Edição 1873 . 29 de setembro de 2004

Índice
Stephen Kanitz
Millôr
Diogo Mainardi
Gustavo Franco
Tales Alvarenga
André Petry
Roberto Pompeu de Toledo
Carta ao leitor
Entrevista
Cartas
Radar
Holofote
Contexto
Veja essa
Gente
Datas
VEJA Recomenda
Os livros mais vendidos
 
 

Tecnologia
De roupa nova

O Exército americano apresenta seu
novo uniforme, o primeiro em vinte anos


Reuters
Velcro no lugar de zíper: a maior mudança, junto com a estampa digitalizada


Presença constante no noticiário mundial há quase um século, a farda de combate do Exército americano acaba de ganhar uma nova versão. A mudança, que até dezembro de 2007 estará implementada em todas as bases e missões americanas do mundo, não tem obviamente nada a ver com estética – embora, pela eliminação de detalhes e pelo uso de novos materiais, tenha algo do visual clean que ocupa um nicho importante na moda civil. Tudo é puramente funcional, buscando reunir as três qualidades essenciais à vestimenta militar: eficiência, durabilidade e conforto. A idéia de uniformes rígidos e até pomposos há muito foi arquivada. "O uniforme deve ampliar as habilidades do soldado e ajudá-lo a executar suas missões", diz o coronel John Norwood, gerente da área de vestimenta e equipamento individual das Forças Armadas americanas. A mudança mais visível é no próprio padrão da camuflagem, baseado em pixels de imagens digitalizadas, numa mistura de tons de cinza, verde e marrom – capaz portanto, como convém a uma corporação praticamente multinacional, de se integrar tanto a ambiente de deserto quanto de cidade e mata. Os zíperes foram substituídos por velcro. Vantagem: não machuca quando fica embaixo do pesado colete à prova de bala. Desvantagem, apontada por soldados em carta à revista Army Times: faz um barulho – o treeect do velcro – especialmente inconveniente em missões na surdina. A farda tem novos bolsos nos braços, pernas e peito e nada em preto – a cor foi abolida por ser considerada "não natural". Até a bandeirinha americana ganhou uma tonalidade mais fosca, e também uma função: pode ser lida com equipamento infravermelho, para facilitar a identificação de camaradas.

Lançada durante as comemorações do 229º aniversário do Exército americano, a nova farda substitui o modelo criado há vinte anos, cujo tom escuro de camuflagem provou ser inadequado na primeira Guerra do Golfo, por contrastar com o ambiente desértico, e foi rapidamente trocado. Mudanças no figurino militar americano não são incomuns. Os uniformes de lona cáqui com polaina e capacete tipo prato fundo da I Guerra Mundial viraram coisa muito diferente (e mais prática) na II Guerra, quando se adotou a indumentária que todo mundo conhece do cinema. Esta, por sua vez, apareceu modificada na Guerra do Vietnã (quando a camuflagem na selva se tornou essencial) e, posteriormente, nas guerras do Oriente Médio. No Exército brasileiro, a última mudança ocorreu em 1986 – basicamente, no tecido e na camuflagem mais disseminada. Tudo muito verde, já que, pela doutrina militar brasileira, a farda se destina, antes de tudo, ao combate na selva.

 

Comandos em várias ações

I GUERRA MUNDIAL
Lona cáqui e polaina

II GUERRA MUNDIAL
Na trincheira e em Hollywood

GUERRA DO VIETNÃ
Camuflagem na mata vira prioridade

GUERRA DO GOLFO
Padrão escuro demais para a areia do deserto

GUERRA NO IRAQUE
Até 2007, o novo modelo entrará em vigor

 

 
 
 
 
topovoltar