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Diogo
Mainardi
Lula dá azar
"Tempestades,
chamas, mares de
sangue
e gafanhotos: não pretendo fazer ilações
injuriosas, mas tudo lembra os flagelos do
Apocalipse, com o angélico Luiz
Gushiken
a cargo das sete trombetas"
Lula foi
a Nova York e resolveu o problema da fome no mundo. Muito bem, presidente.
Em compensação, temo pelo que possa acontecer, de
agora em diante, a Nova York. Se eu fosse o prefeito da cidade,
decretaria urgentemente o estado de alerta. Uma catástrofe
irá se abater sobre seus habitantes. Talvez seja uma canalhice
revelar esse fato, mas Lula (toc-toc-toc) dá azar. Com assombrosa
regularidade, desastres naturais acompanham a passagem de sua comitiva
presidencial.
Veja só:
em agosto, Lula (toc-toc-toc) visitou a República Dominicana
e o Haiti. Em seguida, os dois países foram devastados pelo
furacão Jeanne, que causou centenas de mortes. Em julho,
o presidente passou por Santa Cruz de la Sierra, na Bolívia.
Poucas semanas depois, a região foi assolada por um incêndio
florestal de grandes proporções. Ainda em julho, Lula
(toc-toc-toc) viajou para Cabo Verde e Guiné-Bissau. Assim
que ele foi embora, surgiram os primeiros sinais de uma gigantesca
infestação de gafanhotos naquela parte da África.
Em maio, o presidente foi à China. Nos dois meses seguintes,
tufões castigaram o país, provocando mais de 600 mortes.
Tempestades, chamas, mares de sangue e gafanhotos: não pretendo
fazer ilações injuriosas, mas tudo lembra os flagelos
do Apocalipse, com o angélico Luiz Gushiken a cargo das sete
trombetas.
O último
episódio dessa impressionante série de desastres naturais
foi a enchente na continuação da Radial Leste, em
São Paulo, um dia depois de oficialmente inaugurada por Lula
(toc-toc-toc). Na ocasião, apesar de estar em viagem oficial
paga pelos contribuintes, o presidente pediu votos para Marta Suplicy,
candidata à reeleição em São Paulo.
Considerando o rastro de destruição que costuma acompanhá-lo,
a prefeita deve estar batendo na madeira. Quem deu o melhor argumento
para votar contra Marta Suplicy foi a própria Marta Suplicy.
Ela disse que sua eventual derrota teria o efeito de desencadear
a corrida presidencial. Um dos aspectos mais deletérios do
petismo é a falta de pudor no uso da máquina pública,
como na inauguração da Radial Leste ou, pior ainda,
na cooptação de parlamentares de outros partidos por
meio de verbas e cargos. Uma derrota na prefeitura de São
Paulo criaria a perspectiva de uma derrota de Lula (toc-toc-toc)
nas próximas eleições presidenciais, enfraquecendo
o governo e dando um pouco mais de coragem a quem tem o dever de
denunciar os abusos do poder central, como magistrados e jornalistas.
O maior
responsável pela desenvoltura de Lula (toc-toc-toc) é
Fernando Henrique Cardoso (toc-toc-toc). A emenda constitucional
que permitiu sua reeleição foi o mais profundo retrocesso
democrático, desde os tempos da ditadura. No Brasil, o Estado
controla mais de metade da economia. Isso dá aos governantes
demasiado poder de barganha. A possibilidade de permanecer no cargo
por oito anos os torna praticamente incontrastáveis. Sempre
que se fala em reforma política, a principal preocupação
de deputados e senadores é tomar nosso dinheiro e aumentar
o financiamento público aos partidos. O primeiro ponto de
uma reforma política deve ser outro: o fim da reeleição.
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