
estasemana
colunas
seções
arquivoVEJA
Crie
seu grupo

|
|
Cabeça
cortada
Conflito de interesses
derruba
assessor de ministro
Consuelo
Dieguez
Ana Araujo
 |
| Paulo
Renato: livre de uma situação constrangedora |
O ministro da Educação, Paulo Renato Souza, pôs fim,
na semana passada, a uma situação que vinha deixando o ministério
em situação constrangedora. Demitiu seu chefe de gabinete,
Edson Machado, que ocupava o cargo desde 1995. Não era sem tempo.
Machado, que dentro da hierarquia ministerial era o homem mais próximo
de Paulo Renato, vivia ali uma situação no mínimo
desconfortável: sua mulher, a educadora Eda Machado, recebeu, em
1998, autorização do MEC para abrir o Instituto de Educação
Superior de Brasília (Iesb). Em pouco mais de dois anos, a instituição
transformou-se em uma das gigantes do ensino superior da cidade, com treze
cursos e 4.000 alunos. Eda Machado atribui esse rápido crescimento
a sua enorme eficiência. O que torna essa situação
tão delicada é que, para poder funcionar, todas as instituições
necessitam da aprovação do MEC. A trajetória é
uma só. Os processos com pedido de abertura de cursos são
examinados pelos especialistas do ministério, em seguida são
encaminhados ao Conselho Nacional de Educação (CNE) e, finalmente,
homologados pelo ministro. Como a intervenção do ministério
é obrigatória, é mais que recomendável evitar
que pessoas com alguma influência nesse processo tenham ligações
com os donos de escola. Sem esse cuidado óbvio, sempre vão
pairar dúvidas sobre a lisura do procedimento. A demissão
de Machado, contudo, ocorreu somente após a publicação
por VEJA de duas reportagens que revelaram situações de
evidente conflito de interesses envolvendo integrantes do CNE e também
o chefe de gabinete do ministério.
Machado reagiu à primeira reportagem por meio de uma carta publicada
pela revista. Nela, assegurava não ver nada de mais no fato de
sua mulher ser dona de uma das instituições educacionais
que mais cresceram em Brasília nos últimos dois anos. "Ninguém
pode almejar sucesso para o cônjuge, primo ou cunhado, por mais
competentes que sejam, sob pena de estar praticando crime de favorecimento",
argumentou Machado. "Eda não é uma aventureira, e sim uma
empresária de ensino." Na semana passada, VEJA mostrou que tanto
Edson quanto Eda Machado agiram de forma nebulosa também em outra
situação. Em 1994, quando ela era funcionária da
Secretaria de Ensino Superior do MEC e ele integrante do extinto Conselho
Federal de Educação, deram consultoria privada para a Faculdade
da Cidade, localizada no Rio de Janeiro e de propriedade do empresário
Ronald Levinsohn. Agora, Machado parece ter tomado uma decisão
acertada: vai trabalhar diretamente com a mulher no Iesb e dar consultoria
para faculdades privadas. O ministro Paulo Renato, por sua vez, fará
bem se estender ao Conselho Nacional de Educação a preocupação
em restabelecer os limites entre interesses públicos e privados.

Veja também |
|
|
|
|
|
 |