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Edição 1 702 - 30 de maio de 2001
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Bem perto do céu

Nepal libera aos alpinistas nove
montanhas,
entre elas o quarto
pico mais alto do mundo

Uma boa notícia para quem pretende se aventurar nas montanhas mais altas do mundo: o Nepal liberou para escalada mais nove picos, entre eles uma face de 8 413 metros do Lhotse, o quarto mais alto do mundo. O menorzinho é o Thorang, de 5.751 metros, quase o dobro do Pico da Neblina, o mais alto do Brasil. Encravado entre a Índia e a China, o Nepal é um país-mito para estrangeiro. Abriga o Everest e Lumbini, a cidade onde nasceu Buda. Multidões de alpinistas, místicos e mochileiros se deslumbram com as altitudes nepalescas, com 1.310 cumes acima de 6.000 metros. As 160 montanhas abertas para escalada são, de longe, o melhor negócio do país. Com renda per capita de apenas 220 dólares (menor que a de Angola, com sua interminável guerra civil), o Nepal recebe 500.000 visitantes e fatura 168 milhões de dólares com o turismo por ano. "O grande sonho de qualquer alpinista é chegar ao Nepal", diz Waldemar Niclevicz, o primeiro brasileiro a conquistar o Everest, em 1995. "Você pode começar em uma pequena montanha em seu país, mas o Himalaia é o objetivo de todos nós."

Outros cinqüenta picos serão liberados na próxima temporada, entre outubro e novembro. "Liberar" significa que o Nepal instalou infra-estrutura mínima de apoio no início da rota de escalada. Em geral, não vai além de um destacamento policial, de funcionários encarregados da venda de permissão de escalada e, muito mais importante, de alojamentos para os sherpas. Esse grupo étnico de 35.000 pessoas se especializou no trabalho de carregador para os alpinistas. Alguns chegam a ganhar 2.000 dólares por temporada, o que faz deles ricaços se comparados à maioria dos compatriotas. Outros viram heróis nacionais, como Babu Chiri, de 35 anos, morto no final de abril, ao cair numa rachadura do Everest. Ele havia chegado ao cume do famoso pico dez vezes e bateu o recorde de ascensão mais rápida ao topo, a partir do acampamento-base do último trecho, em dezesseis horas e 54 minutos (o normal é levar de três a quatro dias).

A permissão para escalar custa de 300 dólares para grupo de sete pessoas em picos com até 6.000 metros a 70.000 dólares para o Everest. Uma equipe chega a reunir 300 pessoas e gastar 400.000 dólares nos dois meses de escalada desse pico. Até hoje, apenas 1 314 pessoas conseguiram chegar ao topo da montanha mais alta do planeta. Para cada oito alpinistas que atingiram o cume, um morreu, sob os efeitos da altitude ou tragado pelas tempestades de neve e rajadas de ventos. Há também expedições para amadores, mais baratas, chefiadas por um alpinista experiente, que seguem rotas menos árduas para picos mais acessíveis. Agências brasileiras oferecem pacotes de 3.500 a 4.000 dólares para vinte dias de aventura, que mesclam escaladas de até 5.300 metros com trekking.

   
 

 

 

   
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