anos, morto no final de abril, ao cair
numa rachadura do Everest. Ele havia chegado ao cume do famoso pico dez
vezes e bateu o recorde de ascensão mais rápida ao topo,
a partir do acampamento-base do último trecho, em dezesseis horas
e 54 minutos (o normal é levar de três a quatro dias).
A permissão para escalar custa de 300 dólares para grupo
de sete pessoas em picos com até 6.000 metros a 70.000 dólares
para o Everest. Uma equipe chega a reunir 300 pessoas e gastar 400.000
dólares nos dois meses de escalada desse pico. Até hoje,
apenas 1 314 pessoas conseguiram chegar ao topo da montanha mais alta
do planeta. Para cada oito alpinistas que atingiram o cume, um morreu,
sob os efeitos da altitude ou tragado pelas tempestades de neve e rajadas
de ventos. Há também expedições para amadores,
mais baratas, chefiadas por um alpinista experiente, que seguem rotas
menos árduas para picos mais acessíveis. Agências
brasileiras oferecem pacotes de 3.500 a 4.000 dólares para vinte
dias de aventura, que mesclam escaladas de até 5.300 metros com
trekking.
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