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| Fotos: Claudio Pinheiro | |||
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| Creponado (camisa), com seda (avental), náilon (blazer) e plissado (vestido): fios nobres | Resinado no conjunto
branco e encerado na calça azul: o linho que não amarrota |
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| Impecável Para amassar menos, o tecido é banhado em resina e, ainda úmido, passa entre dois cilindros, à pressão de 6 toneladas e temperatura de 180 graus |
Sinônimo de bom gosto, o linho, antiqüíssimo tecido que já vestia sacerdotes no Egito dos faraós, ganhou ares modernos nas coleções de verão das principais griffes brasileiras e virou uma das estrelas da quinta edição do MorumbiFashion, o maior acontecimento de moda no Brasil, realizado durante toda a semana passada em São Paulo. Nas passarelas montadas sob duas enormes tendas fincadas nos gramados do Jockey Club paulistano, a temperatura foi morna em termos de design: tudo muito correto, elegante, mas sem glamour. Na falta de estilistas de arromba, sobraram elogios para os lançamentos de tecidos, e nesse quesito o linho foi destaque em diferentes formas. Puro, misturado a fibras naturais, sintéticas e, o que era impensável, especialmente tratado para não amarrotar cinco minutos depois de vestido, como é normal.
"Por meio de novas técnicas, revolucionamos o linho puro, que sempre teve um arremate muito convencional", diz Carlos Reis, diretor de desenvolvimento de produtos da Braspérola, indústria que investiu 40 milhões de reais nos últimos quatro anos na fabricação dos linhos especiais. Juntando as novidades da Braspérola com as das outras fábricas nacionais e os muitos tecidos importados, o resultado é de abarrotar mostruário. Os vestidos, calças e blazers do verão que se aproxima são de linho resinado, lavado, índigo, transparente, plissado, creponado, amassado e até encerado, brilhante como um uniforme de astronauta. "Além do brilho, esse tipo amassa muito menos e dá um caimento mais estruturado à roupa", aprova a estilista Graziela Beneduci.
Para amassar menos e brilhar mais, o encerado recebe um tratamento parecido ao dos tecidos para decoração. Primeiro, aplica-se uma película de resina no linho puro. Depois de uma meia secagem, ele passa entre dois cilindros, onde é submetido a uma pressão de 6 toneladas e temperatura de 180 graus para fixar a resina. O que sai da máquina é um tecido macio por dentro e escorregadio e geladinho por fora. "O encerado é perfeito para o verão", diz Reis. No extremo oposto ao encerado desponta uma redundância: o linho amassado. Neste caso, o linho puro é colocado numa máquina de lavanderia industrial e recebe um tratamento à base de enzimas, que têm a função de polir as fibras e torná-las mais sedosas. Depois de polido, ele é batido em vapor, para fixar as rugas. Daí, passa à secagem, de onde sai amassado na medida que a moda exige.
Mais mudanças Para dar um moderno ar de descuido às peças de sua coleção, o estilista mineiro Renato Loureiro explorou o amarrotado à máquina, na coleção mais recheada de linho da temporada. "Quanto mais amassado, melhor", recomenda Loureiro, que pôs na sua passarela do MorumbiFashion quarenta saias e calças compridas em tons de areia, com enormes bolsos pregados do lado de fora. O estilista Valdemar Iódice, ao costurar saias longas com fendas e tops tomara-que-caia, apostou no resinado. Por dentro o resinado é igual ao linho antigo. Por fora é mais duro, com toque parecido a uma fina camada de borracha. "Ele também amassa menos e, por ser mais rígido, permite o trabalho de modelagens mais modernas", opina Iódice.
Outro linho com acabamento especial testado e aprovado para o verão é o creponado ou crocante, que se parece com uma gaze e tem textura agradavelmente crespa. O tecido é colocado solto nos tubos de uma máquina especialmente desenvolvida, "torturado" com choques térmicos e submetido a variações extremas de temperatura. "Fica perfeito, porque resiste a tudo sem perder a nobreza das fibras", elogia Luiz Paulo Vianna, diretor industrial da Teba, pioneira na fabricação de linho no Brasil. A cinqüentenária Teba começou a produzir linhos de acabamento especial há um ano e hoje tem doze tipos diferentes, que representam 30% da produção total. "A curto prazo, a tendência é inverter a conta: produzir 70% de especiais e apenas 30% do tradicional", prevê Vianna. Reis, da Braspérola, concorda que o futuro é dos novos linhos. "Antes, uma boa idéia tinha pelo menos dez anos de sucesso no mercado. Hoje em dia dura no máximo seis meses, e já estão pedindo outra", explica.
Índias na passarelaSempre atrás de novas maneiras de fazer cair o queixo de sua refinada platéia, os meninos levados da moda em Paris os ingleses John Galliano, iconoclasta da maison Dior, e Alexander McQueen, o irreverente da Givenchy desta vez beberam da mesma fonte: os povos nativos das Américas. Galliano cobriu as modelos de penas e contas, figurino de cinema dos índios apaches e sioux das planícies americanas. Naomi Campbell, por exemplo, despontou na passarela com um cocar de Pocahontas na cabeça. Já McQueen se inspirou em um território próximo da linha do Equador, a Amazônia, de onde tirou inclusive o penteado tipo "cuia" e a idéia de pintar de escuro, como uma máscara, a área acima do nariz das modelos. Diante dessas peraltices, o leigo se pergunta: "Quem vai usar essas fantasias?" A resposta é simples: ninguém. O importante, para as griffes, não é mostrar roupas usáveis, mas passar uma imagem de ousadia e criatividade. Isso ajuda a vender perfumes e acessórios para o público, a mina de ouro das grandes marcas. |
Copyright © 1998, Abril
S.A. |