|
|
Estilo
Receita
para ser Gisele
Costanza Pascolato lança livro com
dicas
para quem sonha em ser modelo

Thaís Oyama
Claudio Rossi
 |
| Costanza:
bom humor ajuda na carreira; plástica atrapalha
|
Deve ser mais procurado do que garrafinha de água mineral
em bastidores de desfile de moda. Como Ser uma Modelo de Sucesso
(Editora Jaboticaba, 25 reais), escrito pela empresária
e consultora de moda Costanza Pascolato, em parceria com a jornalista
Milly Lacombe, promete contar tudo aquilo que as meninas que sonham
em ser Gisele Bündchen sempre quiseram saber. Em formato de
bolso, propõe-se a cumprir duas tarefas: desfazer as ilusões
de lindinhas que acreditam ser as lentes das câmeras o portal
para um mundo glorioso, povoado por Leonardos DiCaprio, e mostrar
o que aumenta e o que derruba as chances de rostinhos
bonitos se transformarem em bem remuneradas Vênus das passarelas.
Entre o óbvio ("vida de modelo é mais dura do que
se pensa") e o ululante (o sucesso não chega de jatinho),
a autora, com a experiência de seus 64 anos, se esforça
para aproximar da terra as cabecinhas que se comprazem em permanecer
nas nuvens com afirmações como: "Você é
uma mercadoria, igual a uma calça jeans" ou "Não espere
encontrar profissionais ternos e gentis, prontos para aplaudir de
pé a sua formosura". Dito isso, passa a contar o que de fato
interessa às leitoras: o que fazer para dar certo. Na tarefa,
mistura dicas práticas (veja quadro abaixo) com histórias
ilustrativas vividas por modelos de sucesso: Gisele cansou de ouvir
que seu nariz era grande demais e a hoje top Caroline Ribeiro vagou
de casting em casting durante cinco anos até emplacar o primeiro
contrato, por exemplo.
A intimidade da autora com o assunto não é coisa recém-adquirida.
Quando, nos anos 70, a italiana Costanza Pascolato trabalhava como
produtora de moda, o mercado brasileiro era tão incipiente
que não dispunha de uma única agência de modelos.
"Os fotógrafos tinham de descobrir talentos ao acaso. Eu
mesma vivia procurando meninas bonitas na fila do cinema", lembra.
Hoje, o interesse pela moda é um fenômeno em expansão,
a indústria do vestuário é o segundo maior
empregador do país e a procura pela carreira nas passarelas
é tanta que o último concurso do Riachuelo Mega Model
recebeu 650.000 inscrições. Com o crescimento do setor,
aumentou a exigência de profissionalismo. "Já tive
de mandar parar uma sessão de fotos porque estava todo mundo
muito louco, do fotógrafo à modelo. Hoje, isso dificilmente
ocorreria. Num mercado em que circulam bilhões de dólares,
atitudes assim passaram a ser intoleráveis", diz Costanza.
Donas de personalidades instáveis e hábitos duvidosos,
portanto, não têm mais espaço. "Kate Moss e
Naomi Campbell sobrevivem porque deixaram de ser modelos para se
transformar em personagens", explica, citando duas das mulheres
mais belas e malcomportadas do mundo da moda.
Estrelismo, chiliques e destemperos foram características
da geração das supermodels, estrelas dos anos 80 e
90. Hoje, estão em baixa embora a prática de
trocar os sapatos da colega por um par de número menor, segundos
antes do desfile, ainda persista (diz-se que a inglesa Jacquetta
Wheeler cansou de aplicar a tática contra Gisele). Em alta,
garante a consultora, estão atitude, bom humor e bom caráter.
Não por coincidência, tudo aquilo que ela vê
sobrar em três das mais famosas modelos brasileiras: Gisele
sempre Gisele , Mariana Weickert e Fernanda Tavares.
Inteligência também ajuda, como em qualquer atividade,
embora não seja requisito obrigatório no mundo da
moda, esclarece. No último desfile de Dolce & Gabbana,
o stylist, responsável por "traduzir" o espírito da
coleção, orientou as meninas para que desfilassem
como se fossem uma mistura de Marlene Dietrich (atriz, cantora e
diva) com Courtney Love (atriz, roqueira e armadora de barracos).
"As mais burrinhas não entenderam nada", suspira Costanza.
O corpo é de gazela, a cintura tem praticamente a circunferência
de um prato de sobremesa e o rosto, bem, só falta corrigir
aquele pequeno detalhezinho? Cuidado, aconselha a empresária,
lamentando os indícios de cirurgias plásticas e de
Botox (em meninas praticamente recém-entradas na adolescência!)
detectados na última edição da São Paulo
Fashion Week. Certas coisas deveriam ser intocáveis, acredita,
lembrando o caso de uma modelo em ascensão, ex-namorada de
um ator e empresário (cláusula que praticamente inclui
toda a categoria). "É uma menina que aprendeu a ser até
sofisticada e que tem um rosto muito contemporâneo, mas o
problema é que o seu nariz não pára de diminuir",
afirma. "Na moda, esse tipo de intervenção é
terrível. Você percebe a artificialidade. E tudo o
que é artificial perde valor." Pode até não
ser comprovado pela prática, mas acreditem, meninas, palavra
de Costanza merece ser levada a sério.
| Os
conselhos de Costanza
Dicas
da especialista para as meninas
que só pensam naquilo
Enviar
fotos a uma agência é o primeiro passo.
Bastam duas:
uma de rosto e outra de biquíni. Dispense fotógrafos
profissionais e
superproduções. Quanto mais natural for
o retrato, melhor
Olheiros
profissionais jamais andam sem cartão de visita.
Lembre-se disso quando for abordada por um suposto caça-talentos.
Pode ser um aproveitador
Originalidade
é bom, mas magreza é fundamental. O mercado
estabelece como medidas-padrão mais de 1,70 metro
e 15 quilos a
menos do que a altura (por exemplo: se você mede
1,72, deverá pesar 57 quilos; de preferência,
menos)
Modelo
mal-humorada tem vida curta. "Em moda, do fotógrafo
à produtora, todo mundo vive estressado", diz
Costanza. "Uma modelo que destrói um bom clima
ou piora aquele que já está ruim certamente
não será lembrada num segundo trabalho"
Profissional
é aquela que sabe lidar com a rejeição.
Significa não fazer bico,
não cruzar os braços nem fazer cara de
ofendida quando alguém a reprovar
em um teste
Estilo
também conta. "Ser modelo é aceitar o
título de ícone da elegância",
escreve a empresária. "Portanto, cuide da sua
imagem sempre. Se
você se destacar por saber se vestir, vai se valorizar"
|
|
|