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| Fotos: Frederic Jean |
A região do Pantanal Mato-Grossense é uma das jóias ecológicas mais espetaculares do planeta. Espalhada por uma área cinco vezes maior que o Estado do Rio de Janeiro, tem uma fauna exuberante com 32 milhões de jacarés, 2,5 milhões de capivaras, 35.000 cervos-do-pantanal e uma infinidade de pássaros, segundo um censo recente feito pela Embrapa. Mesmo assim, permanece pouco visitada. Fala-se muito no Pantanal, mas pouca gente se dispõe a conhecê-lo pessoalmente. Calcula-se que pouco mais de 100.000 turistas foram até lá no ano passado apenas um décimo das pessoas que visitaram o Ceará. O reduzido número de visitantes se deve, principalmente, à dificuldade de acesso. Fazer turismo na região é caro e complicado. Só quem tem dinheiro para alugar um barco ou se hospedar num hotel-fazenda consegue ver mais de perto a paisagem e os animais. Uma iniciativa da prefeitura de Corumbá pretende mudar essa situação. No último sábado foi inaugurada a Estrada Parque, uma via de terra batida que descortina o esplendor da região, ao longo de 120 quilômetros. Andar por ela é a maneira mais simples e barata de conhecer o Pantanal. Os bichos estão por toda parte, às margens e também sobre a estrada.
A Estrada Parque tem seis mirantes com painéis explicativos sobre a fauna e a flora da região, placas indicativas da localização de pousadas e um centro de orientação aos visitantes, ainda em construção. Tudo é muito rústico, construído ao custo de 150.000 reais com madeiras caídas naturalmente. Mas é um avanço e tanto. Seguindo a trilha aberta pelo marechal Rondon no final do século passado, a estrada foi o único acesso rodoviário a Corumbá até a década de 80. Em 1993, o governo estadual publicou decreto determinando que as antigas rodovias MS-184 e MS-228 ganhassem o nome de Estrada Parque Pantanal e fossem consideradas Área Especial de Interesse Turístico. O nome pomposo pouco significou na prática. Só agora a estrada passa a ter como finalidade o turismo. Em alguns pontos existem pousadas e campings e locais para aluguel de barcos para pesca.
O passeio começa (ou termina) com uma vista da região a partir do Maciço do Urucum, uma serra logo na saída de Corumbá. Em seguida, a ampla vista divide a atenção com a fauna. Embora os animais estejam espalhados ao longo de toda a estrada, cada espécie aparece com mais facilidade em determinados trechos. Mamíferos e jacarés ficam mais concentrados entre o Rio Paraguai e a Curva do Leque, uma área que costuma ficar submersa na época das cheias, de fevereiro a junho. Os pássaros estão nas partes mais secas da Curva do Leque até o entroncamento com a BR-262 no fim da estrada. A viagem permite uma avaliação curiosa do comportamento dos animais. Existem as espécies mais e as menos exibicionistas. As capivaras andam sempre em grandes grupos e são muito mansas. Por vezes, é necessário buzinar insistentemente para tirá-las do caminho. Jacarés são arredios e, a um movimento mais brusco, escondem-se na água.
Piracema As margens das baías estão sempre repletas de tuiuiús, enquanto as cobras se enroscam nas árvores de um e outro lado da estrada. É necessário prestar muita atenção para vê-las. Já para encontrar um macaco-prego é preciso sorte. Topar com alguma onça-pintada é quase impossível. Elas nunca se aproximam da estrada. Também é importante saber escolher época e horário para fazer o passeio. A melhor temporada para ver a bicharada vai de agosto a novembro, período em que o Pantanal está vazando, mas ainda não está seco. Os melhores períodos são o nascer e o pôr-do-sol, quando os bichos buscam a estrada para se aquecer. Os peixes ficam aprisionados nas lagoas temporárias atraindo todos os animais que deles se alimentam.
A estrada pretende chamar a atenção de um novo tipo de visitante: aquele que gosta de contemplar a natureza. Por enquanto, mais da metade dos turistas que visitam Corumbá o fazem seduzidos pela pesca. "O turismo proporcionado pela pesca é muito importante para a cidade, mas está longe de ser suficiente", afirma Angelo Rabelo, secretário de Meio Ambiente de Corumbá. "Nos quatro meses de piracema, quando a pesca é proibida, uma estrutura de 60 milhões de reais fica ociosa e 3.000 empregos desaparecem", conta. Atributos naturais não faltam. O problema é o custo das viagens. "Queremos que a Estrada Parque mude isso." diz a bióloga Silvia Gervásio, diretora executiva para o turismo da prefeitura de Corumbá.
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