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Brasil
Os aplausos lá
fora
Lula
faz sucesso no
exterior e, até
melhor que FHC, tem sido capaz de
atrair simpatia e dar projeção ao Brasil

Leandra Peres
Ricardo Stuckert
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AP
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| Lula,
assistindo a Bush na TV em Nova York e discursando na ONU: palco
certo para visões grandiosas, mesmo que inaplicáveis
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O Brasil
responde por uma parcela inferior a 1% do comércio mundial.
Sua economia encolheu, deixou de figurar entre as dez maiores do
mundo e corresponde a menos de 5% da dos Estados Unidos. O Brasil
não faz parte do poderoso clube das potências nucleares.
Nunca ganhou um Prêmio Nobel. Sua distribuição
de renda é tão ruim quanto a de alguns países
da África. Examinado assim, pelo ângulo de suas fraquezas,
o Brasil poderia ser considerado um pária mundial
mas, na semana passada, a posição do governo brasileiro
de combate à fome e à miséria no mundo apareceu
com destaque variável nos principais jornais dos Estados
Unidos, França, Alemanha, Espanha, Inglaterra... "A repercussão
das propostas brasileiras é ampliada pela atuação
pessoal do presidente Lula", diz Mário Marconini, diretor
do Centro Brasileiro de Relações Internacionais (Cebri).
"No governo anterior, isso já acontecia por causa da figura
do presidente Fernando Henrique, que é muito respeitado no
cenário internacional. Agora se repete com o presidente Lula,
que é muito admirado lá fora", completa ele. Ter presidentes
carismáticos e com boa imagem internacional é uma
vantagem comparativa de monta para qualquer país. O Brasil
pode se dar por satisfeito por ter tido FHC e agora Lula, que, nesse
papel, está suplantando seu antecessor.
Na segunda-feira,
Lula reuniu representantes de mais de uma centena de países
em cúpula mundial para discutir o combate à fome e
à miséria em Nova York. Lula foi um dos grandes entusiastas
da idéia de fazer o encontro e, na semana passada, presidindo
a reunião com martelo na mão, conseguiu o que queria.
"Todo mundo achava que não haveria presidente mais habilidoso
no cenário externo que Fernando Henrique. Mas Lula conseguiu
ir além e teve uma cúpula mundial só para si",
diz o cientista político David Fleischer, professor da Universidade
de Brasília. No encerramento do encontro, conseguiu-se difundir
uma boa idéia luta contra a miséria e a fome
, mas ninguém descobriu um meio eficaz de arrecadar
até 2015 os 50 bilhões de dólares necessários
para o projeto. Aventou-se a possibilidade de taxar as operações
financeiras internacionais e cobrar um tributo na venda de armas
pesadas. A idéia de um imposto mundial, embora recorrente,
não passa de uma quimera. "É pouco provável
que uma proposta como essa seja viável. Ela introduz distorções
no sistema financeiro e aumenta o custo das transações",
diz Sérgio Werlang, diretor executivo do Banco Itaú.
No dia
seguinte, Lula fez o discurso de abertura da assembléia da
ONU. Como de praxe, reclamou da globalização e do
Fundo Monetário Internacional, patacoadas de efeito nulo
que a diplomacia brasileira adora colocar na boca dos presidentes
em plenários internacionais, e voltou a embrenhar-se na defesa
da justiça e da dignidade humana, na luta contra a pobreza
e a doença. Nesses assuntos, o discurso de Lula é
mais um cardápio de boas intenções que um projeto
de ação. Se as propostas eram inexeqüíveis,
pelo menos a audiência era perfeita. "Os organismos internacionais
funcionam para isso mesmo. Eles são caixas de ressonância.
Servem para que temas importantes, independentemente de sua viabilidade
imediata, ganhem visibilidade na agenda política internacional",
explica Eiiti Sato, professor de relações internacionais
da Universidade de Brasília. Com seu discurso, Lula acabou
fazendo um agudo contraponto com o presidente George W. Bush, cujo
pronunciamento, mais uma vez, deu ampla ênfase à segurança
e ao combate ao terrorismo e tentou convencer a platéia de
que a democracia está heroicamente desbravando seu caminho
no Iraque e no Afeganistão. O carisma de Lula e sua biografia,
cuja trajetória da pobreza no sertão nordestino ao
cargo mais poderoso do país costuma impressionar dirigentes
estrangeiros, estão entre os grandes responsáveis
pela atenção que o Brasil ganha nos fóruns
internacionais. O curioso é que a biografia de Lula parecia
despertar um interesse que, aos poucos, tendia a minguar. Ocorre
que Lula continua despertando interesse lá fora. Em vez de
exotismo, ele inspira um genuíno respeito. O presidente ganha
com isso. O Brasil, ao projetar-se no cenário internacional,
também ganha.
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