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Ministério
Devo,
não nego e devolvo
quando for pilhado
Autoridade
restitui dinheiro de
viagem aos cofres públicos. Não,
não é Benedita. É Agnelo Queiroz
Fabio Motta/AE
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Agnelo
Queiroz, do Esporte: reembolso
de 5400 reais |
O ministro
Agnelo Queiroz, do Esporte, devolveu 5.400
reais aos cofres públicos na semana passada. O dinheiro restituído
corresponde ao que o ministro gastou em diárias quando esteve
em Santo Domingo, prestigiando a equipe brasileira que disputava
os Jogos Pan-Americanos, em agosto passado. Dias antes, divulgou-se
que a hospedagem do ministro fora paga pelo Comitê Olímpico
Brasileiro (COB). De modo que, se não fizesse a devolução,
o ministro estaria, na verdade, faturando uma graninha por fora.
"Só agora tomei ciência disso", explicou Agnelo, ao
referir-se ao pagamento de sua hospedagem pelo COB. Distraído,
hein? Logo ele que, no governo anterior, se celebrizou por fazer
uma minuciosa fiscalização de gastos públicos
de cuja ira moralizadora jamais escapavam justamente despesas com
viagens ao exterior. É uma situação constrangedora
para o ministro, mas, pelo que se tem visto, está se tornando
corriqueira no governo. Até agora, a regra parece ser a seguinte:
ministros fazem uso, digamos, heterodoxo de verbas públicas
e, se descobertos, devolvem o dinheiro e fica tudo bem.
Sergio Amaral
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| Benedita
da Silva, da Assistência Social: devolução de 4800
reais |
Ou quase. A ministra Benedita da Silva, da Assistência Social,
foi o caso inaugural. Fez uma viagem de um dia a Buenos Aires em
cuja agenda pública havia apenas um compromisso religioso
e, portanto, de caráter privado. Na última
hora, para emprestar um verniz oficial à visita à
Argentina, e assim justificar o uso de dinheiro público,
Benedita arranjou um compromisso oficial: uma audiência com
a ministra Alicia Kirchner, do Desenvolvimento. Desde que o caso
veio a público, Benedita agarra-se à audiência
com Kirchner para dizer que a viagem foi oficial, mas acabou devolvendo
4.800 reais ao Erário embora
continue insistindo que não fez nada de errado. A ministra
parece ignorar que todo mundo já sabe, pela cronologia da
história, que ela criou um novo tipo de agenda: o compromisso-laranja,
que serve apenas para ocultar a verdadeira motivação
da viagem. A ministra Benedita permanece no cargo, mas não
está valendo a pena sua insistência em se pendurar
no poder. Quando aparece em público, é vaiada e virou
alvo de programas humorísticos, como o Casseta & Planeta.
Na
semana passada, num sinal epidêmico, o secretário nacional
de Segurança Pública, Luiz Eduardo Soares, pediu demissão
depois de enrolar-se numa situação um pouco diferente,
mas igualmente constrangedora. Descobriu-se que Soares contratara
sua mulher, Miriam Guindani, para prestar uma consultoria de 40.000
reais, e também sua ex-mulher, a socióloga Bárbara
Soares, cujos serviços estavam cotados em 24.000
reais. Os dois contratos foram cancelados, Miriam Guindani chegou
a devolver a parcela de 4.200 reais que
já havia recebido e o secretário, constrangido, entregou
o cargo. É inadequada a contratação de mulher
ou ex-mulher, mas, no caso do secretário, é preciso
considerar que talvez tenha se sentido à vontade para fazê-lo
depois de olhar para os ocupantes dos mais altos cargos do governo.
Afinal, as respectivas esposas de alguns dos mais destacados ministros
de Lula arranjaram rapidamente emprego público assim que
os maridos se instalaram em Brasília. Soares pode ter caído
na ingenuidade de pensar: se eles podem, por que eu não posso?
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