Edição 1873 . 29 de setembro de 2004

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Turismo
Amazônia ao gosto do viajante

Novas opções de hospedagem na floresta
oferecem contato com cientistas, fotografia,
esportes radicais e até conforto


Leonardo Coutinho

 
Fotos divulgação
PAKAAS PALAFITAS LODGE: próximo ao local onde passava a estrada de ferro Madeira–Mamoré, o hotel oferece conforto e passeios culturais na fronteira do Brasil com a Bolívia


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Já é possível visitar a Amazônia em pacotes turísticos que vão além dos tradicionais passeios de barco com focagem de jacarés, banhos de água fria, pesca de piranhas e visitas a aldeias de caboclos. De olho na receita proporcionada por 2 milhões de turistas ao ano, a nova geração de hotéis de selva e barcos de passeio na região aposta na variedade do público e investiu em infra-estrutura para conquistar quem não abre mão do conforto e de experiências culturais com mais conteúdo. Para isso, oferece pacotes que incluem cursos e expedições acompanhadas por cientistas, além de instalações originais e agradáveis.

Em Tefé, a 450 quilômetros de Manaus, a Pousada Flutuante Uacari é um exemplo premiado. Ganhou a última edição do prêmio de turismo sustentável conferido pela The Smithsonian Magazine e pela Travelers Conservation Foundation. A pousada funciona dentro da reserva de Mamirauá. O visitante não só se hospeda em um dos melhores lugares para observação da vida selvagem da Amazônia, segundo o guia Lonely Planet, como também acompanha alguns dos grupos de pesquisa atuantes na área. Pode ver a rotina dos cientistas, entender suas pesquisas e fazer trilhas conduzidas por naturalistas.

 
Pedro Martinelli
O BARCO SEBASTIÃO BORGES: o fotógrafo Pedro Martinelli mostra os cenários e a culinária da Amazônia enquanto navega pela região

Noutra região, 750 quilômetros adiante, a organização não-governamental WWF montou um hotel administrado pelos próprios ribeirinhos. Abastecido com energia elétrica, tem ar-condicionado e frigobar nos doze apartamentos. Oferece passeios noturnos pelos rios, pesca com arpão e pernoites em comunidades onde o turista pode experimentar como vive um morador da Amazônia. "A noite na mata é muito mais interessante do que incomodar um jacaré para ver seus olhos brilhando e amarrar sua boca para poder tocá-lo", diz Vicente de Almeida Neves, da Associação de Silves pela Preservação Ambiental e Cultural, que administra o hotel.

O Pakaas Palafitas Lodge, na cidade de Guajará-Mirim, em Rondônia, tem apartamentos com camas king-size, ar-condicionado, frigobar, chuveiro quente e iluminação 24 horas. Construído em uma plataforma a 4 metros do chão, o hotel tem uma piscina de 23 metros com vista para a floresta e para o Rio Mamoré. Oferece visitas às comunidades de seringueiros e às aldeias indígenas na fronteira com a Bolívia. Tem também passeios em veículos de tração nas quatro rodas ao longo da antiga ferrovia Madeira–Mamoré. Guias acompanham o percurso e contam a história da linha de trem. No Amazonas, uma empresa holandesa especializada em esportes radicais, a Tiwa, construiu um eco-resort que, ao lado das opções tradicionais, tem um centro de aventuras com arvorismo, passeios de mountain bike e jogos coletivos na selva. Todo o lixo do hotel, localizado à margem do Rio Negro, é enviado para longe da floresta e há uma estação para tratar o esgoto das instalações.

 
Fotos Marco Amend
IMAGENS DE MAMIRAUÁ: a Pousada Flutuante Uacari fica num dos melhores locais para observação de animais na Amazônia e permite que o turista acompanhe pesquisas científicas

Turistas radicais encontram boas corredeiras no Rio Cristalino, durante a estação seca, no Cristalino Jungle Lodge, no norte de Mato Grosso. Também podem praticar rapel em paredões naturais e aprender técnicas de sobrevivência na selva. Uma torre de 50 metros, acima da copa das árvores, é um achado para ornitólogos e observadores de borboletas. Para estudantes, é oferecido o pacote Escola da Amazônia, que traz workshops com biólogos sobre conservação da biodiversidade e iniciação à fotografia de borboletas e aves, além de curso sobre princípios de botânica e observação de primatas.

Partindo uma vez por mês de Manaus, o barco Sebastião Borges – do fotógrafo Pedro Martinelli, um dos mais experientes na coleta de imagens da floresta – leva os passageiros para uma viagem de seis dias por rios, igarapés e comunidades ribeirinhas. "Não tenho a pretensão de fazer um curso de fotografia, mas de orientar e mostrar uma Amazônia real e sua gente", explica. Construído para transportar oitenta passageiros e 90 toneladas de carga, o barco foi reformado e tem camarotes para doze pessoas. Martinelli trabalha num novo livro, sobre a culinária amazônica, e conduz os viajantes em um roteiro pautado pela cozinha cabocla. "É uma viagem além da fotografia, que educa o olhar e ensina a pensar antes de apertar o botão da máquina", conta a fotógrafa pernambucana Yêda Bezerra, que participou de uma excursão.

 
 
 
 
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