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Diogo
Mainardi A imprensa lubrificada
"Dudu
Godoy é sócio da agência que atende a Petrobras. Hamilton
Lacerda recebeu uma chamada do celular de Dudu. O que ele disse a Hamilton?
Propôs um pacote publicitário para a IstoÉ?"
Quando a IstoÉ publicou a entrevista com o chefe dos sanguessugas,
sugeri que ela poderia ser recompensada com anúncios da Petrobras. Ninguém
deu bola para o assunto. Na ocasião, indiquei o nome dos intermediários:
Hamilton Lacerda, assessor de Aloizio Mercadante, e Wilson Santarosa, diretor
de marketing da Petrobras. Agora a CPI dos Sanguessugas revelou que os dois trocaram
dezenas de telefonemas no período de negociação do dossiê
contra os tucanos. A CPI quer saber se o dinheiro para comprar o dossiê
saiu da Petrobras. É perda de tempo. O que a CPI deveria investigar é
se o dinheiro da Petrobras foi usado para comprar a cumplicidade da IstoÉ.
Na última quarta-feira, encontrei mais um
dado comprometedor para a Petrobras. Analisando os telefonemas de Hamilton Lacerda,
em poder da CPI, descobri que ele recebeu uma chamada do celular de Dudu Godoy.
Dudu Godoy é um dos sócios da Quê, a agência de propaganda
que atende a Petrobras e controla a verba publicitária da empresa. O telefonema
de Dudu Godoy para Hamilton Lacerda ocorreu em 5 de setembro, às 15h33.
Dois dias depois, em pleno feriado de 7 de setembro, Hamilton Lacerda foi à
IstoÉ para combinar a entrevista com o chefe dos sanguessugas. Dudu
Godoy fez carreira em Campinas, assim como Wilson Santarosa, que presidiu o sindicato
dos petroleiros local. Em 1998, ele foi um dos marqueteiros da campanha de Lula
à Presidência. A seguir, passou a trabalhar para Marta Suplicy e
Zeca do PT. O que é que Dudu Godoy disse a Hamilton Lacerda? Ele propôs
um pacote publicitário para a IstoÉ?
Um dos articuladores da entrevista com o chefe dos sanguessugas disse que a IstoÉ
foi escolhida para publicá-la porque os petistas "estavam em guerra"
com o resto da imprensa. Quem também está em guerra com o resto
da imprensa é o presidente da Petrobras, José Sergio Gabrielli.
Na semana passada, ele acusou o Globo e a Folha de praticar "jornalismo
marrom". Isso porque os jornais ousaram publicar reportagens mostrando o favorecimento
da estatal a ONGs e empreiteiras ligadas ao PT. O Globo, em editorial,
atacou: "Nunca como no governo Lula a Petrobras foi tão usada como aparelho
partidário e instrumento de propaganda".
O fato é que a Petrobras não favorece apenas ONGs e empreiteiras
ligadas ao PT. Ela favorece também a imprensa caudatária do governo.
De maio a setembro de 2006, segundo o levantamento de Reinaldo Azevedo, a IstoÉ
veiculou 58 páginas de anúncios da Petrobras. Neste ano, pelos dados
do Ibope Monitor, foram 2,6 milhões de reais investidos pela estatal na
IstoÉ. Carta Capital lucrou ainda mais, proporcionalmente
à sua tiragem. Foram 789.000 reais. Na TV aconteceu algo semelhante. A
Bandeirantes, depois de ceder um canal ao filho de Lula, tornou-se a segunda maior
arrecadadora de comerciais da Petrobras, na frente do SBT e da Record, faturando
mais de 20% do total destinado pela empresa às emissoras de TV. Detalhe:
o diretor de marketing da Petrobras, Wilson Santarosa, é também
o presidente do conselho deliberativo da Petros, o fundo de pensão da Petrobras.
Um de seus colegas na diretoria da Petros, Jacó Bittar, é o pai
dos sócios do filho de Lula. O petismo está
em guerra com a imprensa. Esse negócio vai acabar mal. 
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