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Edição 1 702 - 30 de maio de 2001
Internacional Afeganistão

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Afeganistão: Taliban obriga minorias a usar distintivo nas roupas
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A mesma regra
dos nazistas

No Afeganistão, como na era
de Hitler, quem pertence a
minorias tem de usar distintivo

Roger-Viollet
Judeus sob o nazismo: marcados

O fanatismo do Taliban, a milícia que controla quase todo o Afeganistão, não tem limite. Depois de destruírem duas imensas imagens de Buda – monumentos com mais de 1.000 anos e derradeiras preciosidades históricas de país arrasado pela guerra civil –, os fanáticos inventaram mais uma aberração para preservar o que chamam de "pureza da fé islâmica". Na semana passada, editaram uma fatwa – decreto religioso que vale como lei civil – que obriga os fiéis de outras religiões a usar uma marca identificadora para diferenciá-los da maioria muçulmana da população. Na prática, é uma repetição dos métodos nazistas, que obrigavam os judeus a usar uma estrela-de-davi para segregá-los do restante da população alemã. Como já não restam cristãos ou judeus no Afeganistão, a determinação atingiu em cheio os pouco mais de 5.000 hinduístas do país. É possível que outro grupo relativamente pequeno, os sikhs, fique isento em razão de seus integrantes usarem um turbante que os torna facilmente identificáveis. O pedaço de pano amarelo, que deve ser pregado na roupa, serve somente para os homens. Quanto às mulheres, nada muda. Todas, independentemente da religião, devem continuar usando o burqa, um pesado manto que cobre o corpo da cabeça aos pés, escondendo até os olhos.


A vergonhosa novidade, como sempre, veio do Ministério da Promoção das Virtudes e da Supressão dos Vícios, criador das mirabolantes fatwas. Com cinismo, os caciques do Taliban alegam que a decisão é uma forma de proteger as minorias da polícia religiosa, que pune com rigor atos considerados contrários aos dogmas do Corão, como cortar a barba, brincar de boneca, ouvir música, dançar ou ver televisão. Essa interpretação única e primitiva do livro sagrado dos muçulmanos só vem agravando a situação caótica em que se encontra o Afeganistão, um país devastado por uma guerra que dura 22 anos. Desde que os fanáticos tomaram o poder na capital, Cabul, em setembro de 1996, mais de 3 milhões de afegãos fugiram para o Irã e o Paquistão. Com uma seca que já dura três anos e a produção agrícola reduzida a zero, o país sobrevive graças à ajuda humanitária. Mesmo assim, a ONU calcula que 1 milhão de pessoas correm o risco de morrer de fome nos próximos anos. No Afeganistão, fica cada vez mais difícil distinguir os tempos ruins dos piores ainda.


 
 
   
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