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Edição 1 702 - 30 de maio de 2001
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Cabeça cortada

Conflito de interesses
derruba assessor de ministro

Consuelo Dieguez


Ana Araujo
Paulo Renato: livre de uma situação constrangedora


O ministro da Educação, Paulo Renato Souza, pôs fim, na semana passada, a uma situação que vinha deixando o ministério em situação constrangedora. Demitiu seu chefe de gabinete, Edson Machado, que ocupava o cargo desde 1995. Não era sem tempo. Machado, que dentro da hierarquia ministerial era o homem mais próximo de Paulo Renato, vivia ali uma situação no mínimo desconfortável: sua mulher, a educadora Eda Machado, recebeu, em 1998, autorização do MEC para abrir o Instituto de Educação Superior de Brasília (Iesb). Em pouco mais de dois anos, a instituição transformou-se em uma das gigantes do ensino superior da cidade, com treze cursos e 4.000 alunos. Eda Machado atribui esse rápido crescimento a sua enorme eficiência. O que torna essa situação tão delicada é que, para poder funcionar, todas as instituições necessitam da aprovação do MEC. A trajetória é uma só. Os processos com pedido de abertura de cursos são examinados pelos especialistas do ministério, em seguida são encaminhados ao Conselho Nacional de Educação (CNE) e, finalmente, homologados pelo ministro. Como a intervenção do ministério é obrigatória, é mais que recomendável evitar que pessoas com alguma influência nesse processo tenham ligações com os donos de escola. Sem esse cuidado óbvio, sempre vão pairar dúvidas sobre a lisura do procedimento. A demissão de Machado, contudo, ocorreu somente após a publicação por VEJA de duas reportagens que revelaram situações de evidente conflito de interesses envolvendo integrantes do CNE e também o chefe de gabinete do ministério.

Machado reagiu à primeira reportagem por meio de uma carta publicada pela revista. Nela, assegurava não ver nada de mais no fato de sua mulher ser dona de uma das instituições educacionais que mais cresceram em Brasília nos últimos dois anos. "Ninguém pode almejar sucesso para o cônjuge, primo ou cunhado, por mais competentes que sejam, sob pena de estar praticando crime de favorecimento", argumentou Machado. "Eda não é uma aventureira, e sim uma empresária de ensino." Na semana passada, VEJA mostrou que tanto Edson quanto Eda Machado agiram de forma nebulosa também em outra situação. Em 1994, quando ela era funcionária da Secretaria de Ensino Superior do MEC e ele integrante do extinto Conselho Federal de Educação, deram consultoria privada para a Faculdade da Cidade, localizada no Rio de Janeiro e de propriedade do empresário Ronald Levinsohn. Agora, Machado parece ter tomado uma decisão acertada: vai trabalhar diretamente com a mulher no Iesb e dar consultoria para faculdades privadas. O ministro Paulo Renato, por sua vez, fará bem se estender ao Conselho Nacional de Educação a preocupação em restabelecer os limites entre interesses públicos e privados.

 
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