|
|
Gastronomia
Sabor
em todas as direções
Chefs
bem formados e clientes exigentes
ampliam as fronteiras da boa comida
Tadeu Lubambo
 |
| O
Camamo Beijupirá, no litoral do Rio Grande do Norte: só oito
clientes por noite |
Tibau
do Sul, no litoral do Rio Grande do Norte, tem apenas 7.500
habitantes e abriga há oito meses um restaurante premiado
com duas estrelas no Guia Quatro Rodas Brasil, o mais completo
roteiro de gastronomia do país, publicado pela Editora Abril,
que também edita VEJA. No Camamo Beijupirá,
o chef pernambucano Tadeu Lubambo recebe somente oito comensais
por noite com pratos que surpreendem por combinar manga com camarão
e arroz com castanha de caju. Como o Beijupirá, outras 23
casas que conquistaram estrelas na última edição
estão fora do eixo RioSão Paulo. Trata-se do
melhor período de um fenômeno iniciado nos anos 90,
quando bons chefs e boa informação culinária
começaram a migrar dos centros tradicionais para novas fronteiras
culinárias. "Ainda não chegamos ao nível de
países que contam com excelentes mesas em qualquer cidadezinha,
mas já temos casas respeitáveis em muitos lugares",
diz o crítico gastronômico Arnaldo Lorençato.
Em
Porto Alegre, o restaurante Chez Philippe, duas vezes eleito o melhor
da cidade pelo júri do guia VEJA Porto Alegre, é
comandado por um chef Philippe Remondeau que trabalhou
na Inglaterra, na França e em São Paulo. No Recife,
o chef Hugo Provout, de 25 anos, exercita no restaurante Mingus
a culinária contemporânea na qual se iniciou no renomado
Emiliano, da capital paulista. Celso Freire, cujo Boulevard é
pentacampeão em Curitiba, comandou a cozinha da embaixada
brasileira em Londres até optar pela abertura de um local
premiado pela Wine Spectator, a bíblia do vinho.
Deve-se
essa ampliação da qualidade à abertura do mercado
brasileiro, que facilitou encontrar ingredientes, e também
à sofisticação da clientela. As melhores casas
de comida regional, por seu lado, adotaram um processo de suavização
que não compromete a autenticidade. É assim com o
premiado Xapuri, de Belo Horizonte, seis vezes campeão em
sua categoria, com o Cantinho do Faustino, de Fortaleza, e com o
surpreendente Paraíso Tropical, de Salvador, que faz moquecas
trocando ingredientes pesados por lascas de coco, ervas frescas
e pedaços de palmito. E mais qualidade vem por aí.
Levas de recém-formados em cursos de alto nível começam
a disputar empregos nas cozinhas e salários que oscilam entre
1.000 e 10.000
reais por mês. Quando eles são bem pagos, os clientes
são bem servidos.
Boas
surpresas para qualquer paladar
Fernando Vivas
 |
Mauro Holanda
 |
| Paraíso
Tropical, de Salvador: calapolvo, com temperos
leves |
Cantinho
do Faustino, de Fortaleza: moqueca de arraia,
uma opção regional |
Nelio Rodrigues/Ag.
Primeiro Plano
 |
Xapuri,
de Belo Horizonte: costelinha da sinhá, com
mandioca e abacaxi |
|
|
|