Edição 1826 . 29 de outubro de 2003

Índice
Brasil
Internacional
Geral
Economia e Negócios
Guia
Artes e Espetáculos
Stephen Kanitz
Gustavo Franco
Diogo Mainardi
Roberto Pompeu de Toledo
Carta ao leitor
Entrevista
Cartas
Radar
Holofote
Contexto
VEJA on-line
Veja essa
Gente
Datas
VEJA Recomenda
Literatura brasileira
Os livros mais vendidos
 
 

Terrorismo
Mais um crime

Organizador dos ataques
de 11 de setembro
é suspeito
de degolar jornalista americano

 
Fotos AFP
Mohammed: terrorista está sendo interrogado pela CIA


Em Profundidade: Terror internacional

Khalid Shaikh Mohammed é considerado o autor intelectual do ataque terrorista às torres gêmeas do World Trade Center, em 11 de setembro de 2001. Agora ele tem outra atrocidade para incluir em seu currículo. O serviço secreto dos Estados Unidos está convicto de que Mohammed cortou pessoalmente a garganta do jornalista Daniel Pearl, seqüestrado no Paquistão em janeiro do ano passado. Correspondente do The Wall Street Journal na Ásia, Pearl fazia uma reportagem sobre o fundamentalismo islâmico quando desapareceu em Karachi. Seu assassinato foi comunicado de modo especialmente bárbaro: os terroristas distribuíram uma fita de vídeo com o registro de sua execução e decapitação. Foi feito de tal forma que não se vê o rosto do assassino, só suas mãos passando a faca no pescoço do jornalista. Capturado em março no Paquistão, Mohammed está preso em local não divulgado nos Estados Unidos, onde é constantemente interrogado. É possível que ele tenha confessado o crime exatamente num desses interrogatórios. Como se trata de um caso de terrorismo, seu processo judicial é secreto.


Daniel Pearl no cativeiro: seqüestro e morte brutal

Até a nova revelação, o principal suspeito do bárbaro crime era Ahmed Omar Saeed Sheikh, nascido na Inglaterra numa família paquistanesa, condenado à morte no Paquistão, em julho. Mohammed é um peixe muito maior que Sheikh. Ele era o chefe de operações da Al Qaeda e trabalhava diretamente com o chefão terrorista Osama bin Laden. Segundo a investigação feita pela polícia paquistanesa, o jornalista foi morto por membros de uma organização fundamentalista islâmica que mantinha vínculos com Osama. O envolvimento direto da Al Qaeda é uma novidade. Khalid Shaikh Mohammed é mistério. De origem paquistanesa, ele é cidadão do Kuwait. Foi estudante nos Estados Unidos nos anos 80 – e os colegas americanos lembram-se dele como um jovem afável e acham difícil acreditar que tenha se transformado num dos mais perigosos terroristas da atualidade A pesquisadora americana Laurie Mylroie, autora de um livro recente sobre o esforço da CIA para acabar com o terrorismo, vai mais longe: especula que talvez ele nem sequer exista. Ela acredita que o homem preso nos Estados Unidos não seja realmente Khalid Shaikh, mas um agente iraquiano enviado por Saddam Hussein para dirigir a Al Qaeda. Nessa especulação, ele usaria os documentos de Mohammed capturados pelos iraquianos durante a ocupação do Kuwait, nos anos 90. Será possível?

 
 
 
 
topo voltar