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Cinema
Monstro com alma?
Filme
choca alemães com
o lado
"humano" de Hitler
Divulgação
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| Ganz (à dir.):
atuação brilhante |
Na história
moderna, nenhuma nação tem um ponto de ruptura tão
claro e tormentoso com o passado quanto a Alemanha pós-Adolf
Hitler. Não é de admirar, portanto, que até
hoje o ditador nunca tivesse sido interpretado por um ator numa
produção alemã e que o primeiro filme
a quebrar esse tabu, Der Untergang ("O Declínio"),
venha suscitando uma virulenta polêmica no país desde
sua estréia, há poucos dias. A recriação
histórica do diretor Oliver Hirschbiegel e a atuação
do suíço Bruno Ganz têm sido aplaudidas por
especialistas como o inglês Ian Kershaw, um dos maiores biógrafos
de Hitler, que escreveu a respeito no jornal The Guardian.
A controvérsia reside no retrato do ditador como um homem
capaz de momentos de generosidade por exemplo, no trato com
seus subalternos. É no relato de uma de suas secretárias,
Traudl Junge, que boa parte de Der Untergang se baseia, assim
como em depoimentos de pessoas presentes a seus últimos dias,
num bunker, enquanto a Alemanha era derrotada na II Guerra Mundial
e Hitler oscilava entre delírios otimistas e acessos de fúria
homicida. O que Der Untergang de fato trouxe à tona
foi uma indagação se a Alemanha democrática
de hoje estaria pronta a examinar mais de perto, e sem o anteparo
da demonização (que muitos alemães julgam imprescindível),
os anos em que sucumbiu ao nazismo. Kershaw aposta que sim, a julgar
pela própria existência de Der Untergang
mas ressalta que nem ele nem nenhum outro filme, estudo ou ensaio
serão capazes de explicar a contento o enigma de Hitler e
da adesão popular a seu regime de atrocidades.
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