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Turismo
Amazônia ao gosto do viajante
Novas
opções de hospedagem na
floresta
oferecem contato com cientistas, fotografia,
esportes radicais e até conforto

Leonardo Coutinho
Fotos divulgação
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| PAKAAS PALAFITAS LODGE: próximo
ao local onde passava a estrada de ferro Madeira–Mamoré, o hotel
oferece conforto e passeios culturais na fronteira do Brasil
com a Bolívia |
Já
é possível visitar a Amazônia em pacotes turísticos
que vão além dos tradicionais passeios de barco com
focagem de jacarés, banhos de água fria, pesca de
piranhas e visitas a aldeias de caboclos. De olho na receita proporcionada
por 2 milhões de turistas ao ano, a nova geração
de hotéis de selva e barcos de passeio na região aposta
na variedade do público e investiu em infra-estrutura para
conquistar quem não abre mão do conforto e de experiências
culturais com mais conteúdo. Para isso, oferece pacotes que
incluem cursos e expedições acompanhadas por cientistas,
além de instalações originais e agradáveis.
Em Tefé,
a 450 quilômetros de Manaus, a Pousada Flutuante Uacari é
um exemplo premiado. Ganhou a última edição
do prêmio de turismo sustentável conferido pela The
Smithsonian Magazine e pela Travelers Conservation Foundation.
A pousada funciona dentro da reserva de Mamirauá. O visitante
não só se hospeda em um dos melhores lugares para
observação da vida selvagem da Amazônia, segundo
o guia Lonely Planet, como também acompanha alguns
dos grupos de pesquisa atuantes na área. Pode ver a rotina
dos cientistas, entender suas pesquisas e fazer trilhas conduzidas
por naturalistas.
Pedro Martinelli
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| O BARCO SEBASTIÃO BORGES:
o fotógrafo Pedro Martinelli mostra os
cenários e a culinária da Amazônia enquanto navega pela região
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Noutra
região, 750 quilômetros adiante, a organização
não-governamental WWF montou um hotel administrado pelos
próprios ribeirinhos. Abastecido com energia elétrica,
tem ar-condicionado e frigobar nos doze apartamentos. Oferece passeios
noturnos pelos rios, pesca com arpão e pernoites em comunidades
onde o turista pode experimentar como vive um morador da Amazônia.
"A noite na mata é muito mais interessante do que incomodar
um jacaré para ver seus olhos brilhando e amarrar sua boca
para poder tocá-lo", diz Vicente de Almeida Neves, da Associação
de Silves pela Preservação Ambiental e Cultural, que
administra o hotel.
O Pakaas
Palafitas Lodge, na cidade de Guajará-Mirim, em Rondônia,
tem apartamentos com camas king-size, ar-condicionado, frigobar,
chuveiro quente e iluminação 24 horas. Construído
em uma plataforma a 4 metros do chão, o hotel tem uma piscina
de 23 metros com vista para a floresta e para o Rio Mamoré.
Oferece visitas às comunidades de seringueiros e às
aldeias indígenas na fronteira com a Bolívia. Tem
também passeios em veículos de tração
nas quatro rodas ao longo da antiga ferrovia MadeiraMamoré.
Guias acompanham o percurso e contam a história da linha
de trem. No Amazonas, uma empresa holandesa especializada em esportes
radicais, a Tiwa, construiu um eco-resort que, ao lado das opções
tradicionais, tem um centro de aventuras com arvorismo, passeios
de mountain bike e jogos coletivos na selva. Todo o lixo do hotel,
localizado à margem do Rio Negro, é enviado para longe
da floresta e há uma estação para tratar o
esgoto das instalações.
Fotos Marco Amend
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| IMAGENS DE MAMIRAUÁ:
a Pousada Flutuante Uacari fica num dos melhores locais para
observação de animais na Amazônia e permite que o turista acompanhe
pesquisas científicas |
Turistas
radicais encontram boas corredeiras no Rio Cristalino, durante a
estação seca, no Cristalino Jungle Lodge, no norte
de Mato Grosso. Também podem praticar rapel em paredões
naturais e aprender técnicas de sobrevivência na selva.
Uma torre de 50 metros, acima da copa das árvores, é
um achado para ornitólogos e observadores de borboletas.
Para estudantes, é oferecido o pacote Escola da Amazônia,
que traz workshops com biólogos sobre conservação
da biodiversidade e iniciação à fotografia
de borboletas e aves, além de curso sobre princípios
de botânica e observação de primatas.
Partindo
uma vez por mês de Manaus, o barco Sebastião Borges
do fotógrafo Pedro Martinelli, um dos mais experientes
na coleta de imagens da floresta leva os passageiros para
uma viagem de seis dias por rios, igarapés e comunidades
ribeirinhas. "Não tenho a pretensão de fazer um curso
de fotografia, mas de orientar e mostrar uma Amazônia real
e sua gente", explica. Construído para transportar oitenta
passageiros e 90 toneladas de carga, o barco foi reformado e tem
camarotes para doze pessoas. Martinelli trabalha num novo livro,
sobre a culinária amazônica, e conduz os viajantes
em um roteiro pautado pela cozinha cabocla. "É uma viagem
além da fotografia, que educa o olhar e ensina a pensar antes
de apertar o botão da máquina", conta a fotógrafa
pernambucana Yêda Bezerra, que participou de uma excursão.
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