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Polêmica
E os exóticos somos
nós...
Ameaça
de proibir a caça à raposa
exalta os ânimos na Inglaterra, e
na França o lobo vira vilão

Rosana Zakabi
AP
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| Caça à
raposa na Inglaterra: esportistas e fazendeiros de um lado,
ecologistas do outro |
Na Inglaterra
é sempre uma temeridade mexer com as tradições.
Por isso mesmo, a ameaça de proibição de um
dos mais antigos esportes praticados no país, a caça
à raposa, tem deixado os ânimos exaltados entre os
súditos da rainha Elizabeth II. A briga é entre os
ambientalistas e os cerca de 250.000 adeptos do esporte entre
eles o príncipe Charles e seus filhos, William e Harry. Os
primeiros o consideram uma barbárie contra os animais
todo ano, cerca de 20.000 raposas morrem nas mandíbulas dos
cães que acompanham os caçadores. Estes últimos
argumentam que a caça é uma forma de controlar a procriação
da raposa, predadora contumaz de ovelhas e galinhas que dá
muitas dores de cabeça aos fazendeiros. Além disso,
eles acenam com o fato de que a caça ao animal emprega 15.000
pessoas, entre treinadores de cães, funcionários de
estábulos e auxiliares, e movimenta 600 milhões de
dólares por ano.
Há
duas semanas, numa sessão tumultuada, a Câmara dos
Comuns da Inglaterra aprovou por 356 votos a 166 uma lei que proíbe
a caça à raposa no país. Do lado de fora do
Parlamento, em Londres, 10.000 manifestantes contrários à
lei gritavam palavras de ordem, atiravam garrafas, soltavam fogos
de artifício e enfrentavam os policiais. Cinco deles chegaram
a invadir os salões da Câmara durante a votação
e foram retirados à força. Agora, a lei precisa ainda
passar pela Câmara dos Lordes. Nessa instância, prevê-se
que seja revogada a maioria dos representantes da casa são
entusiastas do esporte e muitos o praticam. A tradição
da caça à raposa remonta ao século XVII, quando
se tornou o divertimento preferido da nobreza. James I, que ocupou
o trono de 1603 a 1625, batizava os novos caçadores com sangue
de raposa. A primeira grande caça, em moldes semelhantes
aos da que ocorre hoje, foi organizada pelo duque de Buckingham
em 1668 em Yorkshire. Segundo historiadores, o duque era fanático
pelo esporte e morreu vítima de uma forte gripe contraída
durante uma caçada.
A França
também tem abrigado polêmicas envolvendo animais, mas
nesse caso os vilões são os lobos e os ursos. Na semana
passada, no mais recente de uma série de protestos, 500 fazendeiros
da região dos Alpes franceses misturados alegremente
a suas vacas e ovelhas desfilaram pelas ruas de Chambery
renovando seus pedidos para que o governo permita a caça
aos lobos que atacam os rebanhos. Segundo eles, só no ano
passado foram 500 ataques de lobos, que mataram 2.177 animais. Os
lobos haviam sido exterminados pelos fazendeiros franceses em 1924,
mas começaram a reaparecer no sudeste do país em 1992,
provavelmente vindos da Itália. As autoridades francesas
estimam que naquela época havia menos de cinco deles no país.
Hoje, são mais de cinqüenta. Mesmo causando tantos estragos,
o animal é protegido pela lei ambiental e não pode
ser caçado. Diante dos ataques e da pressão dos fazendeiros,
o governo francês acabou autorizando a caça limitada
a alguns tipos de lobo. "Essa medida não tem o objetivo de
reduzir a população de lobos, mas o de resolver alguns
problemas locais", disse o ministro francês do Meio Ambiente,
Serge Lepeltier.
Já
nos montes Pireneus, na fronteira da França com a Espanha,
quem aterroriza os rebanhos são os ursos. O curioso é
que até há quatro anos eles eram considerados extintos
na região, culminando um processo sistemático de eliminação
pelos fazendeiros iniciado no século passado. Em 2000, alegando
que o urso é um símbolo tradicional dos Pireneus,
organizações ambientalistas importaram um grupo de
animais da Eslovênia com o apoio de autoridades locais. Menos
sentimentais que os ecologistas, os fazendeiros conseguiram que
o Parlamento francês autorizasse a devolução
de parte dos ursos ao país de origem e voltaram a criar um
cão da montanha, o patous, especializado em manter os ursos
longe das propriedades. Símbolo por símbolo, os fazendeiros
preferem aquele que protege os rebanhos.
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