Edição 1873 . 29 de setembro de 2004

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Saúde
De dia, sem óculos

Um tratamento contra miopia
que requer lentes de contato
apenas na hora de dormir


Paula Neiva

Nélio Rodrigues/1º Plano
A apresentadora Luciana Hübner: "As lentes revolucionaram minha vida"

De todos os tipos de alteração visual, a miopia é o mais comum. De cada dez brasileiros, três sofrem da dificuldade para enxergar de longe. Boa parte dos míopes não tem disposição para se submeter a uma operação a laser. Outros tantos não se adaptam ao uso constante de lentes de contato. E a maioria detesta óculos. Por isso, é grande o interesse por uma técnica não cirúrgica que ajusta a córnea de modo a corrigir a miopia. O método consiste no uso de uma lente de contato especial apenas durante a noite, enquanto a pessoa dorme. Depois de, em média, duas semanas de tratamento, ela pode dispensar as lentes de contato tradicionais ou os óculos durante o dia. Mas nem todos os míopes podem recorrer a essas lentes. Elas são indicadas sobretudo para quem tem até 4,5 graus de miopia. Nos casos de graus mais elevados, a lente não funciona. "O principal risco para o paciente é o mesmo oferecido pelas lentes comuns: o da infecção", diz o oftalmologista César Lipener, chefe do setor de lentes de contato e refração da Universidade Federal de São Paulo. "Essa ameaça, no entanto, é controlada com a higiene constante das lentes e orientação médica."

A miopia se caracteriza pela grande distância entre a córnea e a retina. Num olho sadio, a córnea capta a imagem e essa imagem é formada na retina. No olho míope, a imagem não consegue chegar à retina e por isso a visão de longe vira um borrão. Ao contrário das lentes de contato convencionais, as novas lentes não acompanham a curvatura da córnea. O centro delas é mais plano. Com essa estrutura, a lente exerce uma leve pressão na córnea, o que diminui a distância entre esta e a retina. Uma vez suspenso o uso da lente, a córnea tende a voltar ao seu formato original. Por isso, a maioria dos pacientes precisa usar as lentes todas as noites. Apenas 20% deles reduzem, depois de alguns meses de tratamento, o uso para três vezes por semana. Há quase um ano, Luciana Hübner, apresentadora de televisão em Belo Horizonte, dorme todos as noites com as lentes que ajustam a córnea. "Elas revolucionaram a minha vida", diz. Luciana agora só lembra que é míope na hora de se deitar.

 

 
 
 
 
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