Edição 1826 . 29 de outubro de 2003

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Educação
Parece clube.
É faculdade

Universidades americanas investem
em conforto e lazer para seus alunos


Paulo Cunha

 
Divulgação
Universidade de Washington: hidromassagem gigante


DA INTERNET
Universidade de Houston
Universidade Estadual de Washington
Universidade Indiana da Pensilvânia
Universidade Estadual de Ohio
Universidade do Mississipi

Os Estados Unidos têm 2.364 universidades e 15 milhões de alunos no 3º grau. No topo do ranking está uma dezena de escolas de reconhecida excelência acadêmica e tradição, como Harvard e Yale, que reúnem perto de 200 000 alunos e cobram anuidades em torno de 30 000 dólares. Seguem-se centenas de instituições que, embora não pertençam ao primeiríssimo time, também merecem respeito. É exatamente nesse cenário que a disputa por alunos é travada palmo a palmo. Com qualidade acadêmica e preços (entre 10 000 e 15 000 dólares) similares, muitas estão tentando se diferenciar com investimentos em conforto e lazer dignos de um resort. A Universidade de Houston, no Estado do Texas, gastou 53 milhões de dólares em seu "centro de bem-estar", inaugurado neste ano. A maior atração é uma parede para escalada, com altura equivalente à de cinco andares. A Universidade Estadual de Washington tem agora a maior banheira de hidromassagem da Costa Oeste dos Estados Unidos, para cinqüenta pessoas. Na Universidade Indiana da Pensilvânia, os alunos podem relaxar treinando golfe num dos 52 simuladores disponíveis, que reproduzem paisagens dos mais famosos campos do mundo.

Uma pesquisa recente realizada entre candidatos a universidades americanas mostrou que os alunos viraram consumidores exigentes e fazem questão de tais amenidades. Como pagam caro pelo curso, querem o melhor que podem ter, tanto em termos acadêmicos quanto em relação às comodidades e aos serviços oferecidos pelo campus. "Nós valorizamos a qualidade de vida do aluno", disse a VEJA Kathy Anzivino, diretora de recreação da Universidade de Houston. A mera existência de um cargo como esse numa faculdade já mostra que a moda veio para ficar. Nessa escola, por ser pública, foi necessário realizar um plebiscito interno. A maioria dos 5.000 alunos votou pela obra. Para financiar todo esse investimento, as universidades estão contraindo empréstimos como nunca fizeram. De acordo com a Moody's, uma empresa que presta serviços a investidores, as escolas despejaram 12 bilhões de dólares em obras só nos primeiros nove meses de 2003 – um aumento de 22% em relação ao ano passado e quase três vezes mais do que em 2000. Há ainda inúmeros projetos em fase de construção. A Universidade do Estado de Ohio gastará 140 milhões de dólares para tornar seu campus mais atraente. A Universidade do Mississippi vai contra-atacar com um parque aquático, com quedas-d'água e rios artificiais.

 
 
 
 
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