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Aviação
Boeing
com jeito de Airbus
Com
as vendas em baixa,
fabricante americano lança
avião com tecnologia da rival
A Boeing
ainda é a maior fabricante mundial de aviões
mas as coisas já foram melhores para a companhia americana.
Há quatro anos, seus gigantescos galpões no norte
dos Estados Unidos produziam dezesseis aparelhos por mês.
Hoje, são apenas três. Naquela época, sete em
cada dez aparelhos comerciais tinham sua marca. Agora, são
cinco em dez. Desde os atentados terroristas de 11 de setembro de
2001, quando a aviação comercial entrou em crise e
fez desabar as encomendas de novos aviões, a empresa já
demitiu 35.000 de seus 93.000
empregados. Apesar de continuar rentável (lucro de 2 bilhões
de dólares sobre um faturamento de 28 bilhões em 2002),
o futuro não é promissor: ela só recebeu encomendas
no valor de 10 bilhões de dólares neste ano, contra
26 bilhões de dólares da principal concorrente, o
consórcio europeu Airbus. Para piorar, este será possivelmente
o primeiro ano em que a companhia européia vai entregar um
número de aparelhos maior que a americana. A solução
encontrada pela Boeing para sair desse enrosco foi se espelhar no
sucesso da rival.
O
próximo avião a sair da linha de montagem da empresa,
chamado de 7E7, tem mais em comum com o A330-200 da Airbus, lançado
em 1998, do que com seus coirmãos da família 700.
Ambos são aparelhos de tamanho médio, que acomodam
200 passageiros, e têm autonomia para vôos longos, acima
de 12.000 quilômetros de distância.
São perfeitos para viagens sem escala em roteiros cujo volume
de passageiros não é capaz de lotar um Jumbo (416
passageiros) ou o enorme Airbus A380 (555 passageiros), que entrará
em operação em 2006. A maior novidade do 7E7, que
deve voar em 2008 e substituir o velhinho 767, não está
no perfil curvilíneo ou no recorte inesperado das asas e
da cauda. Está no material empregado e no sistema de montagem.
Em lugar do alumínio habitual, serão empregados componentes
plásticos e fibras de carbono na fuselagem, materiais mais
leves, que a Airbus introduziu em seus aviões em 1985. Em
vez de produzir tudo na própria fábrica, como é
de sua tradição, a Boeing vai receber pedaços
prontos de seus fornecedores, como faz a Airbus. Alguns desses componentes,
como as asas, são tão grandes que três 747 foram
modificados para poder transportá-los. O novo sistema deve
reduzir o tempo de produção do avião de quinze
para apenas três dias. A Boeing fabrica cinco modelos atualmente,
mas praticamente só dois encontram compradores o 777,
para longas distâncias e 350 passageiros, e o 737, para trajetos
curtos e 150 passageiros. O 7E7 será o salvador da Boeing?
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