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Sem saber quanto vai receber, Nasser passa o Excel Econômico por um valor simbólico
Felipe Patury e David Friedlander
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Ezequiel
Nasser: o BC forçou a conclusão do negócio, com medo de que o Excel quebrasse |
| Foto: Regis Filho |
Pode ter terminado com uma nota de 1 real a grande aventura do empresário Ezequiel Nasser, dono do Excel Econômico, que um dia chegou a ser um dos maiores banqueiros do Brasil. Na semana passada, Nasser aceitou vender os 55% que tem no Excel aos espanhóis do Bilbao Vizcaya por meio de um contrato de risco. Por enquanto, ele receberá apenas esse pagamento simbólico de 1 real. À medida que o Bilbao for conhecendo os furos do Excel, o banqueiro poderá receber ou não algum dinheiro. Se os créditos podres superarem o patrimônio do banco, Nasser sai apenas com a nota de 1 real, para colocar na moldura. Seria um tranco para quem já foi dono do décimo maior banco privado do país. Se a carteira de empréstimos do Excel não for assim tão ruim, Nasser pode sair com bastante dinheiro. Pessoas que fizeram parte da negociação acham que ele não leva mais do que 100 milhões de reais para casa. Seria muito menos do que os 230 milhões que o Excel valia dois anos e meio atrás, quando Nasser decidiu comprar o Econômico.
Nasser combinou vender o Excel Econômico aos espanhóis em abril, mas eles não chegavam a um acordo sobre o valor dos ativos do banco. A diferença entre as duas avaliações é de aproximadamente 600 milhões de reais. Nessa conta entram empréstimos em atraso, créditos fiscais e dívidas trabalhistas, que os emissários do Bilbao não queriam aceitar como receita que vai retornar para o banco. Em algumas ocasiões, depois do acordo com Nasser, os espanhóis chegaram a comentar que o Excel Econômico era um mico. O fato é que a demora nas negociações estava debilitando muito a saúde financeira do Excel, e o Banco Central passou a temer que a instituição quebrasse. Por isso, na terça-feira, o BC reuniu os dois bancos em São Paulo e os forçou a fazer um acerto. Feito o negócio, o Bilbao anunciou que vai investir 1 bilhão de dólares para recapitalizar o Excel, que não tem dinheiro para funcionar.
Membro de uma família de banqueiros prósperos, os Safra, Ezequiel Nasser abriu o Excel em 1990, depois de trabalhar por dezessete anos para os tios Edmond, nos Estados Unidos, e Joseph, no Brasil. Os 8 milhões de dólares que Nasser investiu para lançar seu próprio banco foram conseguidos com o pai, que na época vendeu uma fábrica de fios para outro Safra, o tio Moise. Operando basicamente com empresas, o Excel esteve durante quatro anos entre os três bancos mais rentáveis do país. A compra do Econômico, feita com ajuda do governo, foi uma jogada de altíssimo risco. Outros banqueiros acham que ele sonhou alto demais. O Econômico era um banco com a imagem desgastada, que tinha ficado alguns meses fechado com o dinheiro dos correntistas preso. Nasser fez de tudo para melhorar a imagem do novo banco perante o público. Lançou produtos inovadores, como o cheque especial que oferece doze dias sem juros, e passou a patrocinar clubes de futebol populares, como o Corinthians, de São Paulo.
Homem recluso, que vivia com medo de seqüestro depois de passar 75 dias em cativeiro, Nasser foi brincar o Carnaval na Bahia para ganhar popularidade. Um dos problemas de Nasser foi ter emprestado demais, e errado, para crescer rápido. Outro foi ter tentado virar banqueiro grande na hora errada. O Econômico foi comprado num momento em que havia reserva de mercado para os bancos brasileiros. De lá para cá, entraram gigantes internacionais como o HSBC, e bancos estrangeiros que já estavam aqui resolveram crescer, como o ABN-Amro. Montado num banco que estava dando prejuízo e sem espaço para crescer, Nasser não teve escolha. Ele admitiu isso em abril, quando fez o primeiro acerto com o Bilbao. Só que talvez não esperasse sair com tão pouco.
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