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DVD
A
Dama de Shanghai (The Lady from Shanghai, Estados
Unidos, 1948, Columbia) Consta dos manuais de cinema que
o genial Orson Welles (1915-1985) só fez esse filme por
um motivo: grana. Enroscado em dívidas, ele convenceu um
produtor da época a lhe dar um bom adiantamento em troca
dessa adaptação de um best-seller policial. Welles,
que vivia o final de seu casamento com Rita Hayworth, também
foi acusado de querer enfear deliberadamente a estrela de Gilda.
Exigiu suprema heresia! que ela cortasse seus
longos cabelos para atuar na fita. Apesar das más intenções
iniciais, por assim dizer, ele realizou um dos maiores clássicos
do cinema noir, com seqüências antológicas como
a do tiroteio na sala de espelhos. O próprio Welles interpreta
Michael O'Hara, aventureiro que arruma emprego no iate de um milionário
casado com uma mulher deslumbrante (Rita Hayworth). A patroa se
insinua para cima dele, mas é uma barca furadésima:
O'Hara acaba entrando de gaiato numa trama de assassinato.
TELEVISÃO
The
West Wing (quartas, às 21h e 1h, e domingos, às
19h e 1h, no canal Warner) A Ala Oeste da Casa Branca,
a sede do poder americano, é o espaço onde o governante
da maior potência do planeta e seus assessores tomam grandes
decisões (depois do escândalo Monica Lewinsky, obviamente,
o lugar ganhou novas conotações). Folhetim sobre
a rotina de um fictício presidente dos Estados Unidos (Martin
Sheen), The West Wing fala de maracutaias no financiamento
de campanhas eleitorais, de intrigas palacianas e de funcionários
do alto escalão às voltas com dilemas morais. O
seriado, que tem temporada inédita estreando no Brasil,
faturou nove premiações na última edição
do Emmy, o Oscar da televisão americana.
LIVROS
Febre
de Bola, de Nick Hornby (tradução de Paulo
Reis; Rocco; 245 páginas; 25 reais) Nos últimos
meses, foram lançados vários livros sobre futebol.
Nenhum deles, contudo, tem um décimo da graça desse
Febre de Bola, primeiro livro do festejado escritor inglês
Nick Hornby. Torcedor fanático do clube londrino Arsenal,
o autor descreve a relação obsessiva que estabeleceu
com o time desde que tinha 11 anos de idade. Assim como fez no
romance Alta Fidelidade, transformado em filme pelo diretor
Stephen Frears e atualmente em cartaz nos cinemas brasileiros,
Hornby narra em tom confessional. Com bom humor e auto-ironia,
estabelece identificação imediata com o leitor.
Além disso, ele consegue fazer do futebol um ótimo
ponto de partida para refletir sobre família, masculinidade
e a passagem para a vida adulta. Hornby, enfim, sabe que o futebol
em si é um assunto sem importância, ao contrário
do que acredita o comentarista Juca Kfouri.
No
Coração do Mar,
de Nathaniel Philbrick (tradução de Rubens Figueiredo;
Companhia das Letras; 384 páginas; 31,50 reais)
Vencedor deste ano do National Book Award, um dos mais importantes
prêmios literários americanos, o livro de Philbrick
narra a tragédia ocorrida com o baleeiro Essex em
1820, que serviu de inspiração para Herman Melville
escrever seu clássico Moby-Dick. No Pacífico,
a 2.000 milhas da costa americana, o navio foi afundado por uma
baleia. Enquanto na obra de Melville o clímax se dá
no enfrentamento do capitão Ahab com o animal, na vida
real a parte mais trágica veio depois. Abandonando a embarcação
em pequenos botes, os vinte homens da tripulação
ficaram com medo de desembarcar na ilha mais próxima, onde
suspeitavam que houvesse canibais. A demora para tentar atingir
a costa da América do Sul fez com que, para sobreviver,
eles mesmos tivessem de virar canibais e comer os que iam
morrendo ao longo da jornada. O relato de Philbrick é impressionante.
DISCO
Neal Preston
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| Marvin
Gaye:
só hits
do soul
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Geração
Soul, vários intérpretes (Universal)
É praticamente impossível reunir o supra-sumo da
soul music americana em um único CD são mais
de quarenta anos de hits monumentais. Esta coletânea, no
entanto, serve como uma excelente introdução ao
gênero. A compilação privilegia os artistas
das duas principais gravadoras de música negra nos Estados
Unidos, a Motown e a Stax. A primeira se caracterizou pela sonoridade
mais pop, de astros do primeiro escalão, como Marvin Gaye
(representado por I Heard It Through the Grapevine), Stevie
Wonder (Uptight) e Michael Jackson (I Want You Back,
dos tempos do Jackson Five). A Stax, por sua vez, trazia um soul
mais cru e gerou gargantas de ouro, como Otis Redding (em Sittin'
on the Dock of the Bay) e Wilson Pickett (In the Midnight
Hour).
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OS
MAIS VENDIDOS
CRÍTICA
Sim,
o livro mais recente do americano John Grisham,
A Confraria (tradução de Aulyde
Soares Rodrigues; Rocco; 360 páginas; 27,50 reais),
traz cenas de tribunal, advogados inescrupulosos, ladrões,
chantagens, ricaços, políticos e conspirações
da CIA. Mas criticar Grisham por fazer livros com esses
ingredientes seria tão pertinente quanto criticar
um fabricante de sopa em lata por fazer sopa em lata. O
fato é que ele ficou famoso e se tornou um dos autores
mais disputados de Hollywood justamente por saber misturar
esses elementos de maneira saborosa. Em A Confraria,
que acaba de chegar ao segundo lugar na lista de mais vendidos
de VEJA, porém, parece que o caldo desandou.
Deborah Feingold
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| O
escritor americano John Grisham: a receita desandou |
O livro traz duas histórias paralelas. Numa delas,
um grupo de três ex-juízes presos por corrupção
começa a extorquir ricaços de meia-idade.
Por meio de anúncios em revistas gays, eles atraem
a vítima e ameaçam denunciar publicamente
suas inclinações. Na outra, o deputado Aaron
Lake, com a ajuda de um diretor da CIA, planeja tornar-se
presidente dos Estados Unidos. No final, naturalmente, as
duas histórias se cruzam. Mas em vez de, como de
hábito, acrescentar ao argumento o recheio de um
ou dois protagonistas fortes, arrematando com um final eletrizante,
Grisham optou por diluir o enredo por vários personagens
sem tempero e deixar o leitor na expectativa de um desfecho
que não se realiza. Se a intenção era
inovar e partir para um caminho mais reflexivo, Grisham
se esqueceu de que, para isso, teria de abandonar completamente
seu livro de receitas.
Flávio
Moura
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