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A
mesma regra
dos nazistas
No
Afeganistão, como na era
de Hitler, quem pertence a
minorias tem de usar distintivo
Roger-Viollet
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| Judeus
sob o nazismo: marcados |
O
fanatismo do Taliban, a milícia que controla quase todo o Afeganistão,
não tem limite. Depois de destruírem duas imensas imagens
de Buda monumentos com mais de 1.000 anos e derradeiras preciosidades
históricas de país arrasado pela guerra civil , os
fanáticos inventaram mais uma aberração para preservar
o que chamam de "pureza da fé islâmica". Na semana passada,
editaram uma fatwa decreto religioso que vale como lei civil
que obriga os fiéis de outras religiões a usar uma marca
identificadora para diferenciá-los da maioria muçulmana
da população. Na prática, é uma repetição
dos métodos nazistas, que obrigavam os judeus a usar uma estrela-de-davi
para segregá-los do restante da população alemã.
Como já não restam cristãos ou judeus no Afeganistão,
a determinação atingiu em cheio os pouco mais de 5.000 hinduístas
do país. É possível que outro grupo relativamente
pequeno, os sikhs, fique isento em razão de seus integrantes usarem
um turbante que os torna facilmente identificáveis. O pedaço
de pano amarelo, que deve ser pregado na roupa, serve somente para os
homens. Quanto às mulheres, nada muda. Todas, independentemente
da religião, devem continuar usando o burqa, um pesado manto que
cobre o corpo da cabeça aos pés, escondendo até os
olhos.
A
vergonhosa novidade, como sempre, veio do Ministério da Promoção
das Virtudes e da Supressão dos Vícios, criador das mirabolantes
fatwas. Com cinismo, os caciques do Taliban alegam que a decisão
é uma forma de proteger as minorias da polícia religiosa,
que pune com rigor atos considerados contrários aos dogmas do Corão,
como cortar a barba, brincar de boneca, ouvir música, dançar
ou ver televisão. Essa interpretação única
e primitiva do livro sagrado dos muçulmanos só vem agravando
a situação caótica em que se encontra o Afeganistão,
um país devastado por uma guerra que dura 22 anos. Desde que os
fanáticos tomaram o poder na capital, Cabul, em setembro de 1996,
mais de 3 milhões de afegãos fugiram para o Irã e
o Paquistão. Com uma seca que já dura três anos e
a produção agrícola reduzida a zero, o país
sobrevive graças à ajuda humanitária. Mesmo assim,
a ONU calcula que 1 milhão de pessoas correm o risco de morrer
de fome nos próximos anos. No Afeganistão, fica cada vez
mais difícil distinguir os tempos ruins dos piores ainda.
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