Edição 1826 . 29 de outubro de 2003

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Inglaterra
A premonição de Diana

Carta guardada por mordomo mostra
que a princesa temia complô
para
envolvê-la em acidente de carro



Fotos AP
A princesa Diana e o confidente Burrell: suspeitas em carta guardada pelo mordomo
Em Dia: as investigações sobre o acidente que matou Diana
DOS ARQUIVOS DE VEJA
A princesa do povo (10/9/1997)
Baixaria na corte (26/10/1994)
A coroa trincada (16/121992)
O casamento do príncipe (5/8/1981)


As circunstâncias da morte da princesa Diana, num acidente de carro em Paris, há seis anos, têm os ingredientes necessários para alimentar teorias conspiratórias. Divorciada do príncipe Charles e às turras com a família real inglesa, Diana mantinha na época um namoro com o playboy egípcio Dodi Fayed, que, além de filho de um desafeto da realeza, representava o risco potencial de a mãe do herdeiro do trono (e, nessa condição, futuro chefe da Igreja Anglicana) vir a se casar com um muçulmano. Quem gosta de especular sobre o complô não poderia ter recebido melhor reforço para as suspeitas: a própria Diana temia ser vítima de um acidente de carro forjado pelo serviço secreto inglês. Numa carta escrita em 1996, dez meses antes de morrer num desastre de carro num túnel de Paris, a princesa previu um plano maligno para assassiná-la. Falava em um acidente de carro, provocado por falha nos freios, que a deixaria com "ferimentos graves na cabeça". O objetivo? Diana acreditava que seria tirá-la do caminho de Charles para que ele pudesse se casar com a amante, Camilla Parker-Bowles. A princesa morreu num Mercedes-Benz em que viajava com Fayed, o motorista e um guarda-costas.

A carta só foi divulgada na semana passada. Estava em poder de Paul Burrell, mordomo de Diana por dez anos. Nesse período, o serviçal não apenas se transformou em confidente. Também foi cúmplice da princesa ao acobertar seus namoros secretos. Agora, está fazendo fortuna com os segredos da alcova real. Burrell incluiu a carta num livro de memórias, A Royal Duty ("Um Dever Real", numa tradução livre), que será lançado nesta semana. O tablóide sensacionalista inglês Daily Mirror pagou 2,4 milhões de reais pelo direito de antecipar trechos do livro em forma seriada. Diana escreveu a carta de próprio punho, num papel com sua logomarca, e colocou o nome do mordomo no envelope. "Quero que você a guarde, para qualquer eventualidade", disse ela, segundo relato de Burrell. Diana identifica quem estaria por trás do complô – nome que Burrell achou melhor omitir para evitar um processo judicial. A imprensa inglesa afirma ser um agente do serviço secreto ligado à família real.

Os destroços do carro: a perícia disse que foi só uma fatalidade

Será possível que Diana tenha sido vítima da conspiração assassina que ela só contou ao mordomo? A investigação oficial francesa descartou a possibilidade de atentado e concluiu que a culpa foi do motorista. Ele dirigia em alta velocidade, estava bêbado e sob o efeito de tranqüilizantes na hora do acidente, ao qual apenas o guarda-costas sobreviveu. Ou seja, foi uma fatalidade. Mesmo porque seria difícil planejar um acidente com um batalhão de fotógrafos como testemunha. Guarda-costas da princesa durante vários anos, o inglês Ken Wharfe acha que a carta não deve ser levada a sério. "Diana era paranóica com complôs inexistentes. Via conspirações em todo lugar", disse ao jornal Guardian. "Burrell era um bajulador, que nunca diria a verdade a ela." Num trecho do livro, o mordomo admite ter ajudado a princesa a procurar microfones escondidos sob o tapete e nos armários do Palácio de Highgrove.

Há dois anos, Burrell chegou a ser preso sob a acusação de haver roubado objetos pessoais da princesa após sua morte. Só foi inocentado depois que a rainha Elizabeth II, de maneira inesperada, o defendeu. Na época, surgiram rumores de que ele tinha em seu poder uma fita de vídeo gravada por Diana que comprometia um assessor de Charles, acusado de violentar outro funcionário da família real. O mordomo realmente sabe demais sobre os bastidores da realeza. Ele diz que antes de a separação de Charles e Diana ser oficializada, em 1992, o casal já recebia seus amantes no Palácio de Highgrove. Charles se encontrava com Camilla; e Diana, com o major James Hewitt. Burrell conta que, após o divórcio, a princesa recebeu nove propostas de casamento. Mas desmente que ela estivesse grávida de Fayed e também que pretendia se casar com ele – sua maior paixão, garante o mordomo, era o cirurgião paquistanês Hasnat Khan, um amante que a desprezou.

 
 
 
 
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