Edição 1826 . 29 de outubro de 2003

Índice
Brasil
Internacional
Geral
Economia e Negócios
Guia
Artes e Espetáculos
Stephen Kanitz
Gustavo Franco
Diogo Mainardi
Roberto Pompeu de Toledo
Carta ao leitor
Entrevista
Cartas
Radar
Holofote
Contexto
VEJA on-line
Veja essa
Gente
Datas
VEJA Recomenda
Literatura brasileira
Os livros mais vendidos
 
 

Saúde
A nova arma contra
ossos fracos

Chega ao Brasil droga contra a
osteoporose capaz de reconstituir
parcialmente o tecido ósseo


Paula Neiva


VEJA Saúde

Na próxima semana, chega ao Brasil o primeiro de uma nova classe de medicamentos contra a osteoporose. Desenvolvido pelo laboratório Eli Lilly, o Fortéo é o único remédio capaz de estimular a formação de massa óssea. Até agora, o arsenal disponível para o tratamento do mal dos ossos fracos contava apenas com drogas que diminuem o ritmo de destruição óssea. Chamadas de anti-reabsortivas, essas substâncias não conseguem reconstruir a anatomia interna do osso. Por isso, não são indicadas para pacientes em estágios avançados da doença. O Fortéo tem esse poder. Dessa forma, revelou-se extremamente eficaz no combate a uma das conseqüências mais perigosas da osteoporose, especialmente entre os doentes mais graves. Um estudo publicado no The New England Journal of Medicine, uma das revistas científicas mais importantes do mundo, mostrou que, depois de quase dois anos de tratamento, o remédio reduziu em até 90% os riscos de fraturas severas da coluna vertebral. "Ao que tudo indica, os medicamentos mais antigos não oferecem um grau de proteção tão alto para pacientes em fases muito avançadas da osteoporose", diz o médico Luiz Henrique de Gregório, presidente da Sociedade de Endocrinologia e Metabologia do Rio de Janeiro. Calcula-se que o Fortéo deva beneficiar cerca de 15% do total de vítimas de osteoporose. Há no Brasil 5,5 milhões de doentes (veja quadro). Aplicados os 15%, estima-se que 825 000 pessoas possam se valer do remédio.

O osso é um tecido em constante transformação. Desde a infância, o organismo troca tecido ósseo velho por novo. Num organismo sadio, as células de construção do esqueleto trabalham em sintonia com as de destruição. Com o avançar da idade, é natural que as construtoras reduzam seu ritmo de trabalho. Na osteoporose, elas ficam ainda mais lentas, enquanto as células de corrosão funcionam a pleno vapor. Resultado: ossos fracos como gravetos.

"Exames indicam que o Fortéo consegue triplicar a ação das células construtoras de osso", afirma a endocrinologista Marcia Kayath, gerente médica do laboratório Eli Lilly. É um avanço e tanto. O problema está no custo e na forma de administração do novo produto. Diferentemente dos remédios tradicionais, disponíveis em comprimidos, o Fortéo só funciona como injeção. Além disso, 28 dias de tratamento com Fortéo devem custar entre 1.700 e 2.300 reais. Com os outros, os gastos não passam de 150 reais.

 
 
 
 
topo voltar