
estasemana
colunas
seções
arquivoVEJA
Crie
seu grupo

|
|
Ele
está no lucro
Como tudo o que é ruim para
FHC
é bom para ele, Itamar
fatura com a crise de energia
Neide
Oliveira
Faltando
um ano e cinco meses para o primeiro turno das eleições
presidenciais de 1989, Fernando Collor era um político provinciano
das Alagoas travando uma batalha contra as mordomias do serviço
público estadual. Meses depois, na primeira rodada de pesquisas
em que seu nome apareceu, Collor tinha 9% das intenções
de votos, muito atrás de Leonel Brizola e Lula. Um ano e cinco
meses antes das eleições de 1994, Fernando Henrique Cardoso
ocupava o posto de ministro das Relações Exteriores. O sucessor
de Itamar Franco seria adivinha quem? Lula. FHC só apareceu nas
pesquisas quando já ocupava o posto de ministro da Fazenda. Ao
deixar o cargo e entrar na corrida presidencial, Fernando Henrique estava
26 pontos atrás de Lula. Vale dizer: faltando um ano e cinco meses
para a eleição, é possível que o nome do novo
presidente da República não esteja nas listas dos institutos
de opinião. O governador do Rio de Janeiro, Anthony Garotinho,
acredita piamente que esse capricho do calendário se repita na
eleição de 2002. Na semana passada, dizia a amigos que vai
esperar pelo menos até dezembro para anunciar sua candidatura à
sucessão de FHC.
Para
evitar que uma candidatura nova encontre oxigênio suficiente para
prosperar, os nomes já lançados não querem perder
tempo. Um dos mais ativos é o governador mineiro Itamar Franco.
Nos últimos dias, Itamar saiu em visita às capitais cumprindo
uma agenda de encontros com lideranças políticas. Há
apenas dois meses, ele se refiliou ao PMDB e anunciou que iria fazer uma
peregrinação pelo país para defender a necessidade
de o partido ter candidato próprio à Presidência da
República em 2002. Naquele momento, sua declaração
poderia ser compreendida como um factóide. Tudo indicava que seu
partido estava decidido a renovar a aliança com os tucanos. A surpresa
veio no final de semana passado. Na eleição para a presidência
dos dois diretórios mais importantes do partido, em São
Paulo e Minas Gerais, os defensores da tese da candidatura própria
venceram. Os candidatos apoiados por Itamar e pelo ex-governador paulista
Orestes Quércia bateram surpreendentemente as candidaturas apoiadas
pelo ex-presidente da Câmara Michel Temer, o defensor número
1 da aliança com o tucanato.
Na
mesma semana, a estrela do governador brilhou em torno de um tema surpreendente:
o risco de apagão. Ele foi o único político que conseguiu
tirar dividendos eleitorais da crise energética. Com medo de serem
tomados como profetas do apocalipse, Ciro Gomes e Lula se calaram. Suas
críticas poderiam soar oportunistas num momento muito difícil
para a população. Itamar sentiu-se à vontade para
atacar o governo. Primeiro, chamou o presidente para um debate sobre a
crise. Depois, disse que FHC foi "imprevidente". E por fim ameaçou
entrar com uma ação direta de inconstitucionalidade contra
as medidas de racionamento. De quebra, ordenou à Cemig que descumpra
as medidas do pacote antiapagão até que todas sejam avaliadas
pelos tribunais. Itamar sempre se posicionou veementemente contra a privatização
das empresas do setor elétrico. Havia defendido suas idéias
de forma teatral quando mandou a polícia invadir Furnas. Até
ameaçou desviar o curso do rio que abastece a usina caso o governo
federal insistisse em sua privatização. "Nessa hora, o eleitor
avalia por comparação", diz a professora Maria Victoria
Benevides, da cadeira de ciências políticas na Universidade
de São Paulo. Ameaçadas pelo apagão, as pessoas começam
a lembrar de "como era bom nos tempos do Itamar".
As pesquisas vêm revelando que Itamar tem diferenciais importantes
em relação a seus concorrentes situados no lado da oposição.
Em um tipo de pesquisa, os institutos listam nove quesitos que os eleitores
acham desejáveis em um candidato. Cinco são características
pessoais e quatro são atributos políticos. Nas primeiras,
os candidatos praticamente empatam. Honestidade, por exemplo, é
um atributo que os eleitores identificam nos três: Itamar, Lula
e Ciro. É no segundo grupo de atributos que Itamar se distancia
dos concorrentes. No total, ele marca 7 pontos contra 4 de Lula e Ciro.
Para começar, ele é o único que está ocupando
um cargo público importante, dado significativo na opinião
do eleitorado. Além disso, é o único que já
ocupou a Presidência da República, um detalhe importantíssimo.
Segundo as pesquisas, o eleitor tem medo de que Ciro e Lula produzam surpresas,
tais como confiscos de poupança e desapropriações.
Temores dessa natureza não são listados quando se analisa
Itamar. As pessoas acreditam que, se ele quisesse, já poderia ter
produzido surpresas negativas. Os candidatos têm grandes desafios
à frente. As pesquisas mostram que ninguém está disposto
a votar em um candidato apenas porque ele é de oposição.
Será preciso mostrar serviço. Como estão as Minas
Gerais de Itamar? E os governos do PT? É só isso que interessa.
Saber discursar é uma coisa. Ter o que dizer é outra, bem
diferente.
|
O
capital político da oposição
As
fichas listam nove quesitos que influenciam
o eleitor na escolha de seu candidato, segundo os institutos de
pesquisa. São cinco características de cunho pessoal
e quatro políticas todas muito apreciadas. Neste levantamento
qualitativo, Itamar está à frente de Lula e Ciro
Wellington Pedro/divulgação
 |
Frederic Jean
|
Juca Varela/Folha Imagem
 |
|
|
|
 |