Edição 1873 . 29 de setembro de 2004

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Eleições
Foi mau, gente

Lula pede desculpas por ferir
lei ao pedir votos para Marta
Suplicy usando obra pública


Cynara Menezes

 
Sérgio Castro/AE
Dupla forcinha: após visita a obra, Lula elogia Marta (à dir.) na TV


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Especial Eleições 2004

Alegando "empolgação", o presidente Lula desculpou-se, na quinta-feira passada, por ter pedido votos para a prefeita de São Paulo, Marta Suplicy, durante a inauguração da obra de prolongamento da Radial Leste, via expressa que cruza a Zona Leste da cidade. "Se cometi erro, não gostaria, como presidente, de dar o exemplo. Peço desculpas se isso causou mal a alguém", disse. À parte a eventual sinceridade que a declaração possa conter, o mea-culpa presidencial teve origem em outro motivo. Especialistas, incluindo o ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, que foi consultado sobre o assunto pela Casa Civil, avaliam que o presidente infringiu a lei ao aproveitar a inauguração de uma obra pública em São Paulo para discursar em favor da petista. A atitude de Lula foi considerada ilegal não pelo fato de ele ter participado da abertura de uma obra ligada à gestão da sua candidata (o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso fez o mesmo em 2000 em relação ao hoje governador Geraldo Alckmin) nem por ter pedido publicamente votos para ela (Alckmin gravou depoimentos na TV apoiando o candidato José Serra), mas por ter feito as duas coisas ao mesmo tempo. "A lei diz que não se pode usar bens públicos para fazer uso promocional em favor de candidato ou partido político", diz o especialista em direito eleitoral Alberto Luis Rollo. O bem público, nesse caso, é obviamente a Radial Leste, que Lula usou como cenário de seu discurso e que não foi construída com recursos do PT, mas, sim, com dinheiro do contribuinte.

 
J. F. Diorio/AE
Serra exibe Alckmin (acima) no programa: lei não veta uma simples declaração de apoio

A atitude do presidente rendeu-lhe um processo (na sexta-feira, a Justiça Eleitoral aceitou denúncia do Ministério Público de uso da máquina administrativa; Lula, assim como Marta, pode ter de pagar uma multa de até 105 000 reais) e (mais uma) dor de cabeça provocada pela sucessão de trapalhadas protagonizada pela comunicação do Palácio do Planalto. Ao ser informada de que o ministro da Justiça considerara o discurso ilegal, a Secretaria de Imprensa da Presidência mandou retirar a fala de Lula do site oficial. Com a divulgação da iniciativa pelos jornais, o material voltou ao ar – só que sem o trecho em que o presidente pedia votos para Marta. Repercutiu mal, evidentemente. Resultado: Lula mandou que o texto voltasse para o site, na íntegra. Para a campanha de Marta, toda a confusão resultou em nada. Além do discurso na Radial Leste, Lula gravou outro texto de apoio à petista, em estúdio. Ambos foram levados ao ar pelo PT. Pesquisas não oficiais feitas pelo partido na semana passada indicam, no entanto, que a forcinha presidencial, ao menos por enquanto, não trouxe votos para a prefeita.

 
 
 
 
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