Edição 1873 . 29 de setembro de 2004

Índice
Stephen Kanitz
Millôr
Diogo Mainardi
Gustavo Franco
Tales Alvarenga
André Petry
Roberto Pompeu de Toledo
Carta ao leitor
Entrevista
Cartas
Radar
Holofote
Contexto
Veja essa
Gente
Datas
VEJA Recomenda
Os livros mais vendidos
 
 

VEJA Recomenda

DVDs

Warner Bros
Os Bons Companheiros: um dos melhores filmes já feitos sobre a Máfia


Os Bons Companheiros
e Coleção Martin Scorsese (Warner) – O americano Henry Hill não existe mais como tal desde que entrou para o programa de proteção às testemunhas do FBI, em troca do depoimento sobre suas atividades no crime organizado. Durante quatro anos, porém, ele conversou com o escritor Nicholas Pileggi, que transformou o relato primeiro num best-seller e, depois, no roteiro de Os Bons Companheiros – o melhor trabalho de Martin Scorsese e, ao lado dos dois primeiros O Poderoso Chefão, um dos três melhores filmes já feitos sobre a Máfia. Scorsese mostra a trajetória de Hill, desde a infância até o anonimato forçado, como uma escalada febril de euforia e estupidez, acentuada pelo uso brilhante da música, da montagem e da narração em off. Até hoje, poucos filmes atingiram tal excelência – e por isso um dos extras desse disco duplo traz os testemunhos de diversos cineastas sobre Os Bons Companheiros. Simultaneamente, a distribuidora lança uma caixa com Quem Bate à Minha Porta? (1967), Caminhos Perigosos (1973), Alice Não Mora Mais Aqui (1974) e Depois de Horas (1985). É uma rara oportunidade de seguir, do início ao apogeu, a carreira de um dos grandes autores do cinema americano.

O Mistério dos Escavadores (Holes, Estados Unidos, 2003. Disney) – Acusado de ter furtado um par de tênis, Stanley Yelnats IV é mandado a um acampamento para jovens delinqüentes, onde a diretora e seu ajudante (Sigourney Weaver e Jon Voight) se propõem a melhorar o caráter dos meninos obrigando-os a cavar um grande buraco por dia. Na verdade, o que eles querem é encontrar um tesouro escondido 100 anos antes naquele trecho de deserto. Nessa fábula adaptada por Louis Sachar de seu próprio best-seller infanto-juvenil, nenhum dos protagonistas está reunido ali por acaso: todos são descendentes de personagens cujos destinos se cruzaram por obra de amores e traições. Uma diversão saborosa e inteligente, narrada com muita competência por Andrew Davis, o diretor de O Fugitivo. Trailer.

 

LIVROS

A Morte de Aquiles, de Boris Akunin (tradução de Ana Deiró; Objetiva; 448 páginas; 59,90 reais) – É o quarto livro protagonizado pelo detetive russo Erast Fandórin. Esse personagem dificilmente agradaria às velhas autoridades soviéticas: afinal, é um "burguês" a serviço do regime czarista. Talvez por isso Boris Akunin, pseudônimo de Grigori Tchkartchvili, só tenha dado início à sua envolvente literatura policial após a queda do comunismo – antes, ganhava a vida como tradutor de textos técnicos do japonês. Mas a série agradou no mundo todo. Já vendeu 8 milhões de exemplares. Nesta nova aventura, Fandórin investiga a morte do general Sobolev – o "Aquiles" do título –, em uma trama que envolve segredos de Estado na Rússia do século XIX.

O Último Alquimista, de Iain McCalman (tradução de Geni Hirata; Rocco; 288 páginas; 35 reais) – O conde de Cagliostro (1743-1795) foi um dos mais bem-sucedidos charlatões da história. Místico, curandeiro, iniciado nas misteriosas práticas da maçonaria egípcia, freqüentou as altas esferas do poder na Europa do século XVIII, despertando tanto admiração quanto ódio. Chegou até a inspirar um personagem da ópera A Flauta Mágica, de Mozart. E acabou sua vida em um calabouço italiano, preso por heresia, por ordem do papa Pio VI. Ao reconstituir a vida desse personagem fascinante, o historiador australiano Iain McCalman recupera o lado mais sombrio daquele que ficou conhecido como o Século das Luzes.

Os Demônios, de Fiódor Dostoiévski (tradução de Paulo Bezerra; Editora 34; 704 páginas; 59 reais) – Ao lado de O Agente Secreto, do britânico nascido polonês Joseph Conrad, esse é um romance essencial para compreender a mentalidade de radicais políticos de todos os matizes – e, sobretudo, para compreender uma das mais nefastas criaturas políticas de todos os tempos: o terrorista. Inspirado pelo assassinato de um estudante cometido na Rússia por um grupo niilista, em 1869, Dostoiévski fez a anatomia ficcional do fanatismo ideológico, antecipando muito dos horrores dos séculos seguintes, do stalinismo ao fundamentalismo que amedronta o mundo hoje. Esse clássico indispensável é apresentado ao leitor brasileiro em uma nova tradução, feita diretamente do russo. Leia trecho.

 

DISCOS

 
Fotos divulgação
Joss: ela agora também compõe  

Mind, Body & Soul, Joss Stone (EMI) – Essa linda adolescente inglesa conquistou as paradas internacionais com o CD Soul Sessions. Joss reinterpretava, com bastante propriedade, clássicos da música negra americana – além de oferecer uma releitura original para uma canção do grupo de rock White Stripes. Mind, Body & Soul é fiel ao projeto anterior. A cantora reuniu o mesmo time de músicos e produtores. Também manteve o clima anos 70, com muitos teclados Hammond (usados pelos artistas de jazz e funk da época) e piano acústico. A principal novidade está na estréia de Joss Stone como compositora. Se depender de excelentes faixas românticas como Killing Time, ela tem tudo para se firmar como um dos maiores talentos surgidos recentemente na Inglaterra.

 
Libertines: música e confusão  

Libertines, Libertines (Trama) – O talento musical desse quarteto inglês é proporcional à sua capacidade de provocar confusão. Surgido no fim dos anos 90 pelas mãos da dupla Peter Doherty e Carl Barat, o Libertines emula, com muitas guitarras e canto insolente, o espírito das bandas de garagem dos anos 60, como os Kinks e os Rolling Stones. Doherty e Barat possuem uma rivalidade criativa, que leva os membros restantes do grupo à loucura, mas que também rende as melhores canções do quarteto. Libertines, o CD, nasceu em meio às diversas ocasiões em que a dupla brigou dentro do estúdio. Enquanto Can't Stand Me Now é um aviso de que os dois não se suportam mais, a canção Road to Ruin traz um apelo de Barat para que o amigo se livre do vício em drogas pesadas. Ouça o disco.

Uma Batida Diferente, Bossacucanova (Trama) – Existem diversos grupos e DJs que misturam bossa nova com ritmos eletrônicos, mas são poucos os que o fazem com tanta propriedade como esse trio carioca. Uma das razões está na herança genética. Marcio Menescal, baixista e um dos programadores das batidas do grupo, é filho do bossa-novista Roberto Menescal. O trio investe num repertório ousado, em que o destaque são as parcerias com artistas tarimbados – por exemplo, Adriana Calcanhotto, Marcos Valle e Celso Fonseca. As participações especiais também são finas. O Trio Mocotó apimenta o samba Vai Levando, de Chico Buarque, e a cantora Cris Delanno dá um toque de classe à inédita Bom Dia Rio.

 

 

Fontes: São Paulo: Cultura, Laselva, Saraiva, Livraria da Vila, Fnac, Siciliano, Nobel; Rio: Saraiva, Laselva, Sodiler, Siciliano, Argumento, Travessa; Porto Alegre: Saraiva, Siciliano, Livraria Porto Alegre, Cultura, Livrarias Porto; Brasília: Sodiler, Siciliano, Saraiva, Livraria Leitura; Recife: Sodiler, Saraiva, Siciliano; Natal: Sodiler; Florianópolis: Siciliano, Livrarias Catarinenses; Goiânia: Siciliano, Saraiva, Livraria Leitura; Fortaleza: Siciliano, Laselva; Salvador: Siciliano; Curitiba: Siciliano, Saraiva, Livrarias Curitiba; Belo Horizonte: Siciliano, Livraria Leitura; Maceió: Sodiler; Belém: Clio; Vitória: Livraria Leitura; internet: Cultura, Fnac, Laselva, Nobel, Saraiva, Sodiler, Submarino.
 
 
 
topovoltar