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Especial
A civilização
do campo
Quem são
e como vivem os protagonistas
da revolução do agronegócio brasileiro

Eduardo Salgado, de Cuiabá
Leomar José Mess/Novo Tempo
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| Em Sapezal, no oeste de Mato Grosso, o milho
é plantado logo depois que as máquinas automáticas equipadas
com ar-condicionado colhem a soja. Em um dia típico de trabalho,
cada uma extrai cerca de 3 500 sacos. Juntos, os tratores, plantadeiras
e colheitadeiras que aparecem nesta foto representam um investimento
de 20 milhões de reais |
Uma das
maneiras de contar a história do Brasil é pelos ciclos
agrícolas que se sucederam na terra onde se plantando tudo
dá. Do extrativismo primitivo do pau-brasil, nos primórdios
da colonização, ao moderno agronegócio atual,
cada ciclo criou sua civilização brasileira. A marca
registrada de quase todas elas foi ter se erguido sobre monoculturas,
quase sempre motivadas por bolhas artificiais de demandas externas
que, uma vez estouradas, deixavam os agricultores nacionais quebrados.
Foi assim sucessivamente com o pau-brasil, com a cana-de-açúcar
e com o café. Em sua História das Civilizações,
o francês Fernand Braudel (1902-1985) relata esses períodos
de prosperidade exuberante logo seguidos de frustração
e pobreza, não apenas no Brasil, mas em toda a América
Latina. "Essa realidade abrupta, instável e imprevisível
sempre teve o poder destrutivo de desestabilizar toda a economia
dos países", escreveu Braudel, para concluir, em seguida:
"Os países latino-americanos só vão conseguir
romper a condenação desses ciclos quando unirem agricultura
movida a pesquisa, máquinas e grandes investimentos".
O moderno
agronegócio brasileiro é justamente a feliz reunião
de alta tecnologia, equipamentos de ponta e crédito farto.
Por essa conjunção de fatores, o campo brasileiro
reúne as condições materiais para escapar da
maldição dos ciclos que tantas cicatrizes deixaram
na história econômica das Américas. A atual
civilização do campo reflete a solidez da base material
sobre a qual está plantada. Da fronteira com o Uruguai ao
Oiapoque, a agricultura e a pecuária possuem vários
níveis de desenvolvimento e tamanho, mas uma característica
em comum. As áreas de excelência ligadas ao mercado
externo crescem em toneladas produzidas e em riqueza gerada a cada
ano. Partes dos três Estados do Sul, de São Paulo,
de Minas Gerais, da Região Centro-Oeste e de áreas
cada vez maiores do Nordeste são uma das principais locomotivas
da economia. Produzem, empregam, exportam, consomem e dão
forma a uma nova civilização.
O novo avanço
do setor exportador baseado no agronegócio está até
turvando as linhas da fronteira do que antes separava o mundo rural
do mundo urbano. "Essas classificações estão
anacrônicas e obsoletas", concorda José Eli da Veiga,
professor de economia da Universidade de São Paulo. Diz Lúcia
Lippi Oliveira, pesquisadora do Centro de Pesquisa e Documentação
de História Contemporânea do Brasil da Fundação
Getúlio Vargas: "O homem do campo era visto como um coitado
porque tinha de ir a São Paulo e Rio de Janeiro para saber
das coisas. Isso mudou. O sucesso do agronegócio fez com
que o atrasado de ontem se tornasse o globalizado de hoje". É
verdade. O agricultor de soja perdido no interior de Mato Grosso
está mais próximo do Primeiro Mundo, a cujas bolsas
de mercadorias ele se liga instantaneamente por internet, do que
a dona-de-casa que compra uma lata de óleo de soja na prateleira
de um supermercado da capital.
Entre 1990
e 2002, o PIB agropecuário cresceu numa média de 3,20%,
enquanto a economia como um todo ficou em 2,70%. Nos últimos
cinco anos, o ritmo de crescimento do setor foi quase o dobro do
registrado pelo país. Os agricultores brasileiros são
os mais competitivos na produção de açúcar,
soja, algodão e laranja. O país já é
o maior exportador mundial de carne bovina e de frango. Junto, o
agronegócio representa cerca de 35% da economia brasileira.
O Brasil só não é o maior exportador de produtos
agrícolas do mundo porque os Estados Unidos e a União
Européia entopem seus produtores de subsídios e depois
despejam seus produtos no mercado internacional.
No interior,
os beneficiários da riqueza que sai do solo extrapolam em
muito o universo das fazendas. A riqueza do campo está criando
uma classe endinheirada bem longe das porteiras. O que acontece
no Brasil hoje comprova as pesquisas acadêmicas mais recentes
sobre os impactos do agronegócio na economia como um todo.
A idéia de que a grande lavoura beneficiava um número
reduzido de pessoas e que a melhor arma contra a pobreza era única
e exclusivamente a agricultura familiar está caindo por terra.
Toda vez que a produção agrícola de um país
em desenvolvimento cresce 1%, a renda dos mais pobres aumenta em
uma proporção maior, 1,6%. "Durante anos, investimos
maciçamente em agricultura familiar, mas hoje sabemos que
as grandes propriedades têm igual poder de criação
de empregos", disse a VEJA Kevin Cleaver, diretor do departamento
de desenvolvimento rural do Banco Mundial.
Como as
fazendas são cada vez mais dependentes da tecnologia de ponta
e da gestão eficiente, a lista dos favorecidos inclui um
contingente crescente da classe média. São especialistas
em software, engenheiros e administradores. Nos melhores hotéis
de cidades como Luís Eduardo Magalhães, na Bahia,
a movimentação de representantes de companhias de
comércio exterior e empresas de máquinas e serviços
agrícolas é constante. Desde que começou a
operar em Rio Verde, Goiás, há quatro anos, a maior
fábrica da Perdigão no Brasil já gerou mais
de 5.000 vagas. Todos esses são os chamados elos diretos
da produção. Além deles, há os que não
têm ligação aparente com o setor primário,
mas também estão na corrente. Faturam vendendo para
quem ganhou dinheiro com o agronegócio. São os donos
e empregados de restaurantes, universidades, construtoras e de vários
outros empreendimentos que crescem a reboque. Das nove escolas de
idiomas de Rio Verde, cinco foram instaladas nos últimos
cinco anos. As classes de inglês estão cheias e a demanda
por novas turmas vem aumentando.
Ao contrário
do que se pensa nos grandes centros urbanos, os produtores que moram
nas fazendas estão se tornando raridade. Isso é verdade
em regiões de fronteira agrícola e em áreas
consolidadas como o interior paulista, onde nem mesmo os trabalhadores
das plantações de cana-de-açúcar gostam
de passar as noites no mato. Muitas das antigas colônias de
peões, com casinhas geminadas, estão desabando. Os
funcionários das propriedades mais próximas às
cidades pegam um ônibus para ir ao trabalho, como qualquer
empregado do setor industrial. Os usineiros, que até os anos
80 costumavam morar nas fazendas, vivem em luxuosos condomínios
fechados nas cidades, onde as casas chegam a valer mais de 1 milhão
de dólares.
Em áreas
onde a concentração de cidades é menor, o normal
é o agricultor morar num centro urbano e os empregados viverem
nas fazendas. Sorriso, em Mato Grosso, é uma cidade planejada
com ruas largas, áreas verdes, grandes praças e bairros
residenciais. Nas casas, o conforto é igual ao de qualquer
residência de classe média alta nas capitais: piscina,
televisores de tela plana e computadores. A maior parte dos produtores
tem uma ou mais fazendas num raio de 50 quilômetros e mantém
um escritório no centro da cidade. O enriquecimento dos últimos
anos aqueceu o mercado imobiliário. Um terreno de 800 metros
quadrados em regiões do cerrado que há três
anos custava 20.000 reais hoje pode alcançar o preço
de 80.000. Graças ao barateamento das tecnologias de comunicação,
nem mesmo a distância das fazendas é mais problema.
O acesso à internet de alta velocidade via satélite
no Centro-Oeste cresce a taxas de 400% ao ano.
Em algumas
partes do Nordeste, o mercado imobiliário segue o ritmo febril
do restante da economia local. Na cidade de Luís Eduardo
Magalhães, dois condomínios de alto padrão
estão sendo construídos. Um deles, com entrega prevista
para o fim do ano, terá sessenta casas, aeroporto particular
com capacidade até para jatinhos executivos, campo de golfe
com 80.000 metros quadrados e nove buracos, kartódromo, quatro
quadras de tênis, campo de futebol society, loja de conveniência
24 horas e um clube com parque aquático. Detalhe: há
menos de duas décadas, a única construção
que existia onde hoje floresce a cidade de Luís Eduardo Magalhães
era um posto de gasolina na beira de uma estrada ligando o nada
a coisa nenhuma. Nos pólos agrícolas bem-sucedidos
de todas as regiões brasileiras, a lógica é
diferente da das capitais. As altas do dólar são sempre
comemoradas porque significam mais reais por tonelada vendida. A
visão de mundo é diferente. Uma grande quebra de safra
de açúcar na Austrália, de soja nos Estados
Unidos, de café no Vietnã ou de algodão no
Paquistão que sempre passa despercebida nas metrópoles
é motivo de festa no interior.
Em Mato
Grosso, o centro de lazer são as casas. Entre os mais bem-sucedidos,
elas chegam a ter 600 metros quadrados. Confortáveis e construídas
em terrenos de tamanhos impensáveis nos grandes centros,
as casas se transformam em locais de encontro das famílias
nos fins de semana para o invariável churrasco. Os protagonistas
do boom agrícola do Centro-Oeste nos últimos anos
são produtores que estão na faixa entre 40 e 50 anos.
Os líderes de hoje são os que chegaram à região
jovens, com 20 e poucos anos, recém-casados, acompanhando
seus pais. A próxima geração está sendo
formada em universidades locais ou na Região Sul e em São
Paulo.
O Brasil
atingiu o atual grau de excelência porque, além de
investir pesadamente em tecnologia, conta com fazendeiros que administram
suas propriedades como se fossem empresas. Os produtores voltados
ao mercado externo estão conectados, muitos de forma simultânea,
com o resto do Brasil e do mundo. Trabalham com os olhos nas telas
do computador, seja para acompanhar os preços na Bolsa de
Chicago, seja para planejar novas estratégias e investimentos.
Não basta saber plantar e colher. Para ter lucro, é
necessário ser bom em todas as etapas: na compra de insumos,
na produção e na comercialização. "Quem
está mal informado sobre as tendências do mercado sempre
perde dinheiro", diz Homero Pereira, secretário de Desenvolvimento
Rural de Mato Grosso.
Um número
crescente de empresários do campo examina suas lavouras palmo
a palmo, digita informações sobre as condições
das plantas e do solo num computador e, com a ajuda de um aparelho
de GPS, que dá as coordenadas de latitude e longitude via
satélite, registra o local exato. Essa leitura precisa permite
dar o tratamento necessário a cada área da propriedade.
Nas lavouras de algodão, a economia chega a 15%. Do dia em
que o produtor prepara a terra até colocar o dinheiro da
safra no bolso são gastos cerca de 1.800 dólares por
hectare. Se o agricultor comete algum erro que afete a produção,
corre o risco de perder o equivalente a um laptop a cada 10.000
metros quadrados.
Nas grandes
plantações de cana, são usadas entre quinze
e vinte variedades da planta para reduzir os riscos com doenças.
Diz Sebastião Henrique Rodrigues Gomes, diretor da Usina
Santa Elisa, de Sertãozinho, no nordeste do Estado de São
Paulo: "O agronegócio se vale de uma tecnologia que faz inveja
até aos americanos". O Brasil é reconhecido como o
país que desenvolveu o melhor pacote de tecnologias para
regiões tropicais. "Com o fim dos subsídios, os produtores
foram obrigados a buscar ganhos de produtividade, e foi isso que
permitiu o salto dos últimos anos", diz Marcos Jank, presidente
do Instituto de Estudos do Comércio e Negociações
Internacionais (Icone), de São Paulo. No agronegócio,
o Brasil é respeitado e temido como uma grande potência.
A civilização do campo, plugada na internet, remunerada
em dólar e umbilicalmente ligada ao mundo exterior, é
a mais alvissareira mudança na topografia econômica
brasileira em muitas décadas.
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CONCRETO
NO CAMPO
Fotos Claudio Rossi
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Há
alguns anos o construtor José Roberto Pereira
Alvim notou que o agronegócio fazia surgir
uma nova classe média alta nos grandes pólos
urbanos do interior. Desde então, passou a construir
na região de Ribeirão Preto (SP) prédios
residenciais e comerciais, além de condomínios
de luxo. Em empreendimentos desse tipo, as casas chegam
a custar 3,5 milhões de reais. "Ao contrário
do que se imagina, o agronegócio não está
só nas plantações", diz Alvim.
Entre as obras erguidas pelo empresário figura
o mais arrojado prédio comercial de Ribeirão,
sem contar nove edifícios e cinco condomínios,
para públicos variados. Foi essa base de concreto
que permitiu a realização de um sonho.
Há dezoito anos, Alvim comprou um helicóptero
de brinquedo, colocou-o no escritório e fez uma
promessa: "Um dia vou ter um de verdade". Pois há
três anos, ele usa seu aparelho para ir a reuniões
em São Paulo ou passar fins de semana no litoral.
Na fuselagem, pintou seu lema: "Só alegria".
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O
TERMÔMETRO DO AGRONEGÓCIO
Flávio
Moraes calcula a seu modo os investimentos que fez
para montar há nove anos o restaurante Fofo,
um dos pontos mais conhecidos de Ribeirão Preto,
em São Paulo. "Foram uns 1 500 bezerros", diz
Moraes, filho de uma família de fazendeiros e
usineiros. O restaurante serve de termômetro para
os negócios do campo. Seis de cada dez fregueses
estão ligados ao agronegócio. Com vinho
e bebidas, um casal gasta cerca de 250 reais num jantar.
A lotação esgota-se invariavelmente durante
a Agrishow, a mais famosa feira de agropecuária
do Brasil, que acontece todos os anos no mês de
maio. A atual novidade na clientela está no número
de estrangeiros. Há muitos americanos, mas principalmente
europeus. Uma das explicações para a variação
na freguesia é o crescente interesse dos países
da União Européia pelo setor sucroalcooleiro
do Brasil.
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DO
BRASIL PARA O MUNDO
Fotos Marcelo Zocchio
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O cotidiano do produtor de soja Orlando Polato em
nada se diferencia da rotina de empresários bem-sucedidos
das grandes capitais. Dono de 51 000 hectares de terra,
Polato mora em um apartamento de 450 metros quadrados
em Rondonópolis, Mato Grosso, e vai três
vezes por ano ao exterior. "Viajo com o objetivo de
conhecer novas tecnologias para os meus negócios,
mas aproveito para esticar e fazer turismo. Só
me falta conhecer o Leste Europeu", diz Polato, dono
de uma coleção de mais de 100 pares de
sapato e mais de duas dezenas de ternos, muitos das
marcas Armani e Ricardo Almeida. Orlando, seu filho
mais velho, acabou de voltar de Memphis, nos Estados
Unidos, onde se especializou na cultura de algodão.
Mas, apesar do gosto da família pela agricultura,
Polato e seu irmão Caetano não limitam
seus negócios ao plantio. Os dois procuram diversificar
os investimentos. A família Polato tem uma empresa
de transportes e logística com 100 caminhões
e outra de sementes. No total, os Polato faturam 60
milhões de dólares por ano.
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UMA
REFERÊNCIA PARA OS JAPONESES
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Amante
das duas rodas desde a adolescência, o paulistano
Antonio Carlos Campo viu em Rondonópolis,
em Mato Grosso, a oportunidade de ganhar dinheiro com
o que mais gostava. Há 23 anos, ele saiu de São
José do Rio Preto, no interior de São
Paulo, para montar a primeira concessionária
Honda na região mato-grossense. Hoje a revendedora
administrada por Campo é a que mais comercializa
motos no Centro-Oeste. As vendas crescem 15% a cada
ano puxadas pela expansão da soja, a principal
cultura da região. O sucesso de vendas em Rondonópolis
fez da cidade uma espécie de laboratório
de desenvolvimento de novos produtos Honda. A razão
é simples. Motos não só substituem
bicicletas no trabalho dentro de fazendas como também
simbolizam status nas áreas urbanas. Na cidade,
há uma moto para cada doze habitantes. Todos
os anos, uma equipe de profissionais sai da matriz da
Honda, no Japão, para testar lançamentos
e ouvir a opinião dos consumidores de Rondonópolis
e de outras cidades em Mato Grosso.
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DASLU
DE SORRISO
A
empresária Valdirene Marchioro (à
esq. na foto) montou há dez anos uma loja
de 350 metros quadrados no centro de Sorriso, no Mato
Grosso, para atender uma clientela exigente. Blusas
básicas podem custar em média 1 800 reais.
Suas coleções reúnem marcas que
estão na moda em São Paulo, no Rio de
Janeiro e em Belo Horizonte. Num ambiente que mistura
amizade e negócios, Valdirene reúne as
clientes para tomar chá, café ou chimarrão
uma tradição entre os sulistas
que povoaram a cidade. A cada dois ou três dias,
novas peças dividem espaço nas araras
da loja. Confortáveis, os provadores, com até
3 metros quadrados, têm sofás. Algumas
clientes cativas chegam a gastar 20 000 reais em uma
única compra. Certos cuidados são essenciais
numa cidade de 35 000 habitantes onde quase todos se
conhecem. "Tenho apenas uma peça de cada modelo
e cada cor. Ninguém quer encontrar uma amiga
com roupa igual", diz Valdirene.
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DE
PROFESSORA A DECORADORA
No
começo dos anos 90, Vera Lucia Biancon trocou
o Rio Grande do Sul por Mato Grosso junto com o marido,
o advogado Carlos Biancon, e os filhos. Nos primeiros
anos, trabalhou como professora primária em Lucas
do Rio Verde, enquanto o marido se dedicava à
produção de soja. Estimulada pelo florescimento
de uma classe com recursos na cidade, Vera Lucia decidiu
abandonar a profissão para dedicar-se à
decoração. Em sua nova atividade, trabalhou
para ilustres de Lucas do Rio Verde, como o prefeito
e o vice-prefeito. Hoje, Vera Lucia ganha dez vezes
mais que no magistério. "Com o dinheiro que recebo,
pago minhas despesas com roupas e embelezo minha própria
casa", diz, referindo-se à residência da
família, de 800 metros quadrados. "Antes de me
mudar, eu nunca tinha vindo a Mato Grosso. Foi um choque
no início, mas hoje não troco esta cidade
por nada", conta. O filho mais velho tem 21 anos e estuda
direito e administração de empresas em
Cuiabá.
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A
FRONTEIRA EM EXPANSÃO
Fotos Ana Araújo
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O
paranaense Jacob Lauck foi um dos primeiros a
chegar à localidade hoje batizada de Luís
Eduardo Magalhães, em homenagem ao falecido deputado
e filho do senador Antonio Carlos Magalhães.
Em 1985, Lauck pousava seu aviãozinho agrícola
onde hoje é a rua da igreja matriz. Ele tornou-se
um dos mais prósperos moradores da cidade. Além
de ser o vice-prefeito, é o sócio majoritário
do Saint Louis, o mais novo hotel de Luís Eduardo
Magalhães. Os representantes de empresas ligadas
ao agronegócio estão entre os maiores
clientes dos hotéis da região. Lauck é
um dos agricultores que saíram do Sul para o
Nordeste e hoje têm contas milionárias.
É dono de uma fazenda de 4,5 milhões de
pés de café e de uma cobertura de 700
metros quadrados, avaliada em 1,5 milhão de reais,
no bairro mais caro da cidade com cara de fronteira
agrícola, cheia de ruas de terra e poeira.
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