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| Fotos: Claudio Rossi |
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| Armentano:
casa mostrada em fotografias, "sem ter o trabalho de limpar cinzeiros" |
A nova vedete da noite carioca não é nenhuma mulher bonita fazendo sucesso nas festas chiques. O que está causando o maior burburinho na alta sociedade do Rio de Janeiro é a casa de 800 metros quadrados que o decorador Hélio Fraga inaugurou no bairro do Leblon, na Zona Sul da cidade. São imensos salões em tons de dourado e salmão, todos decorados no estilo clássico, marca registrada de Fraga. O piso é formado por gigantescos losangos de mármore italiano. Há lustres de cristal Baccarat, uma coleção de 68 pinhas nas mais diversas cores também Baccarat , esculturas de anjos do século XVIII e uma verdadeira sala de estar ao ar livre (com móveis resistentes ao mau tempo). Em menos de um mês o decorador já ofereceu duas festas uma para 28 pessoas, outra para setenta com o objetivo de apresentar a mansão aos amigos, todos famosos. Fraga não se importa de expor a intimidade do lugar onde vive. Muito pelo contrário. "As minhas casas sempre foram um showroom do meu trabalho. Comigo não tem essa história de casa de ferreiro, espeto de pau", diz Fraga, que tem como clientes o empresário Roberto Marinho e o banqueiro Júlio Bozano.
Algumas casas de decoradores vivem em constante mutação. No mês passado, a sala da arquiteta e decoradora paulista Brunete Fraccaroli tinha piso de madeira aparente, estofados pretos e um imponente quadro abstrato nas cores verde e vinho. Hoje, tudo está diferente. O chão ganhou um tapete francês Aubusson, os sofás e poltronas foram cobertos com capas brancas e os quadros nas paredes são outros. "Mudo minha casa a toda hora: tiro e ponho abajur, arrasto móveis, troco enfeites e objetos, forro sofás, mando pintar as paredes", conta Brunete, que só não mexe mesmo no quarto da filha adolescente, onde precisa de autorização para inovar. Além de laboratório de experiências decorativas, a casa do profissional da área costuma ser devassada por clientes desejosos de constatar os dotes do morador. Com pleno consentimento dele, claro. Brunete, como o colega Hélio Fraga, adora convidar. "Quando trago um cliente à minha casa, consigo mostrar a ele algumas boas soluções, como a valorização de um quadro com o uso de iluminação especial", explica ela.
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Brunete
Fraccaroli: sala em eterna mutação |
"Cacarecos" Há os que pouco recebem, em nome da preservação da intimidade, mas abrem os salões para fotógrafos das publicações lidas pelos potenciais clientes. O arquiteto João Armentano, badalado profissional de São Paulo, desistiu de levar clientes à sua casa de 600 metros quadrados próxima ao Parque do Ibirapuera. "É natural que as pessoas queiram saber como é a casa do seu decorador", consente Armentano. Mas, para que os filhos pequenos não tenham de conviver com clientes entrando e saindo, ele prefere exibir seu recanto em revistas. "Assim, posso mostrar onde moro sem precisar ter o trabalho de limpar cinzeiros", brinca. Talvez limpar cinzeiros seja precisamente um dos motivos pelos quais o decorador carioca Chicô Gouveia nunca receba clientes em seu apartamento com vista para o mar do Leblon, no Rio de Janeiro. Espalhados pela sala, há dezenas e mais dezenas deles a maioria de vidro e cristal, em formas e cores as mais variadas. Chicô é um colecionador compulsivo, de cinzeiros e o que mais vir pela frente.
Dono de um muito bem cotado estilo que mistura antigo e moderno e faz a cabeça dos modernos cariocas, o Chicô doméstico é isso, e muitíssimo mais. "Se eu trouxer um cliente em casa, ele vai achar que sou maluco. Ou então vai querer uma casa igual à minha e eu não vou poder fazer", diz o decorador. Além de cinzeiros, ele coleciona estatuetas barrocas, máscaras africanas, soldadinhos de chumbo e bandejas decoradas com asas de borboleta. Uma montanha de "cacarecos", como o próprio Chicô define boa parte de seus pertences. Seu bar, por exemplo, tem centenas de copos em diferentes formatos e cores, lado a lado com um papagaio de louça, um cachorrinho de vidro e uma série de bonequinhos do camundongo Mickey. Em qualquer outro lugar, a decoração faria muita gente torcer o nariz. Na casa de Chicô, o conjunto tem estilo. "Adoro esse acúmulo de coisas. E não gosto de casa clean. Isso é coisa de gente que não tem história, não tem passado", reclama.
| Chicô
Gouveia: estilo no espaço atulhado de coleções |
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| Foto: Oscar Cabral |
Chicô, no entanto, é exceção na política de portas fechadas. A casa do decorador, mostrada ao vivo, em festas e visitas, e em cores, nas revistas, é um instrumento importante para indicar o caminho que ele costuma seguir em seus projetos. A grande maioria dos clientes de Hélio Fraga, por exemplo, o procura com o objetivo de ter em casa ambientes suntuosos, com muito luxo e peças clássicas, em geral obras de arte caríssimas. Já os do arquiteto e decorador paulista Sig Bergamin, um dos mais requisitados por endinheirados de vários lugares do país, sabem que da sua prancheta sempre sai uma variada combinação de tendências. Em casa, ele garante ser ainda mais atrevido. "Sou bastante eclético, e no meu espaço privado coloco tudo que não posso colocar nas residências dos outros", conta Bergamin. Ele só pretende receber amigos além, óbvio, dos indefectíveis fotógrafos na casa que está prestes a inaugurar em São Paulo, onde misturou referências marroquinas, indianas, chinesas e lembranças de diversas viagens com móveis e objetos em estilo provençal, vitoriano e moderno.
O carioca Eder Meneghine, preferido dos chamados emergentes da Barra da Tijuca, tem seu trabalho marcado por um estilo assumidamente espalhafatoso. "Não sou nada discreto na composição de ambientes", admite. Abarrotou inclusive o apertado quarto-e-sala em que mora, caprichando na mistura de quadros, algumas estatuetas de bronze e uma curiosa coleção de vidros de perfume antigos. Eder leva poucos clientes lá, mas às vezes não resiste. Garante que vendeu aos apresentadores William Bonner e Fátima Bernardes uma cristaleira que ornava sua sala. "Eles vieram aqui e adoraram o móvel. Vendi, claro", lembra. Não é o único a adotar a prática. Brunete Fraccaroli também já viu vários clientes seus saírem de sua casa levando embaixo do braço algum objeto de decoração pelo qual se encantaram. "Se for importante para o cliente, eu vendo", diz Brunete. Além de showroom informal, casa de decorador também tem seus dias de lojinha para lá de exclusiva.
Com reportagem de Dagmar Serpa
Copyright © 1998, Abril
S.A. |