O ponto da moda

Comodidade e rapidez no serviço transformam
as lojas de conveniência em mania nacional

BR Mania:
abertura de 174
lojas neste ano
Foto: Renata Ursaia  

Os brasileiros estão cada vez mais parecidos com os americanos nos hábitos de consumo. Depois da febre das lanchonetes fast food e da popularidade das lojinhas que vendem produtos por 1,99 real, agora é a vez de as lojas de conveniência fazerem sucesso no Brasil. Cinco anos atrás, elas não passavam de 110. Hoje, já são 1350, um aumento de mais de 1000% nesse período. A previsão é de que sejam inauguradas mais 450 até o mês de dezembro. As lojas de conveniência, para quem não conhece, são aqueles minimercados instalados nos postos de gasolina, que vendem de tudo um pouco: desde pilha, barbeador, fralda descartável e cachorro-quente até vinho francês e chocolate suíço. Também se pode parar para tomar uma xícara de café ou comprar pipoca de microondas. Esse comércio já está movimentando 730 milhões de reais por ano, quase o mesmo que a Kodak Brasileira faturou com vendas em 1997. O bolo deve engordar para mais de 1 bilhão de reais até a virada do século, quando estarão funcionando 3.000 pontos no Brasil, segundo estimativas.

As lojas de conveniência fazem sucesso porque oferecem vantagens em relação ao comércio tradicional. Não há filas gigantescas como nos caixas dos grandes supermercados. Entre estacionar o carro, escolher o produto e pagar, gastam-se em média dez minutos. "O público das lojas de conveniência é formado por pessoas que não querem perder muito tempo fazendo compras", diz Claudio Correra, consultor de varejo. Depois, há o fator segurança. Como estão instaladas em postos de gasolina, oferecem estacionamento na porta, são bem iluminadas e geralmente existem seguranças por perto. "No Brasil, elas viraram ponto de encontro de adolescentes", afirma o consultor. Outra comodidade é o horário: a maioria funciona 24 horas. Servem tanto para quem saiu da danceteria e está louco por um hot-dog como para quem resolveu comprar linha e agulha no meio da noite. Essa comodidade tem um preço. Os produtos, com exceção de cigarro e revista, são entre 10% e 15% mais caros do que no varejo tradicional.

Nos Estados Unidos, o sistema de lojas de conveniência surgiu na década de 30, e elas viraram uma febre. Há quase 100.000 desses estabelecimentos pelo país, a maioria também funcionando junto a postos de gasolina. Os americanos descobriram que os postos onde havia esse serviço vendiam mais combustível. Por isso, as distribuidoras investiram pesado para ter esses minimercados. O faturamento anual das lojas de conveniência americanas é um espanto: algo em torno de 70 bilhões de dólares. No Brasil, a novidade chegou em 1987 e, desde então, tem feito muito sucesso. Calcula-se que os postos de gasolina onde existem lojas de conveniência vendam em média 25% a mais de combustível do que aqueles que não oferecem esse comércio. As distribuidoras brasileiras investiram mais de 100 milhões de dólares nos últimos dez anos para ter suas redes de lojas de conveniência. A Shell montou a Select. A Esso é dona da Esso Stop & Shop e da Hungry Tiger. A Petrobras criou a BR Mania e BR Mix. Há mais gente chegando. A distribuidora argentina YPF e a italiana Agip também vão abrir no Brasil seus postos e lojas.

O negócio não é rentável apenas para as distribuidoras. Quem abre uma franquia das lojas de conveniência também pode ganhar dinheiro. As principais chegam a faturar mais de 40000 reais por mês, e o lucro fica na casa de 5.000 reais, um bom rendimento. Atraídas pelo movimento, outras franquias se estão instalando ao lado delas e formando praças de alimentação e serviços. Empresas como a Casa do Pão de Queijo, a rede de lanchonetes Subway e a confeitaria Dunkin' Donuts já montaram pontos perto de lojas de conveniência. Nos postos mais movimentados há locadoras de vídeo, banco 24 horas, agência do correio e até lavanderia. Pode-se mesmo comer um saboroso sushi na madrugada.

Cintia Valentini




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