Edição 1826 . 29 de outubro de 2003

Índice
Brasil
Internacional
Geral
Economia e Negócios
Guia
Artes e Espetáculos
Stephen Kanitz
Gustavo Franco
Diogo Mainardi
Roberto Pompeu de Toledo
Carta ao leitor
Entrevista
Cartas
Radar
Holofote
Contexto
VEJA on-line
Veja essa
Gente
Datas
VEJA Recomenda
Literatura brasileira
Os livros mais vendidos
 
 

Aviação
Boeing com jeito de Airbus

Com as vendas em baixa,
fabricante americano lança
avião com tecnologia da rival


Galeria de imagens

A Boeing ainda é a maior fabricante mundial de aviões – mas as coisas já foram melhores para a companhia americana. Há quatro anos, seus gigantescos galpões no norte dos Estados Unidos produziam dezesseis aparelhos por mês. Hoje, são apenas três. Naquela época, sete em cada dez aparelhos comerciais tinham sua marca. Agora, são cinco em dez. Desde os atentados terroristas de 11 de setembro de 2001, quando a aviação comercial entrou em crise e fez desabar as encomendas de novos aviões, a empresa já demitiu 35.000 de seus 93.000 empregados. Apesar de continuar rentável (lucro de 2 bilhões de dólares sobre um faturamento de 28 bilhões em 2002), o futuro não é promissor: ela só recebeu encomendas no valor de 10 bilhões de dólares neste ano, contra 26 bilhões de dólares da principal concorrente, o consórcio europeu Airbus. Para piorar, este será possivelmente o primeiro ano em que a companhia européia vai entregar um número de aparelhos maior que a americana. A solução encontrada pela Boeing para sair desse enrosco foi se espelhar no sucesso da rival.

O próximo avião a sair da linha de montagem da empresa, chamado de 7E7, tem mais em comum com o A330-200 da Airbus, lançado em 1998, do que com seus coirmãos da família 700. Ambos são aparelhos de tamanho médio, que acomodam 200 passageiros, e têm autonomia para vôos longos, acima de 12.000 quilômetros de distância. São perfeitos para viagens sem escala em roteiros cujo volume de passageiros não é capaz de lotar um Jumbo (416 passageiros) ou o enorme Airbus A380 (555 passageiros), que entrará em operação em 2006. A maior novidade do 7E7, que deve voar em 2008 e substituir o velhinho 767, não está no perfil curvilíneo ou no recorte inesperado das asas e da cauda. Está no material empregado e no sistema de montagem. Em lugar do alumínio habitual, serão empregados componentes plásticos e fibras de carbono na fuselagem, materiais mais leves, que a Airbus introduziu em seus aviões em 1985. Em vez de produzir tudo na própria fábrica, como é de sua tradição, a Boeing vai receber pedaços prontos de seus fornecedores, como faz a Airbus. Alguns desses componentes, como as asas, são tão grandes que três 747 foram modificados para poder transportá-los. O novo sistema deve reduzir o tempo de produção do avião de quinze para apenas três dias. A Boeing fabrica cinco modelos atualmente, mas praticamente só dois encontram compradores – o 777, para longas distâncias e 350 passageiros, e o 737, para trajetos curtos e 150 passageiros. O 7E7 será o salvador da Boeing?


Fotos divulgação Boeing


 
 
 
 
topo voltar